FRÁGIL SERIA O FRUTO E FRACO, O CHÃO * Quero-te, solidão, mais do que ao mar E mais do que ao vulcão que trago aceso Nas mil e uma noites sem luar Dos dias em que o sol se compra a peso. * Do tanto que te quero e sei mostrar, Do muito que te anseio, adubo e prezo, Fico, de corpo e alma, a levedar A massa do meu pão posto em defeso. * Porque és amante que poucos entendem E mãe dos versos que me surpreendem No ventre do silêncio, ó solidão, * Se não fora por ti, fermento vivo Do verso-pão que como e que cultivo, Frágil seria o fruto e fraco, o chão. * Maria João Brito de Sousa – 19.06.2019- 12.38h