MOAXAHA AO PÃO
A Carregadora de Pão - Pablo Picasso * MOAXAHA * AO PÃO * Há quem cozinhe o pão da sua ceia Na brasa incandescente de uma ideia. * Por vezes, nada, nada nos sacia Esta fome, esta sede, esta agonia, Este desassossego, esta avaria Que ao consumir-nos sempre se acrescenta Ao verso cuja massa em nós fermenta. * Outras vezes, ficamos em pousio A levedar um pão bem mais tardio. Sem brasas. Só tições no forno frio E um nada, um quase nada que alimenta Quanta razão de um nada se sustenta. * “Não tem asas a vitória terrestre: tem pão sobre os seus ombros, e voa corajosa libertando a terra como uma padeira levada pelo vento.” * Entre aspas, citando Pablo Neruda in “ODE AO PÃO”. * Maria João Brito de Sousa 09.05.2018 – 13.40h * Uma Moaxaha, composição poética culta própria da Hispania Muçulmana, hoje excepcionalmente neste palco do soneto .