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PONTUALMENTE

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A vossa indiferença é tão agreste, Tão gélida, tão falha de calor, Que, por vezes, perfura o que me veste E dói-me muito mais que a própria dor.   Outras vezes, eu cubro-me de escudos, De edredãos ou de mantas bem quentinhas, Afundo-me na terra e ergo muros Pr`abrigar-me de vós, ervas-moirinhas!   Mas por mais que me tape e que me aqueça, No vento frio ecoa uma cantiga Da memória a pregar-me uma partida...   Se vibra o ar num som que me pareça Remoto eco ou coisas muito antigas... Sinto, ao longe, o pulsar das vossas vidas!         Nota - Ainda de "O Livro das Horas Convergentes - Trinta e três sonetos e uma estrada".   Ainda desafios para os amigos no http://premiosemedalhas.blogs.sapo.pt/    

A TAREFA

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          Ali, aonde alcança o imaginário, Sou senhora do tempo vertical. Minha fé, de tão pura e tão leal Lavrou-me neste corpo esse sudário.   Onde os demais alcançam, eu não sou Mais do que um estro breve da loucura... Assim se dita a sorte a quem procura Aquilo que nem César alcançou...   O meu olhar vagueia pelo mundo E ama e sofre e vê e é fecundo... Do alto do meu templo de cristal,   Qual ampulheta que nunca se esgota, Eu sou a desterrada a quem importa A sorte dos que mais lhe fazem mal...     NOTA - Mais um soneto de "O Livro das Horas Convergentes", datado de 07.04.07, com ligeiras modificações para obter a correcção métrica.   NOTA II - À vossa espera, no http://premiosemedalhas.blogs.sapo.pt/ um desafio cansadíssimo, vindo do Free-Stile...