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CAMINHO

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CAMINHO... * "Pra que seja o caminho e não o fim" Desta odisseia num fio de navalha, Embora f`rida não perco a batalha E não me rendo nem sequer a mim. * Sou muito mais floresta que jardim; Tosca, conforme a natureza talha, Tenho musgo a crescer por onde calha E não vos sei dizer de onde é que vim. * Estendo raízes por onde puder, Deixo que os versos dancem ao sabor Das tempestades, sem me recolher. * Tanto vivi que já me sei de cor; Quanto mais duro o rumo a percorrer, Mais forte eu chegarei seja onde for. *   Maria João Brito de Sousa - 09.02.2021 - 19.42h * Soneto concebido a partir do último verso do poema CAMINHO da autoria de Laurinda Rodrigues. * Imagem retirada  daqui

CAMINHOS

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  CAMINHOS * Eis o mundo a teus pés, quase sem vida... E culpa foi só tua, quando, honesto Foste cumprindo à risca e gesto a gesto A directiva que te foi vendida? *   Crê nisso, humanidade, e estás perdida. Perdido está teu rumo e seu contexto Se vieres a esquecer que o teu protesto Será a tua única saída. *   Quem te destrói se não o consumismo? Quem te impôs este atroz capitalismo Que quanto mais se impõe mais te subverte? *     Não há estradas perfeitas, nem caminhos Que a si mesmo se tracem, que sozinhos Se te cubram de rosas, só de ver-te. *   Maria João Brito de Sousa -13.08.2018 – 11.51h

A PROCURA

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  Procuro, não te encontro e, se duvido Dessa tua presença vertical, É por ser tão humana e sem sentido Não é por querer negar-te ou dizer mal…   Procuro mais ainda e, se divido Esta minha incerteza ocasional Com quem estiver por perto, quem comigo Possa sentir que isto é disfuncional,   É porque esta procura se demora Na esquina dos minutos que há na hora, Ao longo duma rua que não finda.   Procurando, caminho estrada fora E enquanto caminho, como agora, Descubro o que em procura se deslinda…       Maria João Brito de Sousa              

DÚVIDA METÓDICA

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  DÚVIDA METÓDICA *  E se, depois, houvesse um não-sei-quê Por dentro de outra vaga imaculada? E se, em lugar de tudo, houvesse um nada Reflectindo o olhar de quem o vê?  *   E se, em cada ilusão, outra ilusão Fosse somando, até ao infinito, Aquilo que tomámos por já escrito E a que nunca sabemos dizer: - Não! *   E se as certezas só forem certezas Se nós acreditarmos ser assim? E se, afinal, não for… como será? *   Se, sorrindo, se fala de tristezas E, chorando, se colhe o alecrim… Aonde é que o poema acabará? *     Maria João Brito de Sousa - 26.11.2009 - 14.04h   Nota - Soneto ligeiramente reformulado a 11.10.2015     Imagem retirada da internet