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DOIS SONETOS AO SOM DE UM ALAÚDE

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  DOIS SONETOS AO SOM DE UM ALAÚDE I Creio em mim porque como e durmo e escrevo E creio, muito mais do que o que posso, Que quais águas que brotam de algum poço Também de mim sei rir, se a tal me atrevo... Creio em mim por dever-vos quanto devo E também por, traçando um mero esboço, Poder tentar pagar-vos cada almoço Com versos, quando em versos me transcrevo. Creio na dor, na fome e na alegria E, às vezes, exp`rimento a nostalgia Dos gestos fúteis duns pequenos nadas, Mas nunca creio em musa que, vazia, Tente vir conceder-me a anestesia Prá dor das minhas horas mais magoadas. II Creio em mim na doença e na saúde Como abelha que engendra o próprio mel; Julgo-me doce e creio em mim no fel Dos meus defeitos, se faltar virtude. Creio em mim quando a pauta não me ilude E há música em meus versos de papel Que soam e se lançam num tropel Como vibrantes notas de alaúde. Creio nas coisas das quais sou descrente; Choro e gargalho como toda a gente E sou de antes quebrar que de torcer. De todos,...