DA AUSÊNCIA
DA AUSÊNCIA * Da tua ausência e – porque não? – da nossa, Emana uma aura fosca e baça e crua, Uma ilusão de luz, como se lua De um astro em que se fez menina e moça. * Enquanto essa ilusão de nós se apossa Qual rio que em calmo lago desagua, A ausência, mais que minha, mais que tua, É sal que salga a vida e mel que a adoça. * Nessa ausência, que vai ganhando vulto, Transmuta-se a abstracção em verbo oculto A que o sonho dá corpo e cristaliza * E tudo o que era ausência é já presença Que dita o que se sente, o que se pensa, E cresce enquanto a mente idealiza. * Maria João Brito de Sousa - 30.12.2019 – 10.15h Imagem retirada daqui NOTA - Despedindo-me de 2019 e abrindo os braços a 2020, boas entradas para todos vós, companheiros de jornada!