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A mostrar mensagens de dezembro, 2021

POR UM MELHOR 2022!

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POR UM MELHOR 2022! * Rogamos ao Futuro um bom futuro Cansados já do ano que é passado Ao qual pagámos o bem alto juro Do que sonhámos... e nos foi negado * Criámos uma ponte? Um novo muro Nela se ergueu - caminho bloqueado! - E a cada passo dado, o chão, de duro, F`riu-nos de morte assim que foi pisado... * Ainda assim sonhámos e sorrimos, Acreditámos no que nunca vimos E seguimos em frente. É isto, a vida... * Nós, pedacinhos dela, nós, que amamos, Ignoramos as pedras e escalamos Os grandes muros da Razão perdida. *   Mª João Brito de Sousa 31.12.2021 - 19.15h ***

PÁSSARO DE LÍTIO

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PÁSSARO DE LÍTIO * Meu reino por um teste negativo! Soa ao longe este apelo que é pungente De alguém que não conheço e, de repente, Tudo é fugaz, incerto, inconclusivo * Pra mim, que já não saio nem convivo E que não posso ser senão prudente Por força do que o corpo me consente Desde que por inépcia está cativo... * No céu, voa um pardal de asas de lítio Pronto a pousar, ou não, em qualquer sítio Em que descubra verso onde pousar * E brota o verso, a custo, das sementes Duma incerteza que nos cerra os dentes Sobre a paixão que no-los faz rilhar... *   Mª João Brito de Sousa 29.12.2021 - 13.00h ***    

"ANO NOVO, VIDA NOVA!"

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    Brinde  aqui, por favor.  

SEM TÍTULO III

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SEM TÍTULO III * Quando o Verão voltar, se cá estiver, Se me somar ainda aos resistentes E se puder escolher o que escrever Com estas mãos tolhidas e dormentes * Talvez fique melhor e nem sequer Me renda à triste sombra dos ausentes... Vá, coração, não pares de bater Se um pouco mais de vida me consentes! * Mas se o que ora te peço transcender O alcance dos teus frágeis componentes, Descansa, não te irei repreender; * Quem se não verga aos corações ardentes Que nem sequer a morte ousou deter E que tão loucos foram quão valentes? *   Mª João Brito de Sousa 27.12.2021 - 10.30h ***  

MAIS UM NATAL (reedição)

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MAIS UM NATAL * Natal! Como se o Céu pudesse agora Modificar de um sopro a Terra inteira, Reconstruindo o Mundo de maneira A decidir quem nasce e a que hora... *   Como se o Sol, que a todos revigora, Fosse o supremo fim desta canseira E a luz que dele emana a derradeira Tábua de salvação de quem cá mora... * Natal! Como se as águas não jorrassem, Como se as terras virgens não pulsassem Na gestação selvagem dos seus lírios *   Como se as pedras não desmoronassem Nem as chamas acesas se apagassem Geladas nos pavios dos gastos círios. *   Maria João Brito de Sousa * 18.12.2011 – 15.17h ***   Imagem - Tela de Candido Portinari

FELIZ NATAL!

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FELIZ NATAL! * Prometi que olharia este Natal Tal qual via o Natal quando menina... Embora agora assim o não defina, Será na minha infância que, afinal, * Acharei a semente original, O pouco do qual tanto se origina, Longínquo e tão profundo quanto a mina Na qual cresceu a gema do meu sal; * Daí vêm o musgo e a lareira, O conforto que enchia a casa inteira E o forte aroma a seiva e rabanadas... * Hoje, sobra-me a baga de azevinho E um cacto que reluz em cada espinho Pra celebrar os meus pequenos nadas. *   Mª João Brito de Sousa * 23.12.2021 - 12.30h    

SE OS TEUS DEDOS DESENHAM....

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SE OS TEUS DEDOS DESENHAM... * Se os teus dedos desenham sobre a areia O errático esboço de uns anseios Que em gestos vagos, breves devaneios, Pareçam transformar-se numa teia, *   Logo a Musa se chega e regateia E configura, por seus próprios meios, Os traços teus que não lhe sendo alheios Não são exactamente o que ela anseia... *   Poderosa na sua inexistência, Personifica a própria incoerência, Esse não-sei-o-quê que te transcende, * Que se te entrega ou foge sem razões E ora te traz a paz ora os tições De um fogo que te abrasa mal se acende *   Mª João Brito de Sousa 03.11.2021 - 11.30h

SEM TÍTULO II

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SEM TÍTULO II * Inda a serenidade não chegou Ao cais invicto da nossa vontade Nem esta imensa barca se livrou Do torpor abissal da ambiguidade *   Que veio sorrateira e se infiltrou Como se (in)filtra o sol por uma grade Pra subjugar a quantos enganou, Confundida que foi com liberdade... * Mais tarde chegará! Virá de rubro Em braços proletários, como Outubro Floriu em tempos num país distante, * Ou como na tomada da Bastilha Quando a Revolução se fez partilha De uma luta tão justa quão constante. *   Mª João Brito de Sousa * 20.12.2021 - 19.30h ***   Imagem - Mural de Diego Rivera        

LUSO[BRASIL]FONIA, com Baltazar Gonçalves

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Devido a um problema técnico não foi possível seguir com esta emissão do LUSO[BRASIL]FONIA. Em Janeiro, tentaremos de novo cruzar este TANTO MAR ENTRE NÓS... O meu forte abraço ao Baltazar e a todos os que tenham tentado acompanhar esta malograda emissão.

SEM TÍTULO

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SEM TÍTULO * Nossa barca, de sonhos construída, É do mar que retira os alimentos E, mal ou bem, enfrenta os elementos Com que se confrontar. É morte ou vida! * Vogara outrora por ânsias movida De novas terras, glória e condimentos Que o tempo era então tempo de portentos E esta humana nave era aguerrida * Cresceu, porém, a barca. A do presente, Navega noite e dia um mar diferente E já não será glória o que procura, * Que antes avança em busca da Verdade; No bojo leva a própria humanidade E a força que hoje a move é razão pura. *   Mª João Brito de Sousa 16.12.2021 - 10.30h

SONETO INVERTIDO

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  SONETO INVERTIDO (A quatro mãos) * Revolução! Direi a vida inteira! Só pra te ver na luta, na trincheira, Com teus versos em punho, de plantão! * Não para impor qualquer ideologia, Mas pra, também, matar a hipocrisia Que dá vida e nos prende à Tradição! * Jay Wallace Mota - Óbidos, Pará, Brasil * Que sempre que a tristeza nos invade, Nos possamos lembrar que é na mudança Que os povos devem pôr a sua esp`rança, A sua força, a sua identidade * E que há Verdade, ainda que a verdade Use as sujas mordaças da finança Que a desmente sem pejo. Quem avança? "Quem aqui venha pela Humanidade"! * Maria João Brito de Sousa - Oeiras, Lisboa, Portugal 14.12.2021 ***  

FORÇA, MEU CAPITÃO!

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  FORÇA, MEU CAPITÃO! * Coragem, capitão! Há terra à vista! A bombordo, senhor, a vejo agora... Lá estaremos mais hora, menos hora, E um porto vislumbrado é já conquista! * Coragem, capitão! Nunca desista! Já a borrasca amaina e há-de ir embora Sem ter lançado um`alma borda fora Que a mão que o leme firma é mão de artista! *   Vá, capitão, alegre esse semblante Que a barca da esperança ruma avante E os tripulantes cantam no convés. * Força, meu capitão! A terra espera Sem saber se em jangada se em galera Vem quem sobre ela irá pousar os pés! *   Maria João Brito de Sousa - 16.10. 2021 - 19.30h * Ao poeta/sonetista e companheiro de sonetos José Manuel Cabrita Neves

CARTA ABERTA A UMA CAMARADA DISTANTE

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CARTA ABERTA A UMA CAMARADA DISTANTE *   Boas Festas, distante camarada; Embora saiba quanto isto anda mal, Sempre que acendo as luzes de Natal, Da"transgressão" me afasto,"resignada", * Porquanto saboreio a rabanada Sem lembrar que esta gula é transversal À gula consumista, ao capital E aos que vão "tosquiando" a carneirada... * Poucos me entenderão, eu bem o sei, Se eu chamar bolo-operário ao bolo-rei Que no "super" comprei por baixo preço, * Mas por mais que me ofusque a tradição Sempre que oiço gritar Revolução!, Acordo para a luta. E recomeço. *   Mª João Brito de Sousa 13.12.2021 - 11.00h ***   Tela de Cândido Portinari

SOBREVIVENDO ÀS MAZELAS

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Veja  como

"DOU-TE O MOTE, FAZ O VERSO"

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Por  aqui  , faça favor

DO AVESSO

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DO AVESSO ou "Always Bonding" * (Sonetilho) *   Estou do avesso, talvez... Sei lá se avessa de mim, Ou se avessa deste mês Que nunca mais chega ao fim * Reparo, às duas por três, Que estou do avesso, sim, Sem entender os porquês De ter acordado assim * Pois dormira a noite inteira De um sono só, de carreira, Sem imprevistos de monta * Tendo, embora, à cabeceira, Mistral que, farta e lampeira, Ronronara além da conta... *   Mª João Brito de Sousa 10.12.2021 - 10.00h ***

MAL E BEM

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MAL E BEM DOIS CONCEITOS EXCLUSIVAMENTE HUMANOS * Creio ser bem possível que assim seja, Que há quem tire prazer do mal que faz E há quem de tal horror seja capaz Que por mais mal que faça sente inveja * De quem o faça além do que ele almeja E tente ser pior, ser mais sagaz, Mudando o mal em pulsão pertinaz, Fazendo dele um esquema que planeja... * Talvez irracional, talvez demente Seja quem assim faz e pensa e sente, Que o Mal pode também ser coisa abstracta * Associada ao gesto que magoa... Mas, curiosamente, há gente boa Que às vezes não perdoa e também mata. *   Maria João Brito de Sousa 21.10.2021 - 18.40h *   Soneto/resposta ao soneto "O BEM E O MAL" do poeta José Manuel Cabrita Neves. * Trabalho reformulado em relação ao poema original, publicado em comentário na página do poeta no Horizontes da Poesia.  

(E)VOCAÇÃO

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(E)VOCAÇÃO * Retorna, Musa, à tua (in)existência No esconso das entranhas dos poetas; Contorna as curvas, lança-te nas rectas Desta nossa insuspeita coerência * Devolve a pauta viva da fluência Na bússola que aponta as nossas metas, Quando, tangíveis, não forem secretas, Nem mesmo enganadoras na aparência * Faz destas minhas mãos de carne e osso Obreiras desse tanto que não posso Enquanto a tua ausência me escraviza * Mas se em verdade, Musa, não existes, Evoco-te, ó, Razão... Se tu desistes, É a Vontade quem te idealiza! *   Mª João Brito de Sousa 08.12.2021 - 14.00h

"ESTÁ LANÇADA A CONFUSÃO"

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Confira  aqui, por favor.

NOVEMBRO

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NOVEMBRO * Veio cheirando a musgo e cogumelos, Vestido de sienas e cinzentos, Desenhando no céu plúmbeos castelos E trazendo consigo os loucos ventos *   Bem como as grandes chuvas que os sincelos São fruto dos dezembros pardacentos E dos brancos janeiros, quando os gelos Moldam longos, delgados filamentos * Reacendem-se as brasas nas lareiras E cubro-me, eu, de mantas coloridas Que falam dos meus tempos de criança * Num sussurro que cheira a sardinheiras, Se transfigura em rimas incontidas E se esvai feito em cacos de faiança... *   Mª João Brito de Sousa - 30.11.2021 - 10.00h