SILÊNCIO II - Reedição
António de Sousa, o meu avô poeta fotografado pelo meu pai * SILÊNCIO II * Silêncio! Nem protestos nem queixumes Soltam os versos mortos insepultos: Perdem-se nos desertos dos ocultos As aves desgarradas, quando implumes. * Não há escudos pra espadas de dois gumes Nem há contra-veneno para insultos E o meu silêncio nunca paga indultos Nem serve a desistência em que o presumes * Arranco um verso ao prazo ultrapassado De um mísero estertor dos meus sentidos Que a ferro e fogo foi reconquistado * E já perdi a conta aos que, perdidos, Deixei ficar pra trás... Ah, naufragado, No teu silêncio afogo os meus gemidos! * Maria João Brito de Sousa 25.07.2021 - 13.22h *