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A mostrar mensagens de julho, 2015

UMA FROTA DE ILUSÕES

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      (Soneto em decassílabo heróico) Da frota de ilusões, destaco, ao fundo, bojuda vela em barca pequenina, rumando à colisão, rasgando o mundo, a silhueta frágil da menina Que, num primeiro olhar, quase confundo com tantas que encontrei de esquina em esquina e de cujas memórias quase inundo o verbo que me embala e me fascina... Tão firme, a vasta frota de ilusões! Avança devagar, mas sempre avança num mar que não lhe aponta obrigações, Senão a que lhe cumpre; ser criança e transportar, na barca, as vocações escondidas em porões que nunca alcança.   Maria João Brito de Sousa – 27.07.2015 – 16.25h  

CONVOCATÓRIA (Adiando tanto quanto puder)

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(Soneto em decassílabo heróico)   Convoco-te, poema, em cada verso, em cada estrofe enquanto não tecida, em cada afirmação, no seu reverso, no sopro que conduz do verbo à vida,   E sempre que comigo, em mim disperso, te encontro e vou moldando já rendida, perder-te-ei depois, depressa imerso num mar cuja maré me traz perdida,   Mas essa sensação de, em tempo adverso, estar presa, acorrentada e sem saída num beco já distante e bem diverso,   Quando olhada de frente, foi vencida no desdobrar final deste universo que em versos multiplico, dividida...     Maria João Brito de Sousa – 20.07.2015 – 14.34h

DEMOCRACIA(S)

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    DEMOCRACIA(S) * Que capa ostentas tu, Democracia? Conforme à “barricada” lhe convém, assim te vais vestindo de ousadia, ou de odalisca presa em pleno harém * Pois se, acaso, te abraça a tirania, a capa desbotada é que irá bem com essa com que a astuta oligarquia disfarça a escravatura em que te tem * Mas, sendo uma questão de perspectiva, dizer que és mesmo tu, vendo-te assim, louvada por alguns, quando cativa, * Não sei, Democracia, se és, pr`a mim, mero reflexo de outra que vi viva, vestida de vermelho e... livre, enfim! * Maria João Brito de Sousa, 16.07.2015 – 15.04h    

UM SONETO A SANCHO PANÇA

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  UM SONETO A SANCHO PANÇA * Foge-me o pensamento do soneto, salivo e penso em pão. É mesmo assim, pois quando a fome aperta não prometo pugnar pelo soneto até ao fim *   Embora seja um crime o que cometo se o frémito ao passar me toca a mim e, por me achar famélica, o remeto pra depois de uma sopa e de um pudim... *   São as coisas mesquinhas que o esqueleto impõe a todos nós, neste ínterim da crise que nos faz ver tudo a preto *   Absurdo, amigos meus, seria, enfim, esquecer que o corpo cede ao que é concreto e troca, por um pão, Musa e espadim. *   Maria João Brito de Sousa 23.06.2015 – 15.01h *** (Do meu baú das finíssimas ironias)