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A mostrar mensagens de fevereiro, 2024

O SILÈNCIO DAS MUSAS

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Imagem Pinterest * O SILÊNCIO DAS MUSAS * Anda o demónio à solta em terras lusas: Nunca tanto indeciso (in)decidiu E alguns vão já temendo o que se viu Nos anos do silêncio, até pra musas * Que muitas vi ao lado das reclusas Do velho Aljube. A treva as consumiu, Mas nunca delataram que as uniu A mesma garra que as tornara intrusas... * Voaram quando Abril floriu em cravos E só então choraram de alegria: De novo o mel da vida abria em favos * E era o mesmo mel que eu recolhia Pr`amenizar a dor dos desagravos Que sobre elas choveram noite e dia. *   Mª João Brito de Sousa 29.02.2024 - 21.00h ***  

CONVERSANDO COM CAMÕES NO SEU QUINGENTÉSIMO ANIVERSÁRIO XIII

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Imagem Pinterest * CONVERSANDO COM CAMÕES XIII *   DOCES LEMBRANÇAS DA PASSADA GLÓRIA * Doces lembranças da passada glória, Que me tirou fortuna roubadora, Deixai-me descansar em paz uma hora, Que comigo ganhais pouca vitória. * Impressa tenho na alma larga história Deste passado bem, que nunca fora; Ou fora, e não passara: mas já agora Em mim não pode haver mais que a memória. * Vivo em lembranças, morro de esquecido De quem sempre devera ser lembrado, Se lhe lembrara estado tão contente. * Oh quem tornar pudera a ser nascido! Soubera-me lograr do bem passado, Se conhecer soubera o mal presente. * Luíz de Camões *** Se conhecer pudésseis o presente Enquanto no passado o desdenháveis, Vossos versos bem menos memoráveis Seriam para mim... pra toda a gente * Que quem na glória vive ingloriamente Memórias não terá porque improváveis, Desnecessárias, loucas, impensáveis Cousas que o vencedor sequer pressente... * Se hoje essa glória é cousa do passado, Memorá-la cantando é bem maior Do que...

CONVERSANDO COM CAMÕES NO SEU QUINGENTÉSIMO ANIVERSÁRIO XII

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Imagem fotografada de um velho calendário meu *   CONVERSANDO COM CAMÕES NO SEU QUINGENTÉSIMO ANIVERSÁRIO XII *   POIS MEUS OLHOS NÃO DEIXAM DE CHORAR * Pois meus olhos não cansam de chorar Tristezas não cansadas de cansar-me; Pois não se abranda o fogo em que abrasar-me Pôde quem eu jamais pude abrandar; * Não canse o cego Amor de me guiar Donde nunca de lá possa tornar-me; Nem deixe o mundo todo de escutar-me, Enquanto a fraca voz me não deixar. * E se em montes, em prados, e em vales Piedade ainda mora e vive Amor Em feras, plantas, aves, pedras, águas; * Ouçam a longa história de meus males, E curem sua dor com minha dor; Que grandes mágoas podem curar mágoas. *   Luiz de Camões *** E credes, meu Senhor, que a dor imensa Curada possa ser por dor igual, Ou que juntando um mal a outro mal Possa sanar-se a dor? Que recompensa * Poderá receber quem assim pensa? Se sofre o sofredor, de que lhe vale Multiplicar-lhe a dor juntando sal A gangrena que a si lhe não pertença? * Mas se, como d...

A FLORESTA - Reedição

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A FLORESTA * Pintei, numa floresta, cogumelos E árvores azuis, como Gauguin, Preenchendo as neblinas da manhã De violetas e de ocres muito belos * Fui colorindo o fundo de amarelos, Sentei-me com Diana, abracei Pã, Comi o verde polme da maçã E entrancei folhas de hera nos cabelos... * Não houve nenhum sol, nenhuma lua Que ousasse reclamar-me a sua posse, Ou me reivindicasse o seu destino * Porque ela, omnipresente, agreste e nua, De aspecto inacabado e sabor doce, Foi fruto de um soneto em desatino *   Maria João Brito de Sousa 25.09.2009 *** (Poema escrito para a Fábrica de Histórias e reformulado a 20.05.2015 -13.22h)

FILHO DAS TEMPESTADES - Reedição

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  António de Sousa fotografado por António Pedro Bito de Sousa * FILHO DAS TEMPESTADES * Andou perdido por remotas plagas Sem bússola nem vela. Era a Paixão Quem o mantinha à tona sobre as vagas Do mar da sua imensa solidão * Cerrava as mãos. Fechadas como garras As levava do leme ao coração Quando da barca soltava as amarras Aos primeiros sinais de um furacão * E assim se fazia à tempestade Como à bonança os outros se faziam Mal o vento amainava o seu furor * Pra si, porém, o vento é liberdade E os raios são pendões que o desafiam A vencê-los em espanto e garra e cor. *   Mª João Brito de Sousa 21.02.2023 - 10.00h ***   Ao meu avô poeta

CONVERSANDO COM CAMÕES NO SEU QUINGENTÉSIMO ANIVERSÁRIO XI

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Imagem Pinterest * CONVERSANDO COM CAMÕES NO SEU QUINGENTÉSIMO ANIVERSÁRIO XI *   QUANDO CUIDO NO TEMPO QUE, CONTENTE... * Quando cuido no tempo que, contente, vi as pérolas, neve, rosa e ouro, como quem vê por sonhos um tesouro, parece tenho tudo aqui presente. * Mas tanto que se passa este acidente, e vejo o quão distante de vós mouro, temo quanto imagino por agouro, porque d’imaginar também me ausente. * Já foram dias em que por ventura vos vi, Senhora (se, assi dizendo, posso co coração seguro estar sem medo); * Agora, em tanto mal não mo assegura a própria fantasia e nojo vosso: eu não posso entender este segredo! *   Luíz de Camões *** Não cuideis tanto de tudo entender que, às vezes, pode mais quem não sabendo intui apenas sem ficar sofrendo aquilo que dizeis estar a sofrer... *   Porém... que digo eu, se sou mulher, de nojo recoberta e, não vos vendo, às lágrimas me entrego e só atendo a quem, de vós, notícias me trouxer? * Haveis podido agora perceber-me? Isto que sofro nunca ...

CONVERSANDO COM CAMÕES NO SEU QUINGENTÉSIMO ANIVERSÁRIO X

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Imagem Pinterest * CONVERSANDO COM CAMÕES NO SEU QUINGENTÉSIMO ANIVERSÁRIO X *   SE DE VOSSO FERMOSO E LINDO GESTO *   Se de vosso fermoso e lindo gesto nasceram lindas flores para os olhos, que para o peito são duros abrolhos, em mim se vê mui claro e manifesto: *   pois vossa fermosura e vulto honesto em os ver, de boninas vi mil molhos; mas se meu coração tivera antolhos, não vira em vós seu dano o mal funesto. *   Um mal visto por bem, um bem tristonho, que me traz elevado o pensamento em mil, porém diversas, fantasias, *   nas quais eu sempre ando, e sempre sonho; e vós não cuidais mais que em meu tormento, em que fundais as vossas alegrias. * Luíz de Camões *** Cuidais que de tormentos cuido apenas? Bem enganado estais! Cuidai então De não voltar a dar-me um tal sermão Ou muito aumentarão as vossas penas *   As que afirmais não serem tão pequenas Que às fantasias não derrubem, não... E chamais-me funesta? Maldição! Mais mentiroso sois do que as hienas! * Ide com vossas loucas fan...

MEUS CAMINHOS - Custódio Montes e Mª João Brito de Sousa

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Imagem Pinterest * MEUS CAMINHOS * Coroa de Sonetos * Custódio Montes e Mª João Brito de Sousa * 1. * Um túnel, uma estrada, um caminho Que vão dar ao destino que me apraz Outrora fui menino, fui rapaz Andava noutras sendas de adivinho * Agora vou direito sem espinho Em frente sem voltar de novo atrás Outrora ia aonde era capaz Sem medo pelos montes e sozinho * Na busca dos meus sonhos à deriva Bem cheia a alma que era criativa Sem raias no amor, na inspiração * Agora meus caminhos espaçados São largos para mim mas apertados Nas sendas que percorre o coração * Custódio Montes (Sonetos) * 2. * "Nas sendas que percorre o coração" Quando a maturidade o auge atinge Não ficamos parados como a esfinge, Mas não corremos por qualquer razão * E serenamos em compensação Porque evitamos tudo o que restringe O verso manso que em chegando cinge Nossa cintura, como se uma mão... * Devagar vamos, mas debalde não, Que cada passo dado em comunhão Com algum companheiro de poemas * Nunca poderá...

CONVERSANDO COM CAMÕES NO SEU QUINGENTÉSIMO ANIVERSÁRIO IX

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Imagem Pinterest * CONVERSANDO COM CAMÕES NO SEU QUINGENTÉSIMO ANIVERSÁRIO IX *   NUNCA EM AMOR DANOU O ATREVIMENTO * Nunca em amor danou o atrevimento; Favorece a Fortuna a ousadia; Porque sempre a encolhida cobardia De pedra serve ao livre pensamento. * Quem se eleva ao sublime Firmamento, A Estrela nele encontra que lhe é guia; Que o bem que encerra em si a fantasia, São umas ilusões que leva o vento. * Abrir-se devem passos à ventura; Sem si próprio ninguém será ditoso; Os princípios somente a Sorte os move *. Atrever-se é valor e não loucura; Perderá por cobarde o venturoso Que vos vê, se os temores não remove. * Luiz de Camões *** Removei, pois, Senhor, vosso temor: Se me atrevo a convosco conversar Não posso ao vosso tempo recuar Mas sempre terei dado o meu melhor * Atrevida serei, mas... por favor, Vede bem que tentei não macular O verso heroico puro e exemplar, Em que vos expressais, Mestre e Senhor. * Não sei se a vossa estrela alcançarei Nem se ouvireis aquilo que vos digo, ...