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A mostrar mensagens de maio, 2013

SONETO A UMA QUALQUER LONGA VIAGEM

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  (Em verso eneassilábico)   Tenho mãos, tenho pés, tenho braços Que ergo rumo às fronteiras da vida, Caminhando e negando os cansaços Desta estrada de terra batida.   Passa o tempo e devolve-me aos traços As memórias da estrada vencida Na cadência sonora dos passos Pelos becos que o são sem saída.   Tanto beco e ruela já vi, Tanta estrada galguei, sem parar, Que, hoje, posso afirmar ser aqui,   Sobre os longes que andei, que corri, Que os meus passos me irão conquistar Na batalha de  ser quem escolhi.       Maria João Brito de Sousa – 09.05.2013– 17.22h   NOTA - Soneto reformulado a 01.09.2015

DIREITO À REVOLTA II

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    (Soneto em decassílabo heróico)     Naquilo em que acredito, eu acredito! Na minha pequenez de entendimento, Sei muito bem que quase nunca hesito Porque aquilo que sei tem bom sustento   No pouco que já li, de quanto é escrito. Se contrario alguém, muito o lamento, Mas não retiro nada ao que foi dito Pois, crescente de força e de argumento,   A palavra abre em flor, se tem razão, Florescente de cor, não se abre em vão, Se afirma o necessário àquele instante   E procura, entre vós, terreno são Se lança umas sementes pelo chão E cala a voz, mas deixa eco constante!       Maria João Brito de Sousa – 16.05.2013 – 15.56h     Desenho da série "Desenhos da Prisão" de Álvaro Cunhal. Imagem retirada da net, via Google

SEI DE UM TEMPO ou Mais Um Soneto de Abril

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    (Soneto em verso eneassilábico)     Sei de um tempo em que as horas sorriam Transmutando os seus ramos caídos Pelo peso das flores que nasciam Das sementes dos cinco sentidos   No reflexo da cor que exibiam E, ao torná-los em rifles floridos, Nesse apelo que as flores emitiam, Davam fruto entre os frutos nascidos.   Sei de um tempo que o dia acordou De uma noite de medo e cantou Como as aves que lavram caminhos   No mesmíssimo tempo em que eu sou Neste pouco de Abril que sobrou Da voragem de uns tantos, mesquinhos.       Maria João Brito de Sousa – 06.05.2013 – 11.24h   NOTA – Revoltemo-nos, porra!

SONETO INESPERADO ou Soneto à Coragem de Viver

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    (Em verso eneassilábico) Ai, Soneto esquecido, que voltas, Que te alheias das dores que me minam Que te acendes nas loucas revoltas Que nem deuses, nem mestres te ensinam, Que te enlaças nas pontas já soltas Desdobrado em gorjeios que trinam, Enfrentando, sem medo e sem escoltas O temor dos que em vão se aproximam. Ai, Soneto que eu nunca esperei, Que não sonho e nem sei bem se sei Se me nasces do espanto, ou das horas, Mas que exaltas, num mel que olvidei Nos tormentos da dor que calei, Quanta voz soltarei, sem demoras… Maria João Brito de Sousa – 04.05.2013 – 16.26h       Imagem - Desenho de Álvaro Cunhal (Série "Desenhos da Prisão")