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A mostrar mensagens de julho, 2018

"Z" de ZERO

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  “Z” de ZERO * Zeloso. Zás. Zodíaco. Zircão. Zebra. Zelote. Zinco. Zuma. Zero. Zunzum. Zurzir. Zipar. Zulu. Zangão. Zarpar. Zá-Zá. Zelar. Zuca. “(Cru)Zero.” *   Zombar. Zigoto. Zona. Zumbirão. Zulmira. Zoa. Zorro. “Zeladero”. Zimbro. Zaragatoa. Zangarão. Zoar. Zoada. Zomba. Zapatero. *   Zelândia. Zagalote e Zimbawé. Zeberim. Zaragata. Zara. Zé. Zumba. Zen. Zigurate. Zanzibar. *   Zurro. Zumbido. Zomba. A(Z)ul. Zoague. Ziper de zelador em ziguezague. Zorba. Zebu. Zoei. Zéfiro. (A)Zar! *   Maria João Brito de Sousa – 30.07.2018 – 20.49h  

... ATÈ A NEVE CHORARÁ NUM DIA QUENTE...

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 Apresento-vos o meu quarto livro de poesia. Surpresa para mim, que a sua edição mais uma vez me foi oferecida pelo "site" HORIZONTES DA POESIA, na pessoa do poeta e grande amigo Joaquim Sustelo.   Não haverá lançamento, nem "vernissage", atendendo ao precário estado de saúde em que me encontro, mas o livro poderá ser adquirido  através dos CTT, contra o depósito de dez euros no NIB abaixo referido, desde que me façam chegar o nome do/a depositante e uma morada para posterior envio da obra.     Alguns conhecem bem o meu endereço electrónico - e mail - outros, não. Para os segundos recomendo que me enviem esses dados através do Facebook, por mensagem privada. ( Facebook.com/poetaporkedeusker )   As obras não se encontram na minha posse. O principal objectivo, para além da divulgação da obra, será o de ajudar-me a sobreviver financeiramente e eu tenderia a oferecê-las todas... ou quase todas. Além do mais, não me encontro em condições de sair de casa para proceder a...

ALICE

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  ALICE * (minha avó paterna) *   Amei-te tanto, tanto, minha avó! Louvavas-me os “murais” da grande sala Quando com doce e modulada fala Me garantias: - “Nunca estarás só, *   Transbordas vida até chegar ao nó De quanto em ti se exalta e vibra e estala!” Depressa em meu ouvido a voz se cala, Que quem assim me fala há muito é pó... *   Eras, Alice, a minha avó paterna, Mais maternal que muitas ternas mães, E quando percebi não ser eterna * A tua voz, a voz que já não tens, Doeu-me tanto, que hoje ergo a lanterna Pra sondar céus e Terra, a ver se vens. *   Maria João Brito de Sousa 26.07.2018 – 17.59h ***  

"A" de AMOR

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    “A” DE AMOR     * Ardia Amor, ainda aceso amor, Absurdo, acidental, apaixonante, Angélico, amorável, acto-amante De anseios de astros, de almas e de ardor. * Ao amado se abraça o amador. Abismos de águas abrem-se adiante De ávido Amor. Avante, Amor, avante! Alerta! Arroga-te asas de alto açor! *   Abrindo-as, aborrece altivo abismo Que, agigantado, arrola as ameaças E, adverso a Amor, acende antagonismo. *   Acusa, a Amor, de abuso e de arruaças E absurdamente o ata ao aporismo; Arranca, Amor, atilhos e (b)araças! *   Maria João Brito de Sousa – 23.07.2018 – 16.39h  

O TRADUTOR DE TUDO(S)

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  O TRADUTOR DE TUDO(S) * Traduzia travessos travessões, Tipificava terminologias, Técnicas tácteis, tons, tipografias, Transparências trocadas por tostões. * Ténues, tremeluzentes tentações Tendem-lhe teias. Trigonometrias! Transpõe totais, transcende tiranias, Tudo transfunde em tais transmutações. * Tingem-se tempestades temerárias! Talvez tangíveis, toscas, temporárias, Talvez tremendas, torpes, terminais. * Trágicos travessões, tiranos tiques... Tudo transposto, tábuas e tabiques, Titânica tarefa, a dos totais! * Maria João Brito de Sousa  20.07.2018 – 15.31h *     Ao código binário. A George Boole. A Stephen Hawking  

CONCEBO CARTAZES

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  CONCEBO CARTAZES * Construo castelos. Cristais conspurcados, Chaves, cadeados, cordéis e camelos. Compro caramelos contrabandeados, Compostos cruzados de cobras capelos. * Compridos cabelos convergem, cansados; Crescentes cuidados comportam cutelos. Ciúmes ou “celos”? Castelhanizados, Cuidámos, coitados, de compreendê-los. * Colava cartazes com cola cuspida. Comprava comida. Compunha cabazes. Caminhos capazes? Contente? Cumprida? * Cresceste. Crescida, certeira comprazes Chavões contumazes de comprometida. Concedo, caída. Concebo cartazes. * Maria João Brito de Sousa – 21.07.2018 – 15.21h (Soneto em verso hendecassilábico com rima encadeada)        

"STACCATO"

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  “STACCATO” * Silva a serpente, salta o saltarico, Saracoteia, samba, soma e segue! Sento-me. Sábia sou se o sacrifico? Severa sinto sonhadora sede. * Sétimo selo. Sétimo salpico. Somo silícios sobre a seca sebe, Sinto-me suja se solidifico, Sobrevivo ao suplício, se sucede... * Sintaxe sabe a sexo sem suor Somado à sordidez de se supor Solfejo, sopro, sola de sapato. * Súbito, o saldo soa sofredor; Sublime, o socorrista sapador Supera a situação. Stop. E Staccato! * Maria João Brito de Sousa -22.07.2018 – 19.22h    

VI VINICIUS

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  VI VINICIUS * Vinde e vencei! Versejos vigorosos, Vastas vitórias, verticais, vibrantes Vos valorizam, vates! Véus velantes, Vãs virtudes vos vetam, valorosos! * Vencei vitórias, ó vitoriosos! Venenos vãos vos vendem! Verdejantes Verborreias, vencidas, volitantes, Vazam, vertem venenos vaporosos... * Válidos vinhos vituperam. Vícios! Vivo e vitorioso, vi Vinicius Versejando voragens e vertigem. * Vejo o vector vibrátil e vermelho, Viço vilipendiado, vate velho Virtuoso e voraz varando virgem. * Maria João Brito de Sousa – 20.07.2018 -12.45h  

OBITUÁRIO

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  OBITUÁRIO (O Terceto Final) *   Morri, segundo fonte oficial. A (a)creditada folha assim me informa Num breve obituário de jornal De pequena tiragem, como é norma. *   Belisco-me! Duvido! É natural, Apesar de não estar em grande forma, Que me revolte e que me sinta mal Por falecer a meses da reforma! *   Leio de novo. Não, não fora um erro; Nome completo e até data de enterro (rebéubéubéu, zás-páz, tantos de tal). *   Sem pressas, cerro um olho. Outro olho cerro. Teimoso, o meu cadáver, mesmo perro, Esboça à pressa um terceto. O terminal.   *   Maria João Brito de Sousa – 17.07.2018 – 15.46h

VELHA TEORIA

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  VELHA TEORIA (Por Vezes Fico Assim...)   * Por vezes fico assim, cega de todo A tudo o que não seja esta vontade Que me assalta por dentro, que me invade E tudo me faz ver de um novo modo, * Tal qual eu fosse um chão passado a rodo Pela bátega de água que se evade E me deixa mais sede que saudade Dos rios de onde colhi lótus e lodo. * É quando chega o verso e me desperta, E me arranca de vez dessa aporia, O tal que se escondera em parte incerta * Compondo e decompondo a melodia Que me fascina e que me desconcerta, Que a estrofe prova a velha teoria. * Maria João Brito de Sousa – 16.07.2018 -15.25h (Na sequência da leitura do soneto “Por Vezes Fico Assim...” de Joaquim Sustelo)  

VELADA VISTA VEDA-ME A VISÃO

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  VELADA VISTA VEDA-ME A VISÃO *   Velada vista, veda-me a visão. Vagas vogais vou vendo vagamente. Voejam, vertem, vagam... voarão Vigas e várzeas, verdadeiramente? * Vejo verde/vermelho. Vejo em vão? Vestígios, viscos, velas e videntes... Víboras voam vindas do vulcão, Vermes vomitam vergonhosamente. * Vou vendo, vou... vi vadiar o Verão, Voluptuoso, válido varão...  Vê-lo-ei vicejar vibrantemente? * Viçoso o vi dos vidros das varandas; Vivas vergônteas, velhas venerandas Viraram vultos. Verga-se-me o ventre.   *     Maria João Brito de Sousa – 18.07.2018 – 17.31h ` Marc Chagall - The Promenade

FERA E DONO

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  FERA E DONO * Tu estavas de joelhos frente à fera, Ao monstro que rugia e que rosnava. Na tua face impávida, severa, Nem sombra de temor se adivinhava. * A morte, ali, espreitando, à tua espera E cada gesto teu a ignorava, Como se protegido pela esfera De um aço que a vontade em ti forjava. * - A fera é o Soneto!, afiançaste. Não soube se o domaste, ou não domaste, Porque a noite caiu. Fiquei com sono. * Fui-me deitar. Ainda vislumbrei Em sonho os vossos vultos, mas não sei Qual de vós dois passou de fera a dono. * Maria João Brito de Sousa – 16.07.2018 -13.06h    

UMA VAGA PARA OS QUE NÃO CABEM NO POEMA

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  UMA VAGA PARA OS QUE NÃO CABEM NO POEMA * Talvez passe a haver vagas no poema Quando a sonegação ousar passar Com os sacos de compras por pagar Por não ter solução pró seu problema, * Ou quando a água for primeiro tema Da sede do poeta que sobrar Porque comer pão seco no jantar Deixou de ser excepção, passando a lema. * Cabe o operário, mesmo excedentário, Em qualquer canto de qualquer armário, Numa gaveta ou numa prateleira * Em que se esconda a fome de um salário, E eu aposto que, bem pelo contrário, As vagas vagam de qualquer maneira. * Maria João Brito de Sousa – 15.07.2018 – 11.11h * (Na sequência da leitura do poema “Não há Vagas”, de Ferreira Gullar)   Tela de Cândido Portinari  

SONETICÍDIO

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  SONETICÍDIO * Diz-me Manoel de Barros que do lixo Brota tudo o que serve a poesia. Eu, que poeto e que também sou bicho, Aplaudo essa ostensiva (alter)grafia. * Depois, sentada neste meu cochicho, (sobra-me entulho nesta casa fria) Observo o ´bric-à-brac` e chego ao nicho Duma verdade oculta, que eu nem via; * Sendo mestra em fazer coisa nenhuma, Rainha dos coxins de sumaúma E artesã do que houver de mais inútil, * Dedico-me à palavra. Uma por uma, Rejeito as que não tenham peso-pluma E rasgo as de aparência menos fútil. * Maria João Brito de Sousa – 14.07.2018 -18.44h  

LEITURAS CIRCULARES DE UM POETA POR DESVENDAR

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  LEITURAS CIRCULARES DE UM POETA A DESVENDAR * Oscila, Alberto. Eclode sem parar De onde a matéria por matéria é feita. Rasga na veia larga a fenda estreita Do tempo que não pára de sangrar. * Oscila o taco. A bola de bilhar Rola na direcção mais que perfeita... Mas corre agora, Alberto, que a suspeita Está mesmo à beira de te ultrapassar. * Alberto eclode. Eu torço por Alberto Que se contorce em vão. Visto de perto, Alberto é sem princípio e não tem fim. * E fico lendo Alberto, em desconcerto, Nas páginas de um livro sempre aberto Que se desdobra em mil dentro de mim. * Maria João Brito de Sousa – 13.07.2018 – 19.51h * (na sequência de algumas leituras de poemas de Alberto Pucheu)  

A MÃO QUE O VERSO CRIA

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  A MÃO QUE O VERSO CRIA * (Em verso alexandrino com rima encadeada) * Vem quase tudo quando um nada já me chega Disto que não se nega e cresce em descomando De encantos se encantando ao ver-me assim tão cega Que bem mais se me apega assim que, cega, abrando. * Disto me vou queixando aquando mal sossega A mão que tudo agrega e que me vai faltando Quando mais precisando estou da mão que entrega Que, hoje, tudo delega até sei lá eu quando... * Um nada sobraria e tudo, de uma vez, Sem comos nem porquês caindo à revelia Do que ela escandiria ao compasso de um mês, * Parece-me, talvez, pedir em demasia... Mas quem impediria o verso, um descortês, De aninhar-se onde o fez a mão que o verso cria? * Maria João Brito de Sousa – 13.07.2018 – 13.11h *  

SOMBREADO A GIZ

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SOMBREADO A GIZ * Pus-te as malas à porta. Fiquei nua Na fria solidão do hall de entrada Quando, nu, caminhaste pela estrada Que se estendia além da nossa rua. * Lá longe, um barco velho, uma falua Desfeita em claridade enevoada, Compunha aquela tela inusitada Prolongando uma sombra, que era a tua. * Alguém pintou o quadro. Eu nunca o fiz. Destes traços serei mero aprendiz, Que noutros fui esboçando o que encontrava * Nas águas do que quis, quando o não quis. Larguei o lápis, sombreando a giz As sombras que outra barca projectava. Maria João Brito de Sousa – 12.07.2018 – 12.33h    

PAISAGEM SURREALISTA

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  PAISAGEM SURREALISTA (Esboço experimental) * Linhas de ferro e seus pequenos troços, Quintais com poços fundos, junto ao cerro, Lá longe um berro: - Almoços! Almoooços! (mas aos meus ossos, onde é que os enterro?) * Cacos que agrego, estilhaços, destroços... Velhos e moços (um estará mais perro mas, se o desterro, vão-se-me os esboços...) Transpondo fossos onde eu caio em erro. * Um cão ladrando em vão num vão de escada Desabitada desde não sei quando, Vai relembrando o que era uma morada... * (pela calada, vai-me a mão falhando, que a não comando quando mal mandada e, se obrigada, vai-se-me negando) * Maria João Brito de Sousa – 12.07.2018 -16.16h *   (Soneto “martelado” e experimental, em verso decassilábico com rima encadeando na quarta e décima sílabas métricas)   Imagem - Tela de Giorgio De Chirico  

MUSA

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  MUSA   * Emerge a Musa e esparge a água salgada Que lhe moldava as ondas dos cabelos Na areia onde, não estando, estou sentada Desenrolando os fios dos meus novelos. *   Já se retira, a musa, mas do nada Em que pude pensar que pude vê-los, Emerge um verso, um só, que, extasiada, Vislumbro ao som de acordes muito belos. * Que Musa é esta musa imaginada, Que traz consigo acordes tão singelos E mos oferta assim, de mão-beijada? * Decifrá-los, não sei, só sei escrevê-los... Ah, não transcreva a nota em pauta errada A mão que lhe estendi pra recebê-los!       Maria João Brito de Sousa – 10.07.2018 – 14.34h   Gravura de Pablo Picasso    

A SONETISTA DA TRISTE FIGURA

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  A SONETISTA DA TRISTÍSSIMA FIGURA *** De mãos erguidas, mais ergo o nariz... Olha-me a Musa muito atarantada Que não percebe nada do que fiz E que se afasta, atónita, assustada. * Que coisa estranha!, é tudo o que me diz Quando me vê de pé, toda enlatada; - Ó musa, também eu fico infeliz, Mas há boas razões pra tal cegada; * Fiquei quebrada ao meio. Esta armadura Promete-me uma cura... ou meia cura, Que hão-de ficar sequelas por curar... * É incómoda, é feia, é muito dura, Põe-me nesta tristíssima figura, Mas pode ser que eu volte ao meu lugar... * Maria João Brito de Sousa – 05.07.2018 – 14.03h  

FRUTOS DA TERRA E DO MAR

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  FRUTOS DA TERRA E DO MAR (Soneto Alexandrino) Num verso me quis dar, versos fui semeando, Como se ao verso amando, eu mais pudesse amar, Ou se isto de criar fosse como ir podando, Sem saber até quando, hastes de algum pomar Que vai frutificando onde, em verso, brotar Pronto pr` amadurar, o que eu estava buscando... Se o sonhei, foi sonhando outra forma de estar Que acabei por murchar. E o verso... medrando. Quando em sal, marinando, esse fruto é do mar. Que me importa o lugar se lá chego nadando E só mesmo salgando eu o sei preservar, Ou talvez devorar, a mim me preservando? Qual de nós vai sobrando a nós dois, se eu pensar; Eu, ou ele a medrar? Ele, ou eu... definhando?   Maria João Brito de Sousa – 09.07.1018 -20.04h