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ESPÓLIO

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ESPÓLIO * (Soneto monostrófico) * Quando eu partir, amigos - já me tarda no tempo cada passo nesta estrada -, Guardai da leda Musa que me (a)guarda Não mais que uma pequena gargalhada Nunca maior que um grão dos de mostarda Que espero que lanceis em terra arada... Cuidai de não queimar-vos, ainda que arda, Que o que vos deixo é tudo... e não é nada Porque não é memória que perdure, Ou som que repercuta e que se funda Com qualquer outro som que configure Mensagem que vos toque ou vos contunda... O mais certo é que o mundo ma descure Ou que com seus opostos ma confunda. *   Mª João Brito de Sousa 04.01.2023 - 14.20h ***        

URBANISMO VIRTUAL ou "As coisas que me restam"

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  Sobram, de mim, castelos virtuais Feitos de antigos sons que me roubaram E os altos torreões pedem-me mais Relembrando esses tempos que passaram   Enquanto elevo a ponte, ao longe, o cais, Chorando a solidão dos que ficaram, Faz ouvir o soluço dos seus ais Sobre as águas que sempre o abraçaram   À beira rio, ao longo de uma estrada, Erguem-se, instavelmente, os edifícios Com lojas que não vendem - mas emprestam… -   Pelas quais se prolonga, incontestada A humana natureza dos ofícios… E estas são as coisas que me restam.   Maria João Brito de Sousa 18.05.2010