O SONETO POSSÍVEL NUM DIA COMO O DE HOJE
O SONETO POSSÍVEL NUM DIA COMO O DE HOJE *** ... e pouco a pouco vamos definhando, Pouco nos sobra, somos só estilhaços, Sombras furtivas dos humanos traços Que este presente foi desfigurando. * Sobrevivemos sem sabermos quando Se nos refazem os humanos laços, Ou se cerram, de vez, os olhos baços Que muitos - tantos... - foram já cerrando. * Tudo está longe mesmo estando perto E o mundo transmutou-se num deserto Que gela à noite e, de dia, sufoca * Quem se atreva a adentrá-lo a descoberto; Nada há de certo neste tempo incerto, Excepto a mordaça que nos tapa a boca. * Maria João Brito de Sousa - 21.02.2021 - 12.40h