AUTO-RETRATO MUITÍSSIMO IRÓNICO
(Soneto em decassílabo heróico) * Dez-reis de gente. A cinza dos cabelos Aponta ao mundo o estágio da velhice Que a pele ainda lisa lhe desdisse Por obra e graça dos seus desmazelos, * Pois nem sequer cuidou de nunca tê-los, E o tempo que não pára - que chatice! - Fugir-lhe-á antes que a pieguice Se lhe adiante aos versos que achar belos. * Dez-reis-de-gente-de-trazer-por-casa Que sem a casa nem sequer vai ter Esses restos de entulho em maré-vaza * Que lhe couberam quando ousou nascer; Ah, quando ousar morrer, decerto arrasa, Mas, certamente, só quando morrer. * Maria João Brito de Sousa - 24.06.2016 - 12.23h