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A mostrar mensagens de outubro, 2010

A DISSECAÇÃO

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~   Enquanto, por aqui, for poetando, Disseco isto que sou em mil pedaços E, assim, serei feliz pois, dissecando, Terei sempre ocupados os meus braços     Disseco um pouco mais - reinventando, Por redefinição, estes meus traços - E só muito mais tarde – eu sei lá quando! Partirei à conquista dos espaços…     Por agora, ocupada como estou, Sei lá se sei, sequer, dizer quem sou, Antes de dissecar mais um pouquinho.     Depois descobrirei por onde vou! Esta dissecação mal começou E, em cada descoberta… outro caminho!         Maria João Brito de Sousa   IMAGEM RETIRADA DA INTERNET

SONETO TAPA-BURACOS [por ter-me esquecido da pen com o soneto de hoje...]

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  Dos lapsos de memória que vou tendo Há uns que fazem "mossa" e me colocam Muito mal, nos deveres a que me prendo, E que, a muitos de vós, também vos tocam!   Tudo isto pr`a dizer que me esqueci Da "pen" onde escrevi os meus poemas, Que nem sequer me lembro onde a meti, Nem sei como resolva estes problemas!   Estou cansada demais para ir a casa E por-me a procurar por toda a parte... Cá fica um sonetito "esburacado"   Pr`a que este desconforto que me arrasa Se possa diluir num pouco de "arte" E... perdoem-me a falta de cuidado...       Maria João Brito de Sousa, ao correr das teclas :(  

NEM SÓ DE MIM...

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  Porque nem só de mim te irei falar, Não só do que senti, do que pensei, Te apontarei os raios de luar Nas rimas dos poemas que farei,   Porque talvez – quem sabe? – eu vá rimar Sobre um milhão de coisas que nem sei E chegue, qualquer dia, a dissertar Sobre o que escrevo, além de quanto herdei…   Não leves muito “à letra” o que te diga! Há dias em que acordo e só me intriga A génese da Vida, nas razões   Que levam qualquer gato a nascer gato… (... nesses dias sem medo, nem recato, perco-me inteira em mil divagações…)     Maria João Brito de Sousa - 27.10.2010 - 15.18h

"VIDA LOCA!"

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  Não sei se é qualidade ou se é defeito, Mas quando a louca vida me conquista, - sem ter em conta os meus pontos de vista… - Para roubar-me todo o meu direito À escolha de outro mundo mais perfeito Em que esta minh`alminha um dia invista, Nunca ela me dá aso a que desista Porque é muito real, seu estranho efeito! Qual tronco de pau-santo, assenta praça E pouco importa o que eu lhe diga ou faça Pois “não tuge, nem muge” e não se abala! [já esquecida de mim, mas furiosa, observo-a cada vez mais curiosa, e acabo por render-me e imitá-la…]     Maria João Brito de Sousa

SÁBADO, DOMINGO E SEGUNDA FEIRA XX

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  UM LEITO NA FLORESTA   (Soneto em decassílabo heróico) Nesta quase-cidade adormecida Onde os prédios, de pálpebras cerradas, Choram gatos em cio, cumprindo a vida Junto às ocasionais águas-furtadas,   Mora um estranho silêncio que, à partida, Me embebeda de lua e madrugadas, Mas, depois, me interpela: - “Alma perdida, Porque sonhas Floresta, olhando estradas?   E porque te deténs sobre o cimento Quando um choupo te aguarda e já sedento, Te estende os velhos ramos descarnados?   Porque razão paraste e já não corres? Não saberás que assim que páras, morres, Sem ter`s justificado os passos dados?”   Maria João Brito de Sousa – 22.10.2010 – 19.03h     OS HOMENS QUE PESCAVAM AS MEMÓRIAS DE UM RIO   Os homens que no rio iam pescar, Antevendo as memórias, tinham frio; Varando corpo e alma, um arrepio Quase os impediria de avançar…     Mas nenhum deles pensava em recuar; Ansiavam pelos “peixes” desse rio E os rápidos, rolando ao desafio, Eram fracos demais pr`a derrubar     Essa vontade férr...

O RIGOR COM QUE JULGAS TEUS IGUAIS...

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Eu não te estendo a mão; estendo os poemas Que tu tentas fazer, mas não consegues E digo coisas mil que mal percebes Mas que englobam, também, os teus problemas. Julgas que sou pedinte e sou apenas Quem te vai dando mais do que o que pedes Pois também tu pediste – não o negues! Por horas menos árduas, mais serenas… Sabes lá que trabalhos e que esforços Fazem de mim quem sou, embora tu, Te atrevas a jurar que fazes mais… Mas sei que, lá no fundo, tens remorsos; Revolta-se-te a alma e fica a nu O rigor com que julgas teus iguais…     Maria João Brito de Sousa     NA FOTO - Eu, ao colo da avó Lylice, o avô poeta e a minha mãe, com a Paloma ao colo.

A PRÓXIMA PARAGEM

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  A próxima paragem será minha, Não quero partilhá-la com ninguém… Devolvo à terra o que da terra vem E voo em negras asas de andorinha Se, ao parar, a minha alma se encaminha Para o que, cá na Terra, nunca tem, Eu paro de vontade e vou por bem Aonde me levar essa avezinha… A minha ambiguidade funcional Aponta-me o caminho e, afinal, Ainda tenho tanto pr`a escrever… Talvez seja depois, muito mais tarde, Que me surja a paragem – Deus me guarde! [eu sei lá quanto tempo irei viver!...]     Maria João Brito de Sousa

IDENTIDADE

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  Aonde eu alcançar, haverá mundo, As ondas sonharão, farei poemas E encher-se-á o mar de novas penas Mas não das mil marés de que me inundo! E se acaso avistar, lá bem no fundo, As algas que se agitam, quais melenas, Por elas cantarei as mais pequenas Das rimas singulares em que me afundo… Eu mesma serei água e, a quanto mar Possa sequer pensar em submergir-me, Tentando diluir-me esta vontade, Resguardando o meu estro de luar, Direi ter-lhe entregado, ao diluir-me, Tudo menos tão estranha identidade…   Maria João Brito de Sousa         A nossa pequena Carolina Lucas continua a sua caminhada de recuperação e precisa da nossa ajuda! Vamos visitá-la ao [www.carolinalucas.bazar/com]

PORQUE VIVER É TRANSFORMAR...

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        Deixo-te, mundo meu, a minha vida Igual a muitas outras – tantas mais...- Neste leque de sonhos virtuais Em jeito de quem esteja de partida.     Deixo-te, mundo meu, na despedida, O meu baú de ossadas de ancestrais, E um hino, por amor dos animais, Antes que seja tarde e que eu, rendida,     Não possa mais dizer-te que existi, Que, por motivos que hoje desconheço, Morri qu`rendo deixar-te o que deixei,   Por isso, mundo meu, te deixo aqui O que me fez pagar tão caro, em preço, Quanto ao ser-me legado eu transformei.         Maria João Brito de Sousa – 16.10.2010 – 16.20h  

PEDIDO DE DESCULPAS

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  Peço desculpa. Prometi um soneto para hoje  - tenho vindo a prometê-lo ao longo das respostas que dei aos vossos comentários - e esqueci-me de o guardar na pen. Esqueci-me mesmo! Algumas das fotografias de que falei, foram guardadas e, como tal, irei publicá-las no meu álbum do Sapo. Para quem tenha alguma curiosidade em vê-las, bastará fazer um duplo clique nessa minha fotografia que já tem cinquenta e sete anos de idade :)   Descobri, no entanto, um poema que penso ainda não ter publicado, mas que formalmente se adequa ao http://liberdadespoeticas.blogs.sapo.pt/   Mais uma vez apresento o meu pedido de desculpas. Noutras circunstâncias, iria até casa fazer a transferência do soneto para a pen, mas estou demasiado cansada para o fazer.

ONDE EU NÃO PUDER ESTAR...

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    Onde eu não puder estar, estará, de mim, O meu sonho ancestral, sem dimensão, De quem se quer Poeta até ao fim, De quem nunca terá outra ambição   E, haja, ou não, mil flores no meu jardim, Receba, ou não receba, uma atenção, Bendito seja quem me fez assim E quem me deu a escrita por missão.   Virão mais tempestades! Calarei Por dias, ou semanas, minha voz E todas as palavras que, negadas,   Ainda assim serão, porque as cantei, Um rio que, ao desaguar, encontra a foz Do mar das que por outros são cantadas...       Maria João Brito de Sousa - 13.10.2010 - 12.45h

UM DOS MEUS MELHORES AMIGOS [na foto]

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        Quem foi que disse que entre o génio e o ser humano comum havia uma diferença maior do que entre o símio e o ser humano... comum? Não consigo recordar o autor desta citação, mas não tenho a menor dúvida de que é uma realidade indesmentível :)

UM POST CHEIO DE SENSATEZ E BOAS INTENÇÕES...

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  Sempre houve em mim um sossego muito desassossegado.  Nesta fotografia tinha 19 anos. Na do Layout do blog, 4 e, se se quiserem dar ao trabalho de clicar numa das imagens e entrar no meu álbum do Sapo - eu já vos disse que gosto imenso de sapos? - verão que o olhar é o mesmo, dos 4 aos 57. .. e vem este olhar, sossegadamente desassossegado,a propósito de uma certa "aflição" que se me vem a infiltrar nos ossos há uns largos tempos; o Poetaporkedeusker precisa, urgentemente, de ser reformulado. Não mudarei o template - penso eu... - nem irei alterar os objectivos deste "livro" virtual, mas há, por aí, sonetos com erros de toda a espécie e eu preciso mesmo de remendá-los, sob pena de ficar com reumatismo emocional e vir a "auto punir-me " por adicionar tanto lixo linguístico a uma mais do que poluída blogosfera... nasci ecologista e assim morrerei, aplicando os princípios tanto ao chão que piso quanto à superfície onde escrevo... seja, ou não seja real e mu...

A VULNERÁVEL

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      Foi por rumos negados que abraçou As sobras do que a Vida lhe negava E quando descobriu que se enganou Foi só por não saber do que gostava Mas escolheu contudo e, se o negou, Decerto terá sido por ser escrava Do medo que esse rumo lhe apontou Nos sonhos de luar que então sonhava...   Perdeu-se muito cedo e nunca soube Que pedaço de mundo ali lhe coube, Que absurda decepção em si crescera   Morreu muito mais cedo que o expectável E, quando recordada, é vulnerável À expressão mais banal, menos sincera...       Maria João Brito de Sousa - 07.10.2010 - 14.34h   Imagem - A Cigana das Sinas - Stuart Carvalhais

A IDEALISTA

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  Munida de ideiais republicanos, Lá vim, a navegar pl`a vida fora E consegui, ao fim de tantos anos, Fazer aquilo que aqui faço, agora… Não há, na minha luta, desenganos! -surgissem eles e eu ir-me-ia embora- Já me causou a vida tantos danos E eu continuo, ainda, lutadora… Passam dificuldades, alegrias, Horas de acreditar ou de ter medo Mas sempre trabalhando e produzindo Passam as horas, passam muitos dias… Eu posso até ser louca, mas não cedo E sei que este meu rasto é sempre infindo…   Maria João Brito de Sousa – 06.10.2010 – 16.23h

SÁBADO, DOMINGO E SEGUNDA FEIRA XX

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    A GESTAÇÃO DA NORMA     Escreve-me uma cartinha pessoal - meia dúzia de linhas bastarão - E eu talvez te escreva uma outra igual. [ou talvez, afinal, não escreva, não…]     Possivelmente irás levar-me a mal, Mas, quase nunca tenho um só tostão E essa situação é tão normal Que nem lhe presto já muita atenção…   Só quero que, no fim, te identifiques E, sabendo que eu sou muito esquecida, Te tornes bem preciso e que me indiques     Referências no espaço, tempo e forma, Ou responder-te-ei estando perdida… [é que esta recorrência gera a norma!]         Maria João Brito de Sousa       IMPONDERÁVEIS...               Com quanta imponderável descobrires E quanta calma, em ti, possas achar, Acabarás por ter quanto pedires Para reconstruíres esse teu lar     Mas se, acaso, outra vez, tu me mentires, Me tentares – como tentas – enganar, Melhor teria sido nem sentires Que haveria uma forma de mudar.     Não te posso ajudar, sabe-lo bem. Eu vivo no limite o dia-a-dia [tantas vezes além do que é ...

VELHOS DOCUMENTOS

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VELHOS DOCUMENTOS (A um postal da Andrée Crabbé Rocha) * Pr`além das minhas horas de mortal, Na esquina fronteiriça e clandestina Do que vos pode parecer normal, Encontro quem, sorrindo, se aproxima, * Quem, ao chamar por mim, me não quer mal Mas, nunca o entendendo, então assina Um velho documento ou um postal Que me transporta aos tempos de menina * Então desato as minhas negras tranças E, deslumbrada, deixo-me levar Por todas as palavras ali escritas * Poeta de cantar canções tão mansas Como o são as cantigas de embalar Ora inaudíveis, ora já prescritas *   Maria João Brito de Sousa - 01.10.2010 *   "C`est surtout sur les choses que l`on ne peut ni voir ni toucher qu`il est important de se tenir en garde contre les écarts de l`imagination"   CONFUCIUS