SONETO A UM NOVO/ANTIGO SONHO
(Em decassílabo heróico) Eu trago um sonho antigo, omnipresente, Como um grito vermelho no meu peito Erguido contra a voz, que nunca aceito, De quem a torna infame ou prepotente! Mais alto elevo o sonho transparente, Mais longe o levo intacto e sem defeito, E é com el` que partilho o duro leito Que cabe a quem não sonha impunemente. Razões? Há tantas mil pr`a tê-lo aceso E tantas mais crescendo, a dar-lhes peso, Se ousamos ver a crua realidade De quem já descobriu, mesmo indefeso, Que um sonho, se for livre, é morto ou preso Tão só porque evocava a liberdade! Maria João Brito de Sousa – 04.01.2014 – 18.16h Reprodução de uma tela de Júlio (nome artístico de Júlio dos Reis Pereira, irmão de José Régio)