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O FILHO DO HOMEM

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      110x85cm    PRESÉPIO *      É por dentro de mim que chego a Deus, É por dentro de mim, eu sei-o bem, Que todos os natais vou pelos céus Visitar o Menino de Belém.     Nunca o disse a ninguém, pois há segredos Que devemos guardar dentro de nós E há sempre quem duvide, ou tenha medo, De uma mulher com asas de albatroz,     Mas da estranha viagem, que só faço Se a estrela de Belém me der boleia, Fica o registo, do divino traço:     Nascem raios de luz no meu regaço E há anjos a cantar a noite inteira Ao menino que dorme nos meus braços.  *     Maria João Brito de Sousa - 20.01.2008    

SÁBADO, DOMINGO, SEGUNDA E TERÇA FEIRA

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    A  ILHA  III       Disseste que estou só e quero crer Que acreditas que sim… que absurda ideia! A minha solidão está sempre cheia De mundos que nem podes conceber!     A solidão só vem quando eu quiser E há coisas como grãos de fina areia Habitando este mar que me rodeia, Nas ondas das palavras que eu escrever     Podes guardar as penas pr`a depois Porque eu, ilha assumida e povoada, Não quero as tuas penas nem procuro     A solidão da vida feita a dois Tantas vezes pior que não ter nada. É só que nasço e morro, isso to juro!       Maria João Brito de Sousa -02.11.2010 - 10.44h     O FEITIÇO     Por motivos que nem conceberias, Enfeiticei-te a vida e não choraste… Poderia jurar que até gostaste E reparei, mais tarde, que sorrias     Mas, depois da mudança, entenderias. Pensei-o, fi-lo e tu… nem te zangaste! Não sei se o laconismo a que chegaste Te impediu de mostrar quanto sentias,     Ou se sentir, pr`a ti, era uma coisa Que surge como um pássaro que poisa E só muito mais tarde af...

SÁBADO, DOMINGO, SEGUNDA E TERÇA FEIRA

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    A  ILHA  III       Disseste que estou só e quero crer Que acreditas que sim… que absurda ideia! A minha solidão está sempre cheia De mundos que nem podes conceber!     A solidão só vem quando eu quiser E há coisas como grãos de fina areia Habitando este “mar” que me rodeia, Nas ondas das palavras que eu escrever…     Podes guardar as penas pr`a depois Porque eu, ilha assumida e povoada, Não quero as tuas penas nem procuro     A solidão da vida feita a dois Tantas vezes pior que não ter nada... É só que nasço e morro, isso to juro!       Maria João Brito de Sousa -02.11.2010 - 10.44h     O FEITIÇO     Por motivos que nem conceberias, Enfeiticei-te a vida e não choraste… Poderia jurar que até gostaste E reparei, mais tarde, que sorrias…     Mas, depois da mudança, entenderias… Pensei-o, fi-lo e tu… nem te zangaste! Não sei se o laconismo a que chegaste Te impediu de mostrar quanto sentias,     Ou se sentir, pr`a ti, era uma coisa Que surge como um pássaro que poisa E só muito mais ta...

DE OLHOS BAÇOS

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(Soneto em decassílabo heróico) De mim, não esperes “mágicos cansaços”, pois não me sobra tempo prós sentir, nem me urge a languidez, nem sonho abraços e muito menos tento seduzir Algo que não palavras, gestos, traços... A quem mos tente impor sem deduzir que me nascem de dentro e, como laços, me abraçam, por si só, sem me mentir, Falarei dos poemas - nunca escassos... - dos sons, do que me leva a descobrir as melodias, quanto aos seus compassos, E de algo que não posso definir senão voando... E, mesmo de olhos baços, aguardo e fico atenta ao que surgir.   Maria João Brito de Sousa – 26.07.2015 -22.47h

TRÊS SONETOS DE TRAZER POR CASA...

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        O ARROZ MALANDRINHO     Cebola, um grão de sal, folhas de louro, Bem douradinhos num pouco de azeite… Deixa a colher de pau de ser enfeite Pr`a tornar-se, no tacho, o meu tesouro!   Depois trago o arroz, limpo e escolhido, E vou-o alourando na mistura (vai começando a ser uma aventura fazer um arrozinho bem estrugido…)   Deito a água a ferver... alguns minutos, São quanto irá bastar ao meu petisco! Depois é só tapar, manter quentinho,   E, assim que doseados, os  produtos -  muito embora correndo um certo risco -, Servir-vos-ei arroz ... bem  malandrinho!     Maria João Brito de Sousa - 2009     AS ERVILHAS COM OVOS     Hoje vou preparar umas ervilhas Guizadas, com dois ovos bem escalfados, Sem deixar de falar dos mil cuidados Que aqui dedico a estas maravilhas;   Sobre aquilo a que chamo um estrugidinho, Deito as ervilhas, logo as vou mexendo Até que cozam bem, sempre fervendo, Ao ponto de ficar tudo tenrinho,   Depois os ovos, sem esquecer tempero, Pr`a que fique o pitéu mais...

ÀS DUAS POR TRÊS!

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… e, às duas por três, tão de repente Que o próprio coração se lhe abalava, Ouvia-se um trovão e lá brilhava, No estro do Poeta, o verso ardente… Assim nascia cada apelo urgente Que ninguém, senão eu, testemunhava, De cada vez que o verso ribombava Anunciando a vinda da semente… Não houve um só momento, um só segundo, Em que, calando aquele apelo fundo, Lhe não surgisse o Verbo! Uma só vez! Não soube se era, ou não, do nosso mundo Mas, quando ouvir de novo, eu não confundo Aquele clamor do; “Às duas por três!”…           Maria João Brito de Sousa – 19.01.2011 – 21.

A LUA QUE ENTOVA UM VELHO FADO...

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  Fez-se tarde e não foi por mero acaso Que o Sol se pôs mais cedo nesse dia; Talvez fosse outro, o mundo que surgia Depois desse imprevisto e estranho ocaso,   Ou talvez fosse a Noite, num atraso Que nenhum desses dois lhe preveria, Que, não qu`rendo abrir mão do que sentia, Teimou em não cumprir o justo prazo,   Mas, fosse por que fosse, aconteceu Que a noite se acendeu num louco céu Que ninguém poderia ter explicado,   Que o coração mais forte lhes bateu E quase lhes parou quando irrompeu A Lua, que entoava um velho fado.       Maria João Brito de Sousa – 19.01.2011 – 20.52h

TALVEZ SEJA SÓ POESIA...

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TALVEZ SEJA APENAS POESIA     Talvez não haja um mar dentro de mim E a tempestade venha - se vier… - De cada vez que um dia chega ao fim Nesse universo que é cada mulher   Por outro lado, à míngua de um jardim, Talvez invente um mar pra renascer E tudo surja assim por ser assim Que toda e qualquer vida deva ser   Porém, de quanto disse, não retiro Uma única palavra, um verso só, E ocorre-me dizer que não sou nada   Senão as mil questões com que me firo Quando o verso desata cada nó Que , fio a fio, me enreda na meada.       Maria João Brito de Sousa – 18.01.2011 – 21.03h      

SEGUE-SE UM POEMA...

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  Segue-se este poema que não chora Mas, desse mesmo sal que tens nas veias, Faz hino à sensação que se demora Por dentro do tecido das ideias     Numa emoção telúrica, infractora, Que nega uma ilusão de panaceias E que irrompe do fel de cada hora Com ânsias de quem rompa mil cadeias.     Mas… segue-se um poema! Ou terei feito Um abrigo qualquer, sem dar por nada? Talvez, não sendo um ´bunker`, me proteja     E aquilo que se segue, por direito, Seja a mesma revolta estrangulada Que se acrescenta até que se oiça e veja.           Maria João Brito de Sousa– 17.01.2011 – 19.53h

O MAR DENTRO DE NÓS

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  Por dentro de mim corre um longo rio De seiva, ao por do sol de um campo arado E a ceifeira, que ceifa ao desafio, Esquecida de o ceifar, passou-lhe ao lado.     Talvez volte amanhã, se fizer frio, Ou se o vento, ao soprar, tiver lembrado O leito das razões que nele desfio Na seiva em que o descrevo humanizado     Entretanto, outras foices de ceifeiras Passaram já por ele de outras maneiras Mas nunca desaguaram nessa foz     Que, a jusante de mim, beija as ribeiras Quando elas se lhe oferecem, sempre inteiras E recomeça o mar dentro de nós.           Maria João Brito de Sousa – 14.01.2011 – 22.00h  

SEMPRE E NUNCA MAIS

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SEMPRE E NUNCA MAIS *  ... e, de então em diante, o Universo, Como se por magia se calasse, Roubar-me-ia todo e qualquer verso Que pela vida fora eu encontrasse *   Deixando-me, na troca, o seu inverso, Negando-se, fugindo ao novo enlace... O resto todos sabem... se é perverso Melhor fora um poema que o negasse *   Do rebanho que guardo ou como o faço, A ninguém devo contas ou promessas, Senão a quem me fez tal como sou! *   De tudo o que nasceu deste cansaço Nas horas a que já nem deito meças, E ao que está por nascer... Deus mo legou! *   Maria João Brito de Sousa

UMA OUTRA PROPULSÃO

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  Não sei mais o que faço, nem se o faço Porque o quero fazer, ou porque o devo, Só sei que é forte e dúctil como o aço A força que me nasce como o trevo.   Ao que dela surgir, junto o meu traço, Mas de ingénua que sou, porquanto o escrevo, Revelo-me na rota desse abraço Mesmo quando a assumi-lo não me atrevo.   Não há tédio - não há! - que me resista, Nem há indecisão que não desista Quando me toma, inteira, a criação   E, melhor ou pior, preencho a lista Daquilo que me prende, me conquista E engendra esta imparável propulsão.         Maria joão Brito de Sousa - 12.01.2011 - 14.19h   Imagem retirada da internet

TODA E QUALQUER PALAVRA

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  Hoje qualquer palavra serviria, Desde que desvendasse a compulsão. Qualquer uma, do “sim” até ao “não”, Mesmo a contradição de uma ironia   Me faria tão bem, me encantaria Bem mais do que uma alegre ilustração, Mais, nesta minha humana dimensão, Do que a sublime essência da alegria!   Palavras, só palavras me acorrentam Aos universos que elas representam Quando nelas alcanço esse seu céu,   Porque só as palavras me contentam, Só elas me conhecem quando tentam Prender-me a este estranho encanto meu.       Maria João Brito de Sousa – 10.01.2011– 19.05h

OUTRAS JANEIRAS

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  Sobre tantos Janeiros de  nós dois, Cansou-se a velha lua de sonhar E, em se indo deitar, surgiu, depois, Um sol que só nasceu pr`a vir espreitar…     Se, em cantando as Janeiras, tu me dóis, Se me dóis mais ainda ao não cantar, Que fazer se, por ti, me nascem sóis, Se, enquanto me doeres, irão voltar?     Não cantaste as Janeiras… que me importa Se, amanhã, me vieres bater à porta Por sentires o vazio de uma saudade?     Olho o céu de Janeiro e fico absorta; Nem uma estrela brilha, viva ou morta, E quanto o céu promete é tempestade…           Maria João Brito de Sousa- 10.01,2011 - 11.57h     Imagem retirada da internet

A FORTALEZA

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  Cobriram-me de pétalas de rosa E deram-me o plural das transparências; Inexpugnável fui, nas aparências, Qual “persona non grata”, mas famosa,     Apenas por escrever poema e prosa E por não ter temido as divergências, Mas calam-se-me as mãos e, toda ausências, Já seiva alguma faz de mim viçosa…     Do que de mim guardei, pouco mais dou; Devolvo-vos a rosa, enquanto vou Subindo a fortaleza inacabada     Que também passará, como passou A força que a subida me roubou Mas que aqui permanece bem guardada.           Maria João Brito de Sousa – 05.01.2010 – 18.45h  

PEQUENOS PARAÍSOS E GRANDES INEVITABILIDADES

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  Num lago pequenino e debruado Por azedas e trevos, como tantos, Demorava-se o sol, preso aos encantos Deste meu paraíso recriado     E, querendo-se deitar, por estar cansado De aquecer, deste lado, os verdes mantos, Olhando este meu lago, outros quebrantos O fizeram esquecer o outro lado.     “Metáforas… só isso!” - direi eu, Depois, ao constatar que o sol desceu Sem por mim ter esperado um só segundo.     Com ou sem paraíso, um escuro véu Cobriu, inteiro, o azul do mesmo céu Que veste os paraísos  do meu mundo.           Maria João Brito de Sousa - 06.01.2011