OFÍCIO(S) I e II - Em verso operário
OFÍCIO(S) * Os meus frágeis castelos de papel Não são mais opulentos que choupanas Urdidas a tracinhos de pincel Sobre a nudez de superfícies planas * Outros serão gravados a cinzel Somam-se em letras não menos humanas, Por vezes numa pressa, num tropel, Ao longo de horas, dias e semanas... * Sou operária das coisas diminutas, Guerreira desarmada de outras lutas, Agricultora de estros e cultura * Que ora plantando ora colhendo as frutas Julga contar-se entre as mais resolutas Das teimosas cultoras da ternura. * Maria João Brito de Sousa - 07.07.2020 - 11.47h *** OFÍCIO(S) II * (Soneto em verso operário) * Proponho-me um poema de madeira De linhas ergonómicas, tão estável Como uma mesa ou como uma cadeira Que seja muito sóbria e confortável * Se não sei trabalhar senão inteira E o corpo está num estado deplorável Mudo os versos em tábuas e à canseira Transformo-a em qualquer coisa de palpável * Que pouco a pouco vai ganhando forma E em breve este poema escapa à norma Passando a ser ...