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A mostrar mensagens de outubro, 2017

VELHAS MEMÓRIAS - A Dois Tempos

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  MEMÓRIAS A DOIS TEMPOS * Acendi-vos velas de vários tamanhos, Depois, entre estranhos, cantei para vós Com sonhos na voz. Preparei-vos banhos, Desatei-vos nós, pra vós fiz desenhos. *   Falei-vos de antanhos parentes, avós Com saias de cós e corpetes castanhos Que, entre outros amanhos, teciam totós Às netas que, após, semelhavam rebanhos *   De laços branquinhos de seda, ou cambraia, Correndo na praia, traçando caminhos, Explorando cantinhos. Quer caia ou não caia, *   Já trepa, a catraia... qual quê? Pergaminhos? Nunca os viu nos ninhos do topo da faia E abraça-se a Gaia nos galhos fininhos. *     Maria João Brito de Sousa - 31.10.2017 – 15.40h   *   (Soneto em verso hendecassilábico e rima encadeada)      

RESPONDENDO A UM SONETO DE ALBERTINO GALVÃO, QUE CONVERSAVA COM UM SONETO DE MARIA DA ENCARNAÇÃO ALEXANDRE, QUE, POR SUA VEZ, DIALOGAVA COM UM SONETO DE JOAQUIM SUSTELO

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  (Soneto em verso hendecassilábico e rima intercalada)       Já estás perdoado, mas sempre te digo Que amante ou amigo não deixo de lado; Cometes pecado? Prometo castigo, Mas esqueço e prossigo... já estás perdoado! Só peço cuidado, de resto... nem ligo E apenas consigo dar-te outro recado, Este, mais pensado, pr`a nunca haver pr`igo De, estando eu contigo, ser logo olvidado; Sou, tal como tu, tenho veias com sangue E se fico exangue partirei de vez... Depois, não me vês, nem me afagas no mangue, Pois carne sem sangue nunca aceita arnês, Tem os seus porquês e tão pronto se zangue, Esconde-se no mangue, perde a languidez... Maria João Brito de Sousa -30.10.2017 – 11.35h    

LÚCIDA(MENTE)

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    (Soneto em decassilabo heróico)   Vê o meu belo ventre, hoje rasgado Pelo cru bisturi... este destroço Do que, dizes, podias ter amado Quando era firme, fértil, liso e moço...   Olha o cabelo cinza, inda ondulado, Mas cada vez mais branco e, troço a troço, Este corpo doente e já cansado Ao qual ofereceste um lauto almoço   E os livros que eu fui lendo avidamente Com olhos tanto sábios, quanto estetas, E a lucidez que falta a tanta gente...   Mas repito-te; vê mais claramente, E podes confessar - nada me afectas... - Que nada vês de belo, no presente.         Maria João Brito de Sousa - 10.07.2016 - 19.41h

GLOSANDO A POETISA MARIA DA ENCARNAÇÃO ALEXANDRE - LUAS...

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  NA PENUMBRA PINTADA PELA LUA     É teu corpo um soneto que imagino Que escrevo tantas vezes e, adormeço No verso que o percorre peregrino Por curvas e caminhos que conheço   Outros versos me levam ao destino Quando as horas me acordam e te peço Que completes um tal verso ladino E dês ao meu poema recomeço   Na penumbra pintada pela lua Crescem versos da rima quente e nua Que fazem a beleza dessa escrita   Sem haver da manhã sequer vislumbre Declamo cada verso com deslumbre Quando de mim se abeiram em visita     MEA 23/10/2017   ************   NUM RECANTO QUALQUER DO MEU PASSADO     “É teu corpo um soneto que imagino” Recolhido num berço, eternizado Pela minha memória, meu menino, Num recanto qualquer do meu passado.   “Outros versos me levam ao destino” Desse bercinho em mim cristalizado, Mas sempre que te evoque, pequenino, Estarás presente, embora em tempo errado;   “Na penumbra pintada pela lua”, Abres porta e sais comigo à rua Num gesto rotineiro e natural.   “Sem haver da manhã ...

O MOMENTO DA RECEPÇÃO DA MEDALHA E DO DIPLOMA

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  Fotografia de Rogério Vidal Pereira

A MEDALHA E O DIPLOMA - TÍTULO HONORÍFICO

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INFORMAÇÃO A TODOS OS AMIGOS E LEITORES

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  INFORMAÇÃO AOS AMIGOS Informo todos os amigos que a Cerimónia de Agraciação com o Título Honorífico na categoria de Arte e Cultura, que me foi conferido pela Assembleia da União das Freguesias de Oeiras e S. Julião da Barra, Paço de Arcos e Caxias, terá lugar no Auditório da Biblioteca Municipal de Oeiras, Avª Dr. Francisco Sá Carneiro, Oeiras, na próxima segunda-feira, dia 16 de Outubro pelas 21.30 horas, com a presença do Presidente do Executivo, Engº José Eduardo Neno. A vossa presença será o meu maior estímulo. Obrigada. Maria João Brito de Sousa- 11.10.2017  

SONETO A PRETO E BRANCO

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  Escuridão que te exaltas, arrojada, no sincelo da carne em que me sou, mesmo quando de meu não tenho nada, por mais que nada seja o que te dou,   Tens sido sempre a cor da minha estrada e a noite que os cabelos me enfeitou quando ao longo da longa caminhada, nela cresci e o mais me abandonou.   Se és ausência de cor, o que me importa? Serei da mesma cor, que dizem morta, mas amo a Vida mais do que ninguém   E afirmo que nenhuma cor conforta tanto quanto este negro que recorta palavras sobre o branco que as contém.     Maria João Brito de Sousa – 09.10.2017 – 12.07h  

GLOSANDO A POETISA MARIA DA ENCARNAÇÃO ALEXANDRE - Mãos

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  DEI VOZ ÀS MINHAS MÃOS Dei voz às minhas mãos num fim de tarde Quando o sol ao cair no azul do mar Parece que se ateia e depois arde Nas águas onde prendo o meu olhar   Vestiram gestos mansos sem alarde E falando ao teu corpo devagar Numa voz calma quase que cobarde Por ele se deixaram encantar   Libertados que foram os seus medos Sussurraram palavras e segredos Bailando no silêncio da atmosfera   Já no horizonte o céu enegrecia Porquanto o sol ali se despedia Calou-se então a voz que às mãos eu dera     MEA 2/10/2017 A CAMINHO DO INEVITÁVEL FIM DE TARDE Por muito que adiasse a voz crescente, por muito que, hoje ainda, eu a resguarde, a voz do sonho ousou passar-me à frente, “Dei voz às minhas mãos num fim de tarde” E nunca mais, de mim, tornada ausente, que a voz das minhas mãos não mais retarde palavras mil, que tão precocemente “Vestiram gestos brandos sem alarde” Livres do pseudo-sonho que os tolhia enquanto, passo a passo, eu mal crescia, “Libertados que foram os seus medos”, De...