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A mostrar mensagens de agosto, 2010

INVOCATION À LA SAGESSE

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      O, Sagesse, seule capable de nous guider à travers de la vie! O toi qui enseignes la vertu et qui domptes le vice, que serions-nous sans toi, nous et tous les hommes? C`est toi qui as enfanté les villes, en inspirant aux hommes épars l`amour de la société; c`est toi qui leur as fait rapprocher leurs demeures, contracter des unions saintes, inventer une langue et une écriture comunes. C`est toi qui as dicté les lois, formé les moeurs, civilisé les peuples. Je cherche un asile auprés de toi; j`implore ton secours. Content jusqu`ici de suivre en partie tes leçons, aujourd`hui c`est tout entier que je me donne à toi. Un seul jour passé dans le bien et selon tes préceptes, vaut mieux qu`une immortalité coupable. A quelle puissance aurions nous donc recours plutôt qu`a la tienne, ô toi qui nous donnes la tranquilité de la vie et qui nous ôtes la terreur de la mort?   Cícero, Tusc. 5.2.   L`ARBRE ET SON FRUIT     Sois attentif à l`accomplissement de tes oeuvres, jamais à leurs fruits. N...

SÁBADO, DOMINGO E SEGUNDA FEIRA XVII

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  SOZINHO     Falaste-me de ti e eu ouvi-te Com a mesma atenção que dispensei Às coisas que mais amo. Então pedi-te De volta esses minutos que te dei     Bem mais do que falar, era um convite Para um sonho comum que eu te entreguei. Seduziste-me assim. Eu seduzi-te Com as verdades – tantas! - que contei.     Falávamos, tão só, de outro Poeta, De alguém que nos fascina e nos deixou U m rasto de palavras e um caminho     Sou apressada, e u sei… a minha meta É agora, é enquanto por cá estou. Mais tarde falarás só tu. Sozinho.       Maria João Brito de Sousa – 28.0.2010 – 13.41h       Posso não estar muito segura da qualidade e da oportunidade daquilo que digo mas estou, sempre, firmemente convicta de que devo dizê-lo.           SHEHERAZADE     Amanhã nascerá a nova história Que, agora, nem sequer vou preparar. Depois, farei bom uso da memória, Do que lhe for capaz de acrescentar,     Pois, se um dia  falhar, vai-se-me a glória Dessa infinita história de encantar E nunca poderei cantar vit...

A CRIAÇÃO DO OÁSIS

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Se tanto me seduzes, mundo meu, Se tanto de quem és, é quem eu sou, Então porque, sonhando, aconteceu Passar por mim o mal que já passou? Pergunto e, respondendo-me - bem sei! -, Observo as brancas ondas do cabelo, Antevejo o que ainda não gastei E vislumbro um lugar muito mais belo… Humano bicho! Herdei aspirações, Perguntas desta humana condição E medos que estou sempre a desmentir! Herdei, do mundo, lagos de paixões E a sua mais subtil contradição; Desertos de areais sempre a florir…     Maria João Brito de Sousa – 26.08.2010 – 18.50h   Imagem roubada da internet

TÃO NATURAL COMO A SUA SEDE...

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  Tão natural, tão surgida do nada, Como nova excrescência do teu ser Surge-te uma vontade inesperada Que não pensas, sequer, em descrever… Tão premente qual meta inalcançada E urgente no chegar e no nascer, Tão natural como uma gargalhada Que, de súbito, em ti, queira irromper, Renova-se o poema, esse imparável No instante preciso em que o não esperas Mas que de forma alguma irás negar. Assim se te apresenta; invulnerável, E capaz de vencer quantas quimeras O mundo em tuas mãos  tente deixar…   Maria João Brito de Sousa 18.08.2010 – 22.28h     Dizia Louis Pasteur; "Ayez le culte de l`esprit critique"

NO LIMITE

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  Eu, por coisa nenhuma sairia Deste espaço real, deste aconchego! Nem ser que fosse humano o pediria A quem da poesia fez emprego…   Mas, pensando melhor, quem saberia Segredos que não conto – mas não nego! – Sobre o que mais me importa? Poderia Haver alguém assim, tão cru, tão cego?   E fico a matutar nesta questão, Entre crer e não crer nessa cegueira, Sem ter, duma resposta, um só palpite,   Mas, venha quem vier, digo que não! Respeitem-me se imponho esta fronteira A tudo o que ultrapasse o meu limite...     Maria joão Brito de Sousa - 25.08.2010 - 15.55h       NOTA - Hoje o Poetaporkedeusker está em DESTAQUE no http://silvarosamaria.blogs.sapo.pt/ , o blog da nossa Azoriana!   Um abraço para ela e para a sua lindíssima ilha!

POR TI

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    Por ti não choro, não! Por ti sereno, Redesenho horizontes rasos de água, Reinvento o adeus e quando aceno É só para afastar-me de outra mágoa. Por ti, mil novas formas de estar viva; Sorrindo, em brincadeiras infantis, E agradecendo a Deus pois me não priva De, sendo como sou, ser tão feliz… Por ti – nem sei explicar tanta ternura… - Daria quanto dou e, mais ainda, Iria aonde nada nem ninguém Pudesse imaginar vida segura… [mas posso assegurar que nunca finda, este tão estranho amor que nos mantém…]   Maria João Brito de Sousa – 24.08.2010 – 09.56h

PLANETA TERRA

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  Eis o velho planeta que habitamos, Redondinho, a girar qual carrossel, E nós, feitos bonecos de papel, Tentando acreditar sermos seus amos…     Em verdade, porém, do que lhe damos, Está-se ele a ressentir… damos-lhe fel E sentimos, depois, na própria pele O muito – tanto… - mal que lhe causamos.     É um pontinho azul no céu estrelado Que, em tempos, também foi desabitado E que, agora, está vivo e nos abriga;     Tem cuidado com ele - muito cuidado!-, Porque, por vezes, fica tão zangado Que nos descobre a falta e nos castiga!         Maria João Brito de Sousa – 23.08.2010 – 14.33h     IMAGEM RETIRADA DA INTERNET

HOJE ESTOU DE FÉRIAS...

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  Não estou no meu melhor... neste preciso momento estou cheia de cólicas e não me está a ser muito fácil estar aqui. Comecei a sentir-me mais cansada na sexta feira passada e, hoje, as coisas "entortaram" de vez. Não há soneto clássico em decassílabo heróico. Nem sequer um desses ligeiramente "martelados", à semelhança dos de Camões. No entanto, uma vez que reflecti um pouco sobre situações que envolvem terceira pessoa e que de forma alguma divulgarei, deixo este comentário, esta frase, esta pontual constatação que, não sendo muito simpática, tem , no entanto, o mérito de ser muito mais verdadeira do que parece;   As sociedades, no geral, e as pessoas, em particular, têm o péssimo hábito de se “esmifrarem” para conseguir coisas mirabolantes que parecem funcionar, apenas, nas telenovelas*. A dignidade do ser humano – sim, o ser humano também tem dignidade – passa-lhes completamente ao lado. Eu, por exemplo, jamais seria capaz de fazer certo tipo de coisas. Mas isso ...

TELA III

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  Será por mim, jamais por quem não sinto, Nem senti, nunca, sombra de empatia, Que encaixo as pontas soltas deste instinto Que transporta a palavra à melodia, Mas sois muito bem-vindos ao recinto Que engloba este universo e gostaria De abraçar-vos na cor de quanto eu pinto Sobre o branco que a tela me of`recia... Bem-vindos sede, pois, à fome, à sede, E à chama deste fogo insaciável Que me vai consumindo, como vela, Em função do poema, numa rede Que é palco do projecto inalcançável De quem lavra, em soneto, a branca tela...     Maria João Brito de Sousa - 19.08.2010 - 13.30h   Nota - Soneto reformulado a 07.09.2015    

SEM DÚVIDA!

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  Sem dúvida! Ela é sempre imprevisível, Caminhando ao sabor do que há-de vir E, a cada dia, menos concebível, Nunca dando a saber se irá surgir… Sem dúvida nenhuma! É impossível Encontrar quem te possa garantir Que é Arte o que tu fazes mas… terrível, Seria sufocá-la … e não sentir! Talvez morresses mesmo… ou não morresses! Sem dúvida, seria insuportável Renunciar a tudo aquilo que és Se, imprevisivelmente, renascesses, E tudo te parecesse intolerável Excepto esse dom de ser como as marés…     Maria João Brito de Sousa – 18.08.2010 – 19.19h   NOTA - Peço desculpa pelo erro na frase que serve de título e legenda à imagem desta minha tela. Deverá ler-se LA FEMME QUI PEINT L`ENFANT ETERNEL  

QUANDO EU MORRI

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  Quando eu morri, voltei para entender-me Com as coisas que a vida me negara E, talvez, para, enfim, reconhecer-me, Redescobrir, num rosto, a minha cara… Não me sabia nesse anteceder-me À noite, sendo ainda manhã clara E quando a madrugada veio ver-me Encontrou este pouco que sobrara… Mas, quando morri mesmo e percorri A estrada que se julga ser final E, depois fiz, inverso, esse caminho... Não sei por que razão me decidi A este recomeço vertical Do mundo acidental do que adivinho!     Maria João Brito de Sousa

CONVERSAS DE MÃE PARA FILHO

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  Correste encosta abaixo e não paraste Senão quando chegaste à beira mar; Decerto te esqueceste de abrandar E na espuma das ondas mergulhaste… Ainda me recordo que choraste Quando sentiste a rocha a penetrar Tua fronte molhada, a gotejar Da mesma espuma em que te aventuraste… Recordo um outro dia, há tantos anos, Em que sofrendo muito poucos danos Me vieste, a correr, pedir miminhos Mostrando uma equimose que ficou E, a seguir, - a dor logo passou! - Cobri-te o rosto inteiro de beijinhos…         Maria João Brito de Sousa           Li estas palavras de alguém que não consigo evocar com exactidão. Penso que terá sido Jorge de Sena;   "Um dia aprenderemos a libertar-nos da morte, morrendo contudo..."  

HOJE NÃO HÁ SONETOS!

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  Hoje não há sonetos. Tenho dito! Passei a tarde inteira a trabalhar, Dói-me muito a cabeça e acredito Que ela me vai, decerto, rebentar! O livro há-de sair. Está bem bonito E até eu começo a acreditar Que o esforço vale a pena e foi bendito Cada instante que nele pude empregar… Pequenas Utopias… tão pequenas E tão grandes…[ que eu sei que trabalhei mais, nelas, do que um escravo nas galés!] Mas estas, como utópicas melenas, São as que fiz de mim, que em mim criei, Como este infindo mar de outras marés…     Mara João Brito de Sousa – 15.08.2010 – 21.41h       Disseram-me, em 2007, que o soneto clássico "já não se usa"... Ainda hoje me rio disso... dizer que o soneto não se usa é o mesmo que dizer que H. Bosch, Shakespeare e Mozart não estão "na moda"!

ENQUANTO A MINHA TERRA VAI ARDENDO...

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  (Soneto em decassílabo heróico)   Enquanto a minha terra se incendeia, Outro enlutado céu se vai doirando E, à pressa, se evacua uma outra aldeia De que se vai o fogo aproximando,     Surge, em mim, de repente, estoutra ideia E, sem me arrepender, vou escrevinhando Que, na terra que as chamas vão lavrando Em mim, é outro o fogo que se ateia     E, sem remorso algum - porque inocente… -, A pequenina chama dos poemas Já lavra no meu peito e vou escrevendo…     Não me apodem, contudo, de indiferente! Apenas vou cantando os meus problemas, Enquanto a minha terra vai ardendo…       Maria João Brito de Sousa – 12.08.2010 -22.07h         À Zilda Cardoso e ao Artesão Ocioso que, esta tarde, me fizeram reflectir, mais longamente, sobre o sentido do conceito de culpabilização.   Ao Verão escaldante da minha pobre terra.     Imagem retirada da internet    

FALA-ME DE TI...

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  Vem falar-me de ti, faz-me o favor! Ouviste bem, não estou a “judiar-te”, Pois olhando-te eu sei, conquistador, Que seria imprudente não falar-te… Portanto, conta lá – se és falador… – Que eu juro nunca ousar contrariar-te! Fala-me, um pouco só, desse temor Que posso pressentir, tão só de olhar-te. Eu sei que este convite inusitado Te pode parecer disparatado, Que é provável que tu me não respondas, Mas, só pr`a não ficar sem dizer nada, Convido e fico à espera, bem calada, Que me fales de ti, que te não escondas…     Maria João Brito de Sousa       COSTUMO DIZER, EU :) - Quando era criança pensava que poderia mudar o mundo. Hoje tenho a certeza absoluta que nenhum de nós poderia deixar de o fazer, por muito que tentasse.  

A SIBILINHA

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    Olhei-te sem te olhar. Tu balançavas As longas pernas sobre o velho muro E, contemplando as nuvens, gargalhavas Enquanto o dia se ia pondo escuro. Depois veio o trovão, como esperavas, - porque tu conhecias o futuro! – E as águas dos céus, que comandavas, Jorraram sobre ti, de modo impuro… Assim te vi, assim te descrevi. Talvez existas num qualquer lugar, Talvez sejas tão só uma invenção, Mas, existas ou não, já percebi Que, a mim, só me interessava mergulhar Na tua incomparável solidão…     Maria João Brito de Sousa – 10.08.2010 – 23.51h       IMAGEM RETIRADA DA INTERNET

DÓI-ME O PLANETA...

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  Não dói só o país… dói-me o planeta! Dói-me a Terra inteirinha; em baixo, em cima… Enfoco os pormenores, torno-me esteta, Como se a Terra fosse uma menina… Eu, lobo solitário, eu feita asceta, Profunda como os túneis de uma mina, Afirmo-me magoada e grito, erecta, A dor imensa desta absurda sina. Doem-me os rios, os mares, os continentes… Dói-me, por toda a parte, o mundo inteiro E a chuva que em mim cai é como o lodo Que já não é só água, ó indiferentes! Vem ácida, cinzenta e tem mau cheiro A chuva que me banha o corpo todo…   Maria João Brito de Sousa – 10.08.2010 -01.37h     Costumo dizer, eu; "A arte é a única forma de obsessão que é saudável e desejável. Se não for obsessão... tenham paciência; não é Arte!"

SÁBADO, DOMINGO E SEGUNDA FEIRA XVI

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UM BEIJO POR UMA HISTÓRIA     Fecha-me os olhos,” finta-me” a vontade [ele há lá beijo que ousasse esquecer-me…] E garante, depois, que foi verdade O que mais tarde irá acontecer-me. Não venhas desmentir-me; isto é saudade Pois se o não fosse… como conhecer-me? Nestas coisas do sonho, sem maldade, Que a noite vem, por vezes, conceder-me, Existe um quase-nada que fascina E a dúvida, se existe, é dissipada Por mil estranhos conluios da memória Pois foi há tanto tempo… era eu menina E mesmo não sabendo quase nada Fazia, já, do sonho a minha história…     Maria João Brito de Sousa -08.08.2010 – 18.14h     UM MOMENTO DE PAUSA     Foi nas margens de um lago virtual Onde, às duas por três, quis descansar Que encontrei um estranhíssimo animal Que por ali andava a vaguear… Não podendo inseri-lo no normal, Arquivei-o na pasta de “Invulgar” E, sem que eu lhe fizesse nenhum mal, Acabou, afinal, por “pôr-se a andar”… Não se sabe o que pode acontecer Quando um estranho animal nos desafia, Desm...

À BLUSA QUE ME OFERECERAM E QUE EU VESTI SEM SABER QUE ERA TRANSPARENTE

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  Não fora eu distraída como sou E não teria rido como ri, Por isso, antes nem ver como ficou A blusa transparente que vesti… Pode ser criancice, mas estou Ridícula… e não me arrependi E se houve alguém que viu e não gostou, Paciência! Só depois é que eu me vi… Com tanto acto-falhado e tanta asneira A vida até parece brincadeira E muito raras vezes me arrependo, Pois, sabendo aceitar a maluqueira, Podemos rir-nos sempre, a vida inteira [assim, amigos meus, se vai vivendo…]     Maria João Brito de Sousa

A PARTILHA

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  Quando um novo horizonte me chamava Era nas coisas – todas! – que  sentia, Que voava pr`a  ele, nele aterrava, E que, depois, na volta, em mim trazia,   Pois sempre alcancei quanto desejava E soube que jamais me afastaria Daquelas – tantas... - coisas que encontrava Nesse mundo longínquo que antevia.   Aonde quer que os olhos me levassem, Desse pouco de mim que semeassem, Brotava, de repente, uma outra ilha…   Meu corpo era fronteira, era embalagem, E a ilha encantada era a voragem Que a mim me devorava. Era a partilha.       Maria João Brito de Sousa – 04.08.2010 – 19.05h  

A VELHA MORADIA DO DAFUNDO

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Aquela casa velha que sabia Todos os tempos de outro verbo “amar” Era um templo sagrado que se abria De cada vez que a ia visitar…   Havia um areal que se estendia Da orla ribeirinha até ao mar, Que rescendia a vida e maresia Naquele avo de costa por explorar…   Morava Deus, naquela velha casa Por obra de um mistério que defino Como o mais transcendente do meu mundo   Pois despontava-me uma ou outra asa E renascia em mim um Deus Menino, Na velha moradia do Dafundo…       Maria João Brito de Sousa        

"MUDASTI?" ou O ESTRANHO FENÓMENO DO "INCHAÇO" TELE-INDUZIDO

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  Fui ver-me em televisão E não me reconheci; “- Mas que grande confusão! Quem será aquela, ali?” Só a voz me elucidou, Pois reconheci-me nela, Porque o resto “levedou” Como massa na tigela… Quem poderia jurar Que aquele “ mostrengo” era eu? Mas terei de confirmar Que o discurso, esse, era meu! Àqueles que já me conhecem Nem sei como esclarecer Pois todos eles me merecem O que agora vou dizer; Não sei o que se passou, Nem sequer sei a razão Porque a minha cara inchou Como se fosse um balão… Até rugas me nasceram Onde agora a pele é lisa! Que mistérios me trouxeram, Do tempo, tanta divisa? Parecia um bicho disforme E nem queria acreditar Que aquela mulher enorme Fosse “eu”, ali, a falar! Dizem que cinco quilinhos Podem ser acrescentados, Mas bem vi que os danadinhos São cinquenta… e bem pesados!   Maria João Brito de Sousa – [em estado de choque depois de me ter visto na televisão… 02.08.2010]      

SÁBADO, DOMINGO E SEGUNDA FEIRA XV

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  FERRUGEM     Era uma vez um cão, simples rafeiro, Que foi mais do que um príncipe encantado, Que foi meu guardião, a tempo inteiro, Que viveu, dia e noite, a nosso lado. Um cão de carne e osso, verdadeiro, Capaz de obedecer sem ser mandado, Capaz de, abocanhando, ser certeiro E entregar-me o que fora abocanhado… Ferrugem, de seu nome, um simples cão De pelo raso e de porte altaneiro, Meu conselheiro- o melhor que já tive…- Dos muitos que me lêem, quais serão Capazes de entregar-me – sem dinheiro… -, De forma tão total, quanto em si vive?   Maria João Brito de Sousa – 31.07.2010 – 17.33h       SENHOR DO MEU LUAR     Encontrei-te, senhor do meu luar, Depois de uma tragédia, sob escombros, Depois deste naufrágio do meu mar, Depois desta invenção dos desassombros. Cerquei-te, meu senhor, do meu cantar, Tomei as tuas mágoas sobre os ombros E tudo o que pedi foi um lugar Que albergasse a razão de tais assombros, Mas tu, senhor das luas que eu alcanço, Deixaste, por momentos, que eu e...