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GLOSANDO FLORBELA ESPANCA (6)

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  TARDE NO MAR A tarde é de oiro rútilo: esbraseia, O horizonte: um cacto purpurino. E a vaga esbelta que palpita e ondeia, Com uma frágil graça de menino, Poisa o manto de arminho na areia E lá vai, e lá segue ao seu destino! E o sol, nas casas brancas que incendeia, Desenha mãos sangrentas de assassino! Que linda tarde aberta sobre o mar! Vai deitando do céu molhos de rosas Que Apolo se entretém a desfolhar... E, sobre mim, em gestos palpitantes, As tuas mãos morenas, milagrosas, São as asas do sol, agonizantes... Florbela Espanca, in "Charneca em Flor" TARDE NO MAR "A tarde é de oiro rútilo; esbraseia," O céu, qual mão pesada em gesto irado, Emana tal calor que quase ateia Mil chamas sobre o chão já castigado... "Poisa o manto de arminho na areia" E abrasa mais, julgando ter poupado A terra, o mar e tudo o que o rodeia, Pois mais parece ter-se incendiado... "Que linda tarde aberta sobre o mar!" Mas... quem te soube ler, não acredita Em descriç...