ESTATUETA ANTIGA DE PEQUENO PORTE
ESTATUETA ANTIGA DE PEQUENO PORTE * Já fui menina. Tonta de impossíveis, Bebi marés de sal, movi montanhas, Moldei filhos e versos nas entranhas, Fui-me ajustando ao nível dos desníveis. * Se contada, contei-me entre os passíveis De estranhos serem entre almas estranhas, Se não contada, ousei, como as aranhas, Ir fabricando teias invisíveis. * Já fui a voz de todas as crianças. Inspirei belas telas e faianças. Fui de aguarela e de tinta-da-China. * Cresci, envelheci, fiz frente à morte; Estatueta antiga de pequeno porte, Eis o retrato desta velha ruína. * Maria João Brito de Sousa – 21.04.2020 – 11.30h