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A mostrar mensagens de março, 2025

JACARANDÁ

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Imagem gerada pelo ChatGPT *  JACARANDÁ * Dizem-me alguns que a minha cabeleira está azul como o céu e como o mar mas eu lanço sobre ela o meu olhar e só vejo o lilás cobri-la inteira... * Ah, não, não sou vaidosa nem faceira mas esta cor que sei ser invulgar na minha cabeleira irá ficar: Apraz-me tê-la aqui por companheira * E já que o belo negro original deu lugar ao cinzento indefinido que amarelava e me ficava mal * Decidi variar e tendo obtido este belo violeta ornamental, fico do tom que foi por mim escolhido! *   Mª João Brito de Sousa 31.03.2025 - 00.20h ***    

DA QUÍMICA DO SENTIR

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Imagem gerada pelo ChatGPT * DA QUÍMICA DO SENTIR * Sublimação * Só quero que me digas a verdade: Se te pesar demais manda-me embora Amanhã ou depois ou mesmo agora Enquanto entre nós dura esta amizade * Que não tem prazo algum de validade E sempre foi, pra nós, compensadora... Diz-me então se é chegada, ou não, a hora De ir-me embora e deixar-te em liberdade * Em redor da mulher que assim falava Ergueu-se, de repente, uma montanha, De silêncio profundo, assustador * Esfuma-se o espelho em qu`ela se mirava Mal ela o interpela e, coisa estranha, Sublimam-se ela, o vate e o narrador... * Mª João Brito de Sousa 30.03.2025 - 13.20h ***    

MEMÓRIAS DE ABRIL

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Imagem gerada pelo Chat GPT a partir da leitura/processamento do poema * MEMÓRIAS DE ABRIL * Soneto de Coda * No tempo em que se abriram tantas portas Que os muros vacilaram e tombaram, Fomos os alquimistas que assomaram Do que antes fervilhava nas retortas *   Recolhemos do chão as folhas mortas Dos medos que secaram e murcharam E plantámos ideias que vingaram Enchendo de esperança as nossas hortas * Fomos meninos que, de extasiados, Acreditámos ter na nossa mão A força dos antigos condenados * Que em tempos libertámos da prisão... Hoje, meninos velhos e cansados, Perdemos o vigor, nunca a paixão * Que outrora nos tornou, da Paz, soldados E op`rários em perfeita construção *: Mortos, talvez, mas nunca derrotados! *   Mª João Brito de Sousa 29.01.2025 - 14.00h *** * Referência ao poema O OPERÁRIO EM CONSTRUÇÃO de Vinicius de Moraes

CARNE PARA CANHÃO

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Imagem gerada pelo ChatGPT * CARNE PARA CANHÃO * Não me fales de jovens sorridentes Que eu sei que as suas covas vais cavando Para quando, por ti, forem tombando Sem vida, trucidados, inocentes * Não me fales de heróis nem de valentes Quando acabo de vê-los soluçando, Esses a quem dás ordens de comando E que irão preencher todas as frentes * Não tentes desmentir-me! Não me iludas Nem me venhas beijar como fez Judas, Que eu sei que o que te move é a traição * E que os que agora juras proteger São só alvos prá bala que vier, Nada mais do que carne pra canhão! *   Mª João Brito de Sousa 28.03.2025 - 13.30h ***    

CAMINHADA - Custódio Montes e Mª João Brito de Sousa

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Imagem Pinterest * Por aqui, se faz favor

GUERRA JUSTA

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Imagem Pinterest *   Aqui, por favor

PEDIR UM DOM

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Mistral, fotografada por Adriana Godinho * PEDIR UM DOM * Se eu pudesse pedir um dom qualquer, Um dom como o de Midas, mas melhor, Um que em vez de ganância usasse amor Desse que nunca quis enriquecer * Eu pediria o dom de inteiro encher De ampolas de Insulina um contentor Maior do que esta sala, bem maior, Ao qual possa aceder quando quiser * É que a minha Mistral dela precisa Para sobreviver no dia a dia E é muito alta a dose que requer * Se peço um dom, não sendo Pitonisa, É porque, assim, eu sei que venceria O medo que hoje sinto de a perder * Mª João Brito de Sousa 25.03.2025 ***        

ABRIL, CAMÕES E EU NO SALÃO DO CCD 477

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À INICIATIVA DA ASSOCIAÇÃO "DESENHANDO SONHOS" QUE, NO DIA 21, NOS UNIU NO SALÃO DO CCD EM OEIRAS *** Fomos poucos, mas tantos nesse dia Em que Abrii renasceu no nosso canto Que julguei ver crescer cravos de espanto No pequeno salão que me acolhia * A chuva intensa e o vento que zunia Silenciaram quase por encanto E veio-nos cobrir o mesmo manto Que há tantos anos tanto nos unia * Cinquenta anos passaram mas, em nós, Que vivemos o Abril original, Não esmoreceu ainda a sua voz: * Não esqueceremos, nunca, todo o mal De quem nos condenava ao medo atroz Que então amordaçava Portugal. * Mª João Brito de Sousa 23.03.2025 ***

FOSSE EU SILENE... - Mª João Brito de Sousa e Custódio Montes

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Coroa de Sonetos * M* João Brito de Sousa e Custódio Montes * FOSSE EU SILENE... * 1. * Fosse eu Silene e dar-vos-ia o céu Em troca das palavras que tecestes, Mas sou mulher, mortal de humanas vestes Que nada, mesmo nada tem de seu * Porém, vosso soneto me acendeu As cinzas apagadas... Que fizestes? Que chamas invisíveis acendestes Pra que delas nascesse um verso meu? * Terei de retirar-me. Perdoai Mas sinto que a palavra se me esvai Como uma vela gasta ou posta ao vento * Já vão esfriando as cinzas apagadas E agora temo só ter escrito uns nadas Sem brilho, sem cadência e sem talento. * Mª João Brito de Sousa 15.03.2024 *** 2. * “Sem brilho, sem cadência e sem talento” Escrevo cada vez mais devagar Que falta a professora a ensinar E o ritmo é por isso bem mais lento * Mas mesmo assim escrevo e lá tento Seguir o que aprendi e meditar Afim de ter a guia a acompanhar Lançando poemas meus ao ar, ao vento * E ouvindo a minha mestra no poema Lá vou concluindo eu o teorema Na lógica que ouvi ...