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O FILHO DO HOMEM

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      110x85cm    PRESÉPIO *      É por dentro de mim que chego a Deus, É por dentro de mim, eu sei-o bem, Que todos os natais vou pelos céus Visitar o Menino de Belém.     Nunca o disse a ninguém, pois há segredos Que devemos guardar dentro de nós E há sempre quem duvide, ou tenha medo, De uma mulher com asas de albatroz,     Mas da estranha viagem, que só faço Se a estrela de Belém me der boleia, Fica o registo, do divino traço:     Nascem raios de luz no meu regaço E há anjos a cantar a noite inteira Ao menino que dorme nos meus braços.  *     Maria João Brito de Sousa - 20.01.2008    

NOVE ANOS POR AMOR MOLDEI; ESCULPI...

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Peça da autoria de Jorge Vieira   NOVE ANOS, POR AMOR, MOLDEI, ESCULPI... * Nove anos, por amor, moldei, esculpi, Mil formas dei ao barro da palavra: Nove anos, sol a sol, servi, qual escrava, A vontade do barro em que nasci * Nove anos, por opção, não desisti Dessa labuta que por mim clamava E nove anos a fio sobrevivi Dos parcos frutos que esse ofício dava... * Por outros nove, ou mais, resistiria Se esta vida tão só mos concedesse: Mais nove vezes nove os moldaria * No barro da palavra... se pudesse, Pois quem do barro vive, em barro cria O que da mente emerge ou alvorece. * Maria João Brito de Sousa 23.06.2016 ¨¨¨¨¨¨¨¨  Peça da autoria de Jorge Vieira

POEMA À PRIMEIRA MULHER II - Reedição

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POEMA À PRIMEIRA MULHER II * Imaculada, afirmo o que não devo: Preencho a escura cova do meu fim Com quanta flor semeie num jardim Quimérico, insondável e primevo… * Ingénua, sem sonhar que me descrevo À luz do que mais puro existe em mim, Não fora o escuro abismo ser assim, Profundo - tanto mais quão mais me elevo… - * Talvez soubesse projectar-me toda Nos sonhos que me orbitam numa roda Que aspira à mais perfeita identidade * Mas, finalmente, o germe do real Corrompe a carne preservada em sal, Desponta e vem-me impor toda a verdade. *   Maria João Brito de Sousa 20.06.2014 - 16.33h *** NOTA – Soneto recriado a partir do soneto original “Poema à Primeira Mulher” in Pequenas Utopias, Corpos Editora, 2012 Imagem- "As Três Idades do Homem", Hans Baldung Grien

DESLEIXO - Reedição

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DESLEIXO * Soneto que me nasça por favor, sem essa rebeldia indefinível dos versos que se esculpem por amor na sequência de urgência irreprimível * Bem pode ostentar forma e ter rigor, Porém não terá "garra", essa indizível, que o tempera, o reforça, dá vigor e é, no fundo, o que o torna irrepetível * Mas que posso fazer contra a vontade, transformada em rotina involuntária que me exige um soneto? Aqui o deixo, * Sabendo que ajo mal pois, na verdade, por capricho tornei-me, a mim, contrária e em vez de excelência urdi desleixo! * Maria João Brito de Sousa 17.06.2010 – 09.26h ***

SONETO À MINHA LOUCA; LOUCA INSPIRAÇÃO - Reedição

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Mulher em Molho de Luar - M.J.B.S., 1999 * SONETO À MINHA "LOUCA, LOUCA, INSPIRAÇÃO" * Venho tarde e más horas porque venho de um momento lunar que desconheces no despontar da teia em que te teces há mais do que a noção que tens de antanho * Se firo, como chaga ou corpo estranho alheada do tanto que padeces, é por puro desdém das gastas preces que te confesso já, nego e desdenho! * Matéria, anti-matéria… o que me importa se, ao ser razão, de ti me quedo absorta pr` assombrar-te depois, sem mais razão * E sempre que me julgas muda ou morta te invado ao arrombar a férrea porta que usaste pra fechar-me o coração? *   Maria João Brito de Sousa 18.12.2012 - 02.47h ***

AMOR E DOR - Trilogia

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"Amor e Dor", Edvard Munch   AMOR E DOR * Trilogia * AMOR E DOR NAS FALDAS DO ARARATE *   Chegando ao Ararate, Amor e Dor, Sentaram-se, cansados da jornada. Olhando o Monte, a Dor ficou sanada E, de contente, quis curar Amor: *   Repara, Amor, que eu estava bem pior Antes de iniciar a caminhada, Que olhei o Monte e foi-se-me a pontada E sinto despontar força e vigor! *   Vem ver, para que o mal nunca te chegue, Para que a praga, ao ver-te, se te negue, E não possa haver peste que te mate! *   Ouviu-a, Amor. Olhou. Perdeu-se olhando. Voltou sozinha a Dor, de dor chorando Por se perder de Amor no Ararate. * Maria João Brito de Sousa 10.05.2018 ***   AMOR E DOR II. * Amor e Dor, brincando se entrechocam E enredam-se num fio que acaba em nó... Até então Amor vivera só E Dor, lá nas lonjuras que se evocam. * Moram juntos agora e, mal se tocam, Sentem um pelo outro um mesmo dó: Amor, que era imortal, desfaz-se em pó E Dor sucumbe à dor que os nós provocam. * Nesta paradoxal (des)un...

A QUEM SOUBER OUVIR O (EN)CANTO DOS PARDAIS

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A QUEM SOUBER OUVIR O (EN)CANTO DOS PARDAIS * Aos mortos nos covais e aos que estão por vir, Aos que estão a dormir, aos que nem dormem mais, Aos troncos verticais dos cravos a florir E a quem souber ouvir o (en)canto dos pardais, * Aos rios nos seus caudais, aos montes por subir, Às pedras por esculpir, aos mestres geniais, Às infracções verbais, aos versos por escandir E à morte que há-de vir porque somos mortais: *   O poema é uma aventura incerta e fascinante Que ninguém nos garante, infinda descoberta, Quase uma fresta aberta ao gesto vacilante * Do que ainda hesitante ousar o que o liberta Porque a fresta desperta o que o levara avante Naquele exacto instante em que ele a dá por certa. *   Maria João Brito de Sousa 17.06.2020 - 12.31h *** Em verso alexandrino com rima duplamente encadeada

NÃO ME PEÇAS PRA SER QUEM NÃO SOU

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"O Triunfo da Revolução", Diego Rivera   NÃO ME PEÇAS PRA SER QUEM NÃO SOU * Não me peças pra ser quem não sou, Nem me colhas, de ramo enxertado, Um só fruto dos frutos que dou Sem que esteja polpudo e dourado * Tão maduro do sol que o dourou Que se of`reça aos teus lábios, ousado, Sem pôr culpas na mão que o cortou, Nem remorsos por tê-la tentado! * Não me fales de medo! Não cedo A caprichos e sedes tão poucas! De outra sede fecunda procedo * E se as sedes que trazes são loucas, Também esta que cresce sem medo Expressa a sede de muitas mais bocas. *   Maria João Brito de Sousa 23.04.2016 - 22.09h * Soneto em verso eneassilábico ***

PENDE DO MEU ANZOL UM PEIXE VIRTUAL - Reedição

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Gravura de Pieter Bruegel (o velho) * PENDE DO MEU ANZOL UM PEIXE VIRTUAL * Amo o azul do mar, o verde da planura E quanto da lonjura alcança o meu olhar: Serei escrava de um lar que no mar se procura Enquanto esta loucura assim me cativar * E, sem me rebelar, nem franca, nem perjura, Ainda que imatura aceito este invulgar Destino de varar um mar que só me augura Os ventos da ventura em que hei-de naufragar... * Ao longe, pedra e cal, brilha um velho farol, Branco como um lençol que foi tecido em sal E se me saio mal porque um raio de sol * Derrete e faz num fole esta rota ideal Na colisão plural dos estros sem controle, Pende, do meu anzol, um peixe virtual! *   Maria João Brito de Sousa 15.06.2020 - 16.09h * Soneto em verso alexandrino com rima duplamente encadeada *  

MAR REDENTOR - Reedição

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Fotografia de Nuno Fontinha * MAR REDENTOR * Só o mar que do mar nunca volta É do rio tanto cais quanto fonte E na onda que em espanto se solta Ergue um muro e também uma ponte * De água azul e de espuma revolta Entre mim e o longínquo horizonte, Essa linha amovível que escolta Cada além que ao meu sonho confronte * Quando a onda nas rochas quebrando Vem dizer-me que o mar ora é brando, Ora em fúrias e raivas se exprime * Digo a medo ou apenas segredo Que deixei de ter medo do medo E que o mar mesmo irado redime. *   Maria João Brito de Sousa 04.06.2021 - 09.40h * ** Soneto em verso eneassilábico

MARAVILHA

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MARAVILHA O meu conceito de... * Porque a realidade maravilha Se se nos abre em todo o seu esplendor, E arrebata, porque em nós fervilha O sangue ardente do pesquisador * Que ao acender a luz que tanto brilha Vai afastando a treva em seu redor, Assumo-me inteirinha enquanto filha, Não de quanto sonhei, mas do que for! * Sempre que isso acontece e me arrebata Dá-me, da maravilha, a forma exacta E aponta-me o caminho da verdade * Mas, se um segundo o esqueço, um lapso imenso Conduz-me ao limbo róseo mas pretenso De quem despreza a própria identidade *   Maria João Brito de Sousa 29.05.2018 – 10.41h *** Soneto ligeiramente reformulado

GENETICAMENTE INSPIRADO

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GENETICAMENTE INSPIRADO * Vou pincelando, a ocres e vermelhos, Este soneto oval que me fascina E engano os meus anseios de menina Numa ressurreição de cacos velhos * Desminto a evidência dos espelhos! Deste enlevo renasço, pequenina, Crescem-me asinhas de feição divina E fico invulnerável a conselhos * Pois moldo, pinto, engendro a "obra-prima" Que vou solicitando aos meus sentidos Sem que jamais me sinta arrependida * E, a cada segundo, o que me anima É toda a profusão de coloridos Que há nesta sensação de criar vida! *   Maria João Brito de Sousa 31.01.2008 - 10.15h *** In Poeta Porque Deus Quer Autores Editora, 2009 ***

DESOBEDIÊNCIA

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DESOBEDIÊNCIA * Se se me impõe escrever, mais do que respirar e se o não consumar me faz adoecer Sem chegar a saber se me posso curar Da dor de me calar, do mal de não esquecer * Venha quanto vier, tudo irei registar Nas noites de luar, se acaso me aprouver, Ou, se escolher puder, sob o sol de rachar Das ondas do meu mar quando a maré crescer * Mas se a lua nascer e o manto lunar Vier aconchegar o meu adormecer, Vou desobedecer só pra contrariar * Morfeu que vem espreitar meu sono de mulher... Hoje, Morfeu, vou ser capaz de te ensinar, Poder-me-ás calar, mas só quando eu quiser! *   Maria João Brito de Sousa 08.06.2020- 12.26h * (Soneto em verso alexandrino)

O HOMEM NÃO PENSA NO MEIO AMBIENTE - Custódio Montes e Mª João Brito de Sousa

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O HOMEM NÃO PENSA NO MEIO AMBIENTE * Coroa de Sonetos Custódio Montes e Mª João Brito de Sousa * 1. * O homem não pensa no meio ambiente Anda tresloucado vive a vida a sós Não faz como outrora, como seus avós Que no seu conjunto era diferente * Cuidavam dos corgos da água corrente Que corria calma depressa ou veloz Sem poluição até chegar à foz Clara e cristalina a brotar da nascente * No solo havia plantas a crescer Nas suas entranhas lesmas, minerais Lobos e doninhas cobras a correr * A ecologia flores animais O homem vivia sem os ofender Que os actos de agora sejam tais e quais * Custódio Montes 5.6.2023 *** 2. * "Que os actos de agora sejam tais e quais" Mas como se agora se apela ao consumo E se é impossível mudarmos de rumo Porque todos qu`remos ter mais, mais e mais? * Se nesta "aventura", sendo racionais, Da Terra bebemos o sangue e o sumo Esquecendo, o sistema, que vamos a prumo Mordendo o anzol, porque somos mortais... * No fundo, no fundo, toda esta armad...