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A mostrar mensagens de abril, 2017

APOGEU POÉTICO AVL- 2 º Lugar

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      APOGEU POÉTICO AVL - Abril, 2017 TEMA - Inocência Segmento - Clássico Patrono: Florbela Espanca Académica: Maria João Brito de Sousa Cadeira: 06 INOCÊNCIA(S) Inocente estará, num tribunal, O réu que é justo, honesto e razoável, De quem não venha ao mundo nenhum mal Porque incapaz de um acto condenável, Mas inocente pode, por igual, Ser quem se mostre grato, terno, amável, Com quem lhe tenha sido desleal, Por não ter entendido algo execrável... Seja ausência de culpa, ou qualidade Comparável à pura ingenuidade, Segundo seja o caso designado, Inocente será quem, sem maldade, Procure, na mentira, uma verdade E julgue, no final, tê-la encontrado... Maria João Brito de Sousa - 08.04.2017 - 10.52h  

CONVERSANDO COM FLORBELA - (Vidas e pontos de vista)

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  A MINHA TRAGÉDIA * Tenho ódio à luz e raiva à claridade Do sol, alegre, quente, na subida Parece que a minh`alma é perseguida Por um carrasco cheio de maldade! * Ó minha vã, inútil mocidade, Trazes-me embriagada, entontecida!... Duns beijos que me deste noutra vida, Trago em meus lábios roxos a saudade!... * Eu não gosto do sol eu tenho medo Que me leiam nos olhos o segredo De não amar ninguém, de ser assim! * Gosto da Noite imensa, triste, preta, Como esta estranha e doida borboleta Que eu sinto sempre a voltejar em mim!... * Florbela Espanca In "Livro de Mágoas"   UM POUCO DE MIM * Eu, em compensação, gosto dos dias, Do Sol, do brando afago de uma brisa, Do meu passo a deixar no chão que pisa Um rasto de pequenas utopias. * Gosto das mil serenas melodias Duma planta que cresce e se enraíza E, tanto quanto sei, não sou juíza, Nem de homens, nem de humanas bizarrias. * Nunca odiei ninguém, mas... raivas, tenho! Há, com efeito, coisas que desdenho Sempre que me pareçam ser n...

MATÉRIA-PRIMA

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  MATÉRIA-PRIMA *     Não são de prata fina, ouro-de-lei, De jade, madre-pérola ou diamante, Mas da lava insurrecta, inquietante, Do verbo em que te deste, em que me dei, *   Os versos, tantos quantos semeei No torrão duma urgência, a cada instante Da premência tão mais desconcertante, Quão mais distante o tempo em que os plantei *   Não colho o verbo frágil, rendilhado, Trágico, maneirista ou delicado: Quero o verbo que assuma o travo puro *   Do fruto firme e doce ao ser trincado, Da terra ao ser rasgada por arado Ou do trigo dourado e já maduro. *     Maria João Brito de Sousa 21.04.3017 -16.35h ***  

LÍQUIDOS CAMINHOS...

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  Ainda que ilusório este meu mar E desmentida a sua força bruta, Tudo faria pr´ó reconquistar, Tudo faria, excepto dar-lhe luta, Pois nunca lhe tentei sequer escapar E toda me fiz mar nesta permuta Dos líquidos caminhos por explorar No mapa desta força que os recruta... Se neste fim-de-Tejo me fiz gente, Ao mesmo fim-de-Tejo entrego a vida Tentando ser-me, ainda, água corrente Que muito embora escassa e poluída, Encara o mar que a espera bem de frente E sempre em frente ruma, decidida. Maria João Brito de Sousa - 20.04.2017 - 12.13h   Tela de Rob Gonçalves   

OUTRAS TEXTURAS...

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  OUTRAS TEXTURAS (da escrita)   A quanto escrevo, devo esta ventura De ter um chão florido no meu peito! Devo-lhe todo o sol de que me enfeito Enquanto sobrevivo à noite escura   E porque a minha mente o não descura, Mal na escrita me espelhe, assim me aceito, Pois nessa posição, com algum jeito, Posso-me ir conferindo outra textura…   Por vezes, na postura reflexiva, Torno-me algo que evoca a coisa viva Que aguarda o seu momento, a sua vez   De ser pura matéria criativa… Mas se isto se mantém, disso me priva, Porquanto me desdobra em mil porquês…     Maria João Brito de Sousa – 14.04.2017 – 16.00h

NUM SONETO...

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    Num soneto poria o que soubesse, Se acaso me coubesse saber mais, Tornando-o num cais que recebesse Ideias que entendesse bem fulcrais. Das guerras virtuais que o mundo tece E entende quem conhece os seus iguais, Saberei pouco mais do que parece No pouco em que fornece alguns sinais. Umas coisas, porém, conheço bem E, a outras, bem melhor do que ninguém, Porque por mim criadas e vividas, Mas se entendidas porque as sinta alguém, Tanto quanto eu as sei saberá quem Sentiu tê-las vivido enquanto lidas... Maria João Brito de Sousa - 03.04.2017 - 14.24h  

SENTIR COMIGO...

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  Foi na lagoa límpida e brilhante Dos teus doirados olhos, companheiro, Que vi passar-se um lustro todo inteiro No reduzido espaço de um instante E foi sentindo o teu sentir constante Que até ao teu momento derradeiro Soube profundamente verdadeiro Esse teu ser que alguém jurou distante... Ninguém sonhou sequer saber-te assim E mais ninguém soube entender-me a mim Como tu me entendeste, velho amigo, Pois não é fácil ser-se, até ao fim, Límpido como um lago de jardim E, nessa limpidez, sentir comigo... Maria João Brito de Sousa - 01.04.2017 -12.32h Ao meu gato, Sigmund Freud  

PARTILHANDO RECEITAS COM MARIA DA ENCARNAÇÃO ALEXANDRE

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  RECEITA PARA UM POEMA   Juntei todas as letras, uma a uma Misturei levemente sem bater Com um pouco de sol e também bruma. Num lugar ermo deixei-as crescer   Ao molde, defumei-o com caruma Nas horas que me deu maior prazer E, suavemente como quem perfuma  A vida com amor, fi-lo nascer   Dispondo cada verso em seu lugar Fui dando pinceladas de luar De modo bem subtil e assaz discreto   Ficou por fim completo com o tema Que lhe deu essa mágica suprema Ao conferir-lhe a forma de soneto     MEA 16/03/2017   ************** A MINHA RECEITA Nasce, por vezes fora de estação, Um verso, o ingrediente principal Que tempero, sem grande contenção, De razão, de emoção, pimenta e sal. Cozinho sem panela de pressão, Pois mais me agrada um prato natural Confeccionado à base de paixão, Do que um "forçado" que me saiba mal... Tem, acima de tudo, de ser são! Se a confecção me sabe a artificial, Desprezo, no final, a refeição, Volto ao fogão, preparo algo opcional, Mais natural, de fácil digest...