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MOAXAHA AO PÃO

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A Carregadora de Pão - Pablo Picasso * MOAXAHA * AO PÃO * Há quem cozinhe o pão da sua ceia Na brasa incandescente de uma ideia. * Por vezes, nada, nada nos sacia Esta fome, esta sede, esta agonia, Este desassossego, esta avaria Que ao consumir-nos sempre se acrescenta Ao verso cuja massa em nós fermenta. * Outras vezes, ficamos em pousio A levedar um pão bem mais tardio. Sem brasas. Só tições no forno frio E um nada, um quase nada que alimenta Quanta razão de um nada se sustenta. * “Não tem asas a vitória terrestre: tem pão sobre os seus ombros, e voa corajosa libertando a terra como uma padeira levada pelo vento.” * Entre aspas, citando Pablo Neruda in “ODE AO PÃO”. * Maria João Brito de Sousa 09.05.2018 – 13.40h * Uma Moaxaha, composição poética culta própria da Hispania Muçulmana, hoje excepcionalmente  neste palco do soneto .

MOAXAHA IV

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  MOAXAHA IV Aos que em tudo acreditam me dirijo. Corrija quem puder. Eu não corrijo! Erros de paralaxe. O que serão? Há que ter disso a mínima noção E não acreditar de modo vão Em tudo o que se vê nestas paragens Onde se (des)constroem mil imagens. Escorços, pontos de vista, perspectivas, Visões em túnel, falsas narrativas E crenças, serão como arestas vivas Que muitas vezes saltam das mensagens E te enredam na farsa das miragens. “Mas a vida é uma coisa imensa, que não cabe numa teoria, num poema, num dogma, nem mesmo no desespero inteiro dum homem.” Citando Miguel Torga, in DIÁRIO, 1941   Maria João Brito de Sousa – 18.05.2018 -12.33h  

MOAXAHA AO PÃO

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  MOAXAHA III AO PÃO Há quem cozinhe o pão da sua ceia Na brasa incandescente de uma ideia. Por vezes, nada, nada nos sacia Esta fome, esta sede, esta agonia, Este desassossego, esta avaria Que, ao consumir-nos, sempre se acrescenta Ao verso cuja massa em nós fermenta. Outras vezes, ficamos em pousio A levedar um pão bem mais tardio. Sem brasas. Só tições no forno frio E um nada, um quase nada que alimenta Quanta razão de um nada se sustenta. “Não tem asas a vitória terrestre: tem pão sobre os seus ombros, e voa corajosa libertando a terra como uma padeira levada pelo vento.” Citando Pablo Neruda in “ODE AO PÃO” Maria João Brito de Sousa – 09.05.2018 – 13.40h Imagem - The Bread Carrier - Pablo Picasso  

UM POEMA QUE NÃO É UM SONETO

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  MOAXAHA Eis o meu fruto. Foi este e só este O que te alimentou enquanto o leste. Poderá ser-te doce ao paladar Ou, ao contrário, pode-te amargar, Mas certa estou que te há-de alimentar Ainda que a acidez o torne agreste. Alimentou-te, e bem, quando o mordeste! Outros não posso dar-te, que os não tenho; Só estes brotam deste velho lenho Que embora frágil, tortuoso e estranho, Te fará recordar o que esqueceste, Se acaso te esqueceres de que os comeste. "Pelos seus frutos os conhecereis" *Citando a Bíblia – Novo Testamento - Mateus 12:33 Maria João Brito de Sousa – 29.04.2018 - 23.28h     Gravura de Manuel Ribeiro de Pavia