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A mostrar mensagens de abril, 2010

POETA, ANTES DE MAIS...

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  Aqui, nesta cadeira em que me sento, Me assumo e sou Poeta a tempo inteiro. Outro poeta aqui escreveu primeiro E aqui se foi traçando o seu lamento.   Aqui escrevo, depois de tanto tempo, Meu estro de poema derradeiro De onde me vem arrojo verdadeiro De ser, antes de mais, poema ao vento.   Ser poeta, contudo, exigirá Uma vida vivida ao Deus-dará E um viajar por dentro a toda a hora.   "Poetar" é um verbo que nos dá A certeza de ser, não estando cá, De ser, mesmo depois de irmos embora.     Maria João Brito de Sousa - Abril, 2010           APELO - São três cachorros adultos (um macho e duas fêmeas) dóceis, amorosos e inteligentes:  O SCOOBY, a PIKENA e a  DICK . Se até ao dia 5 de Maio não conseguirem arranjar uma nova família serão enviados para o canil e lá, as probabilidades de sobrevivência são escassas. Se não puder acolhê-los, por favor, passe esta informação a quem eventualmente possa adoptar.   Contatos com: http://araujo.wordpress.com/2010/04/10/procuram-novo-lar/

O INTRUSO [perspectivas]

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  Repararam? A portinhola ficou aberta. São os vestígios daquele enorme intruso que todas as manhãs tenta invadir o meu espaço. Nunca consegue... é demasiado grande e desajeitado, mas continua a tentar, invariavelmente. Passa uns tempos naquela azáfama e acaba por deixar-me alimentos e água fresca como se com isso pudesse comprar a minha identidade... pobre intruso. Não é mau de todo, embora seja absurdamente ingénuo. Por vezes esforço-me por entendê-lo. Que razões o levarão a invejar-me? Sigo-lhe, curioso, cada movimento. Observo-o até que o tédio me force a recolher a cabeça sob uma das asas. Confortável, esqueço-o por momentos e mergulho neste oceano cuja nascente começa algures dentro de mim. Nunca é longo, o descanso... logo o intruso arranja forma de se tornar audível. Não sabe estar sozinho e solicita-me continuadamente. Por vezes - quantas vezes - sem paciência, volto a observá-lo. Cá no fundo, enche-se-me o coração de um dó que extravasa as minhas penas e as grades da gaiola. ...

TELA

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Serenamente pinto os amanhãs Do grito azul da forma inacabada E o meu eixo lunar das horas vãs Afasta-se, por fim, da antiga estrada   Talvez depois um rio venha abraçar-me Na transversal de um tempo por nascer Ou talvez seja tempo de encontrar-me Onde antes me pensei vir a perder   Serenamente azul, deponho um verso Junto à campa de um sonho que morreu Nos braços virtuais de cada estrela   Serenamente tomo o rumo inverso Do sonho matinal que se perdeu No branco intemporal da velha tela     Maria João Brito de Sousa - 27.04.2010      

ABRIL, SEMPRE!

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Eu trago Abril nas mãos, Abril no peito, Trago Abril na memória em tempos idos E trago, nos meus sonhos mais floridos, Um cravo que abraçava amores-perfeitos.   Abril, com qualidades e defeitos, Esse Abril dos projectos consentidos Que os homens e mulheres mais decididos Ergueram contra falsos preconceitos   Nasceu Abril na terra do canteiro Quando o mundo sentiu que Portugal Despertara, por fim, pr`a igualdade   O cravo floresceu no mundo inteiro, Toda a gente quis ter um cravo igual E fez-se ouvir um hino à liberdade!         Um feliz 25 de Abril para todos vós!   

MENSAGEM - Abril de 2010

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  Peço desculpa por me não identificar. Muito provavelmente nem deveria estar a fazer isto, mas senti que seria importante divulgar esta mensagem. Talvez me tentem descobrir através do IP, por isso serei breve. Estou aqui porque a mulher que criou este blog foi, ontem à tarde, detida para averiguações. Sei-o porque presenciei tudo, escondido atrás de uma sebe que ninguém se lembrou de sacudir.  Ao que parece, a mulher publicou um artigo no http://contra-sensual.blogs.sapo.pt/  que funcionou como elemento catalisador da detenção. Pelo que me foi dado entender, a mulher era alvo de um cuidadoso estudo por parte da PIDE e só não fora ainda detida por se não terem encontrado provas que consubstanciassem as suspeitas. O último post foi, no entanto, considerado subversivo e capaz induzir comportamentos desviantes.  Vi-a ser abordada por três agentes, mas não a ouvi abrir a boca a não ser para dizer que alguém teria de cuidar dos seus animais. Esta postura valeu-lhe dois valentes bofetões a q...

ATÉ AO FIM DO MUNDO

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    Até ao fim do mundo e de mim mesma, Nas diversas camadas do "sentir", Multipliquei-me inteira no porvir Das páginas de um livro, resma a resma E, até ao fim de cada pedacinho De um corpo que é de verbo entretecido, Sê-lo-ei pelo tempo consentido A quem coma do pão, beba do vinho… Até ao fim do mundo hei-de ser eu Quem foi verbo nas ondas, nas areias, Na lava dos vulcões, no seu clamor, Ou quem absurdamente pretendeu Fazer desabrochar milhões de ideias De um momento de raiva... ou puro amor… Maria João Brito de Sousa - 21.04.2010 - 13.54h          

A JUSTIFICAÇÃO DA SAUDADE

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  Vem-me da Lusa Mãe, este mistério Que, ao inundar-me a alma como um mar, Me deixa nesta condição lunar, Apanágio dos vates deste império...   Herdei do fácil verbo o ministério Das mil coisas que estão por inventar E esta introspecção, este sonhar, Que um dia há-de levar-me ao cemitério...   Esta alma lusitana que me invade, Preenche as mil lacunas do meu ser E faz justificar esta ilusão;   Se fomos criadores da tal "Saudade", Sejamos também donos do poder De transformar em "Causa" uma paixão.         Na foto - Minerva.

IN EQUAÇÃO

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(IN)EQUAÇÃO * Sou a soma de todos os momentos Que passaram por mim sem me matar Elevada à vontade de lutar Do mais rudimentar dos elementos.  * Recuso a submissão aos tais lamentos Que são, da poesia, o mais vulgar E faço a divisão do que sobrar Pelas parcelas nuas de argumentos *   Triângulo imperfeito, insubmissão Na explosão da palavra aleatória Em átomos que arranco ao que é comum,  * Serei sempre a aberrante inequação Da aritmética vã, contraditória, Em que o poema e eu somos só um. *   Mª João Brito de Sousa Abril, 2010 ***          

O MEU MANTO LUNAR BORDADO A OURO

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  … mas se eu perder o extremo privilégio Da estranha solidão deste meu lar, Perco o melhor de mim; perco o sonhar E a vida vai parecer-me um sacrilégio.   Perco toda a magia e o sortilégio Genuíno e natural de Poetar E fico a ser banal, fico vulgar Como um pobre lacaio em paço egrégio.   Ah! Doce solidão de que o poeta Sempre necessitou, desde a raiz, Sempre, ávido, guardou como um tesouro…   Sinto, já, que me foges, incompleta… E perco tudo aquilo que mais quis; O meu manto lunar com estrelas de ouro.         Disse David Mourão Ferreira acerca da obra de António de Sousa ; "Cada vocação é uma ilha, cada poeta um habitante solitário."

A DISSEMINAÇÃO

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  E se o vento, amanhã, vier zunindo E espalhar pelo mundo estes meus versos, Eu aceitá-lo-ei, será bem-vindo, Mesmo que assuma rumos muito adversos.   Sei que virá quando eu estiver dormindo, Que alguém lhe atribuirá poderes perversos, Que eu, então, partirei, que o tempo é findo Pr`a estes restos meus, enfim submersos.   Nada, porém, detém o que foi escrito Quando aquele que o escreveu acreditou E nisso pôs inteiro o coração.   O vento, se vier, será bendito, Concluirá, pr´a quem desencarnou, A continuada disseminação.         Querem saber uma novidade? A pequena Carolina Lucas está a vender rifas bem baratinhas para uma máquina de café! Vamos a isto?   http://www.carolinalucas.com/bazar/loja/produto_detalhe.asp?CategoriaID=64&SubCategoriaID=0&ProdutoID=1930

POETA, VIDA E OBRA

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  Não separes a vida de um poeta Do poeta que vive a sua vida Pois todo o seu percurso se completa Em sequência causal, sempre incontida.   Se entendes que é inútil, incorrecta, O erro será teu. Ela é cumprida Até ao fim da página secreta Do livro dessa sua intensa lida.   Não separes os dois. Não os separes, Se acaso te passar pela cabeça Vir a julgar o quanto sente e exprime.   Poeta, vida e obra… se os julgares, Repara que ele, sem medo, se confessa Quando uma insana culpa, a ti, te oprime…          

ESPERO POR TI

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  Espero por ti na esquina de um segredo, Às sete da manhã de um qualquer dia, Com a mesma impaciência e alegria Da criança que aguarda o seu brinquedo.   Estou sozinha, na esquina, e sinto medo... Não posso nem explicar quanta ousadia, Que estranha compulsão me guiaria Os passos sobre as pedras do lajedo?   Já não sei se virás. Que Deus nos guarde! Não tarda irão abrir-se outras janelas, O sol há-de nascer, far-se-á tarde…   Não te esqueças de mim, sozinha, aqui, Esperando essoutro alguém que não revelas Enquanto eu vou esperando só por ti…          ESTE É O LINK PARA O SITE DA PEQUENA CAROLINA LUCAS http://www.carolinalucas.com/   FAÇAM DE CONTA QUE É A MENINA DA FOTOGRAFIA QUEM VOS ENCAMINHA PARA LÁ... A CAROLINA PRECISA MESMO DE VOLTAR A CUBA PARA DAR CONTINUIDADE AOS SEUS TRATAMENTOS.

OLHAR PARA TRÁS, SEGUINDO EM FRENTE

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  Olhei-te e, nesse olhar que vem de dentro, Descobri forças e fragilidades, Amores, desilusões, cumplicidades, Nas mil nuances desse humor cinzento…   É nesse teu olhar que agora enfrento, Que eu, que não sei dizer senão verdades, Descubro o intruso gérmen das saudades Desabrochando em verbo e sofrimento.   Mas o tempo passou. Cristalizado, Foi ficando p`ra trás esse passado Quando lançada à terra outra semente   E quero lá saber que o resultado Me possa até magoar! Maior pecado Seria andar p`ra trás, olhando em frente.        IMAGEM - MENINA LOROSAE, Maria João Brito de Sousa, 1999 (vendido)

PALAVRAS DAS MINHAS MÃOS

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  Vieste tu, sarcástico e soturno, Com essas mãos terrenas, maculadas, Impor-me o teu amor de horas marcadas, Claramente insolúvel e nocturno.   Não sei que madrugadas me chamavam, Que, embora alvoroçada, desprezei As tuas mãos terrenas e sem lei, Mas sei que as minhas mãos se interrogavam;   Que lonjuras, que estradas lá virão? Que abrigos, que caminhos, que desnortes Te esperam nessas mãos que te procuram?   Eu escutei-as a elas, mas tu não… E que me importa a mim que tu te importes Se as palavras das mãos em mim perduram?           NA FOTO - Os meus cinco anos, na varanda da avó Maria Augusta, com a Nice.

AUTO-RETATO III

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  Eu sei-me neste mundo e noutros tantos... Que a Terra me perdoe e, se puder, Que acolha este meu corpo de mulher Enquanto eu me procuro noutros cantos...   Que me perdoe a Terra estes quebrantos, Este voo, estas asas de aluguer... Irei aonde o sonho me quiser E aonde ele me aponte outros encantos...   Na minha etérea estrada, eu chegarei Até onde alcançar e voltarei Só para descansar, de quando em vez...   Mas voo novamente e não sei estar... O corpo nunca muda de lugar Mas a minh`alma alcança o que não vês!     Curiosidades - Será impressão minha ou o sorriso não mudou mesmo nada? Passaram 53 anos entre a foto de cima e a de baixo...

AQUILO QUE FAÇO AQUI...

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  Eu escrevo Poesia. Não duvidas, Decerto, do papel que desempenho, Tão claro quanto o esboço de um desenho Que pode melhorar algumas vidas.   Vou convocando as almas mais perdidas - ou tento, pelo menos… - porque tenho Tarefas que me deram de onde venho E sinto que terão de ser cumpridas.   Ainda me não crês. Como Tomé Precisas de tocar, de ter nas mãos, Não entendes o que é ser-se escritor…   Poemas, afinal, são como a fé; Importantes, p`ra uns, p`ra outros, vãos. Mas experimenta, então, fazer melhor...      IMAGEM - Os meus quatro anos. Ao meu colo, um dos filhos da Nice, a Fox Terrier da avó Maria Augusta.