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A mostrar mensagens de maio, 2011

CERNE DO MUNDO - sonetilho

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Sem dizer uma mentira, Sem falar do que não sinto, Espero que ninguém me fira Ou, sequer, julgue que minto.   Sou, do mundo, o que nele gira Sem me negar esse instinto Do que à vida me retira Quanto do sonho eu consinto.   Sou aquilo que sobrar De um mundo em ebulição Na tropopausa gelada,   Na condição de encontrar No auge da privação, Qualquer coisa;- ou tudo, ou nada!       Maria João Brito de Sousa - Maio 2011     IMAGEM RETIRADA DA INTERNET

DOIS REIS DE MEL COADO

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Se eles sabiam do mel que tu coavas Nos palácios das doces fantasias Que construías, mas nunca habitavas, Nem nas mais improváveis invernias…   Se eles sabiam… sabiam! Tu sonhavas, Coando o mel que nunca provarias Pois, dos favos etéreos que moldavas, Nenhum seria teu, bem o sabias…   Coavas por coar. Outros viriam Roer as malhas vivas que entendiam Poder saborear quando chegasse   O tempo da colheita que fariam Com as mãos inocentes que teriam Se um futuro menor lhas não negasse…     Maria João Brito de Sousa – 26.05.2011 – 23.44h       IMAGEM RETIRADA DA INTERNET

MEU RIO, MEU IMENSO, INSUSTENTÁVEL RIO

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Minha canção das margens inconstantes Rasgando a pradaria dos sentidos, Meu rio de águas revoltas mas brilhantes A começar do nada, em tempos idos,   Minha ribeira brava dos instantes Que acrescentaste aos dias já vividos, Das lonjuras, dos sonhos mais distantes Que à partida me foram prometidos,   Meu leito, derramando em terra ardente O abraço da vontade que não morre Do riso que descrê, mas não desiste,   Meu líquido poema omnipresente Nas águas de um futuro que dele escorre E à qual, embora querendo, não resiste.     Maria João Brito de Sousa – 24.05.2011 – 15.17h  

ALÉM DO MAR - La mer et les autres...

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  PR`ALÉM DO MAR * Pr´além do mar havia um outro mar E, pr`além desse mar, outro também E outro e outro… era um nunca acabar Dos mares que dele nasciam, mais além.   Havia um mar ainda por explorar Quando por um dos mares passava alguém E cada mar tentava em vão chamar Todo o que, olhando o mar, não visse bem   Tanto mar! E ninguém acreditava Pois todo aquele que o via procurava Olhar só para o mar perto de si   E, apesar do mar que vislumbrava, Não diria, jamais, que acreditava Nos mares pr`além do mar que havia ali.       Maria João Brito de Sousa – 21.05.2011 – 15.00h       IMAGEM RETIRADA DA INTERNET         http://www.raizonline.com/radio/      Não perca a boa poesia online!

QUAIS BANAIS? QUAIS INTANGÍVEIS?

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Quando o sol vem mostrar que bem-me-quer, Tal como quer aos melros e pardais, Respondo-lhe que o quero ainda mais, Que, às vezes, sou mais ave que mulher…   Mas, se uma lua cheia acontecer, Redonda em seus abraços vesperais, Aceno-lhe a sorrir, faço sinais Para que ela, ao espreitar, me possa ver…   Tão ave quanto as aves, mas sem asas, Fico a vê-las voar por sobre as casas Enquanto estes dois astros, impassíveis,   Iluminando todos por igual, Não diferenciam homem de animal, Nem cuidam quais banais, quais intangíveis…     Maria João Brito de Sousa – 19.05.2011 – 10.05h

FALA-LHES DE NÓS...

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  Fala das coisas que eu não sei esquecer Se, mais do que eu, souberes falar de mim; Fala da casa velha e do jardim Onde eu plantei a alma e quis crescer…   Fala de mim, menina, a querer saber Dos anseios do pé do seu jasmim, A interrogar-me sempre, até ao fim, Sobre ele saber-me, ou não, compreender,   Da gata adormecida aos pés da cama, Do velho avô, vestindo o seu pijama, A “poetar” até de madrugada,   Da avó que vinha ver se eu já dormia - sem nunca descobrir que eu só fingia -, Se, pr`ouvi-lo melhor, estava acordada…       Maria João Brito de Sousa – 15.05.2011 – 15.48h  

SONETO VENCEDOR DO V PRÉMIO POESIA EM REDE - 2011

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Nasceu-me, hoje, um soneto descuidado, Fazendo ouvidos moucos à razão, E todos vão pensar que veio em vão Pois jamais gostará do nosso Fado *   Mas o que aconteceu foi que o estouvado, Não sabendo fingir, nem dizer não, Mal ouve os mil acordes da canção Corre a abraçar-se a ela, alvoroçado… *   Coitado do soneto… Apaixonou-se Por um fado qualquer que então passava Nos lábios de um fadista, nas vielas, *   E nem sabe dizer quem foi que o trouxe, Que guitarra, trinando, assim chamava, Que estranhas vibrações eram aquelas… *     Maria João Brito de Sousa – 21.01.2011 – 19.01h     IMAGEM RETIRADA DA INTERNET       http://poesiaemrede.no.sapo.pt/

V PRÉMIO POESIA EM REDE

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GANHEI O V PRÉMIO POESIA EM REDE !!!   http://poesiaemrede.no.sapo.pt/     ABRAÇO GRANDE!

TROVAS À TROIKA

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Olho este povo cansado De ver a vida a passar, De viver das aparências Na mais dura das carências A que o vão fazer chegar Para o terem bem calado…   Meu povo tão criativo De poetas e cantores, Gente com caule e raiz Que nunca será feliz Nas mãos dessoutros senhores Que o querem manter cativo   Vejo a gente nas canseiras Das noites sobressaltadas Pelos dias sempre incertos E nos olhos, muito abertos, Mil perguntas formuladas De mil e uma maneiras…     Ah, povo, se fores dormir E eles tentarem sufocar O cravo que tens no peito Ao roubarem-te o direito De viver, de trabalhar E, até mesmo, de sentir…   Oiço a gente que murmura, Que duvida e quer respostas, Que não consegue entender Porque é que há-de acontecer Que as regras sejam impostas Como eram na ditadura   Povo de garra, com garras, Que rosna sob um chicote Que a muitos soube calar Mas que recusa aceitar As loucuras de um Quixote Que nunca vestiu samarra! Não cales, povo que sofres, A tua revolta imposta Por amos que não quiseste! M...

ABRIL, OUTRA VEZ!

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Meu país da liberdade, Desse Abril que há tantos anos Escreveu a sua vontade Com cravos florindo em canos   De espingardas sem idade Nas mãos erguidas, sem amos, Que em nome de outra verdade Negaram velhos arcanos!   Desnuda-se hoje a raiz Desse sonho inacabado Na fome de quem o fez!   Ó jovens do meu país, Ergam-lhe um cravo encarnado, Façam-lhe Abril outra vez!     Maria João Brito de Sousa     SONETILHO DE ABRIL

A QUEDA DO POETA

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Tropeçou, o Poeta, no seu manto… Quem lhe procura a voz que está caída Nas pedras do caminho, em qualquer canto? Poeta que caiu, tem voz perdida   E de nada lhe serve sê-lo tanto Se não encontra a voz que é, à partida, O único bordão do seu encanto… Se a voz se lhe perdeu, está desmentida!   Poeta, encontra a voz que te caiu Ou nunca chegarás a ser Poeta Neste mundo de quedas e tropeços!   E, se alguém te empurrou, ninguém o viu; Foste tu, nessa cauda de cometa, No teu vaivém de eternos recomeços…     Maria João Brito de Sousa – 30.04.2011 – 14.12h