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A mostrar mensagens de março, 2015

SONETO DO MAL MENOR

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  (Em decassílabo heróico)   Dá-me o ramo das rosas perdulárias comprado na florista já esquecida, armado no “bouquet” morto e sem vida das almas condenadas, solitárias... Dá-me uma – mais serão desnecessárias...- no ramo em que a chorei, porque, à partida, lhe condeno a razão de ser colhida, deixando, na raiz, funções tão várias, Juro que não protesto... e mais não digo! Hoje perco a raiz, enfrento o p`rigo e estou pronta a render-me sem chorar, Se o derradeiro golpe, esse inimigo que me arranca do mundo em que me abrigo, me degolar, de vez, sem me magoar.   Maria João Brito de Sousa – 26.03.2015- 15.08h  

GEADA NEGRA

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    (Soneto em verso hendecassilábico)   Perdoai-me agora porque mais não posso, Estou já pele e osso, quanto a poesia, Do carnudo fruto que antes produzia, Mal vejo o de outrora pequeno caroço,   Qual mero vestígio, qual simples destroço Do que então criava, do que então escrevia, Mesmo, em chão negado pela carestia, Sendo um vago esquiço, sendo um mero esboço.   Vibram já machados sobre essa haste nua, Sem um sol que a aqueça, sem que a esconda a lua, Pois desta colheita contra-producente,   Sem mais flor que a anime, fruto que a alimente, Fica só memória... quem sabe, a semente De outra humana história que a tomar por sua?     Maria João Brito de Sousa – 10.03.2015 -16.21h   Nota – O meu primeiríssimo soneto em verso hendecassilábico.