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TERCEIRO AUTO RETRATO

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                                                                               Fotografia de Abel Simões * TERCEIRO AUTO-RETRATO * Meu porte de cantiga por cantar, De ideia inacabada e já nascendo Uma outra ideia ainda por esboçar No poema que fui e que vou sendo  *   Castelo de ilusões em tom lunar, Satélite do mundo em que me centro: Se todas as janelas dão pró mar, Todas as portas abrem para dentro! *  Meus olhos, onde a pátina do tempo Tornou mais negro o negro do carvão, Sabem de cor a dor e o sofrimento  * Mas calam, bem calado, o seu talento De verem muito mais que outros verão Quando o olhar vagueia desatento  *   ©Maria João Brito de Sousa   18.02.2008 - 14.10h

TERCEIRO AUTO-RETRATO

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  TERCEIRO AUTO-RETRATO * Nem pudibunda, nem despudorada, nem tudo irá lançar-me em desconcerto e estarei quase sempre equilibrada ainda que lançada em grande aperto. *   Se não segura, fico bem calada, se já segura de estar bem mais perto, é bem possível que não diga nada e para mim (res)guarde o descoberto. *   Tenho bastos defeitos, dos pequenos, mas há quem erre mais por muito menos do que as razões que, a mim, me vão sobrando. *   Não faço fitas nem gestos obscenos, distingo bem os senos dos cossenos;  à tangente me esboço... e vou escapando. *   Maria João Brito de Sousa – 02.09.2018 – 17.37h