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A mostrar mensagens de janeiro, 2026

QUE PODE O VENTO FAZER?

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Imagem Pinterest * QUE PODE O VENTO FAZER? *   Que pode o vento fazer Pra expressar moderação Se o seu destino é correr De alta pra baixa pressão? *   Às vezes manso, calminho, Deixa em nós uma frescura Que torna leve o caminho Quando o calor nos tortura *   Outras, porém, de rajada, Sem cuidar do mal que faz, Leva tudo de abalada, Não pára nem nos dá paz! *   Mas... que pode, então, fazer Um pobre dum furacão Se nunca faz o que quer E em si próprio não tem mão? *   Um dia, sentes-lhe a falta: Faz calor e ele adormece Mas logo se sobressalta E o pé-de-vento acontece *   Rouba a roupa ao teu estendal E chicoteia-te o rosto Não qu`rendo fazer-te mal Nem provocar-te desgosto... *   É assim por natureza O vento que reconheces E que te abala a certeza De seres tudo o que pareces... *   Como posso maldizer Sem ponta de compaixão Quem nem sequer tem poder Pra mudar de direcção? *   Maria João Brito de Sousa * Portugal

L`IMPORTANT C`EST LA ROSE

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Tela de minha autoria fotografada e digitalizada por Vítor Martinez * L`IMPORTANT C`EST LA ROSE * Da natureza emerjo e sou quem sou Consciente de aqui estar, mas tão serena Que ao espelhar-me em luares de lua plena Aguardo receber quanto lhes dou * E moldo cada raio que brilhou Sem me sentir culpada, ingrata, obscena, Por espinho, dissabor ou qualquer pena Que emerja desta flor que del` brotou… * Então repasso o disco semi-gasto De um mundo inexistente em que me basto E hoje serei lunar porque me apraz * Ter um corpo distante, inerte e casto, Do qual, sem dar por isso, só me afasto Se me acontece qu`rer sem ser capaz * Maria João Brito de Sousa 19.01.2013 – 19.43h *** Reedição reformulada

MOTE E GLOSAS

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ESTE EU QUE AQUI GRAFO

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* ESTE EU QUE AQUI GRAFO *   Seja este EU que aqui grafo, um TU fraterno Ainda que jamais paterno seja Por não crer que haja um céu nem um inferno Nem um poder mais alto que proteja * Este EU, que és TU, do gelo deste Inverno, Da agressão, da calúnia, da inveja, Dos desgovernos deste desgoverno, Dos fanatismos vis e da peleja * Se ambos lutamos do lado da PAZ E sei que este EU, que és TU, é bem capaz De, nessa luta, dar-se todo inteiro * Não sendo crente, creio no que digo: Castigar-te seria o meu castigo Venhas TU de onde venhas, forasteiro! *   Mª João Brito de Sousa 23.01.2026 ***

MOVER MONTANHAS

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Imagem Pinterest * MOVER MONTANHAS * Não te procurarei até que venhas E que tragas contigo o que levaste De mim, que te dei mais que o que sonhaste, De mim, que hoje abandonas e desdenhas * Como se as tuas glosas fossem estranhas Aos versos que comigo partilhaste Por isso voa até onde te encantaste Ainda que voando me detenhas * Mas se em verdade, Musa, me olvidaste, Enquanto noutras vozes te entretenhas Ache eu a voz da voz que em mim calaste * E ainda que me percas se me ganhas, É no poema que hoje me negaste Que encontro força pra mover montanhas. *   Mª João Brito de Sousa 19.01.2022 - 13.45h ***

PARTIR SEM TER SONHADO

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Eu com a Nice 1956 PARTIR SEM TER SONHADO *   Sou apenas um bicho, um bicho humano, Diurno, persistente, ensolarado, De corpo estoicamente habituado À dor do desconforto, ao desengano *   Às coisas que me vão causando dano E a outras que me vão criando enfado, Mas comigo convivem, lado a lado, Ao longo do percurso, ano após ano *   Se o digo, é por senti-lo e, sem cuidado, Dispenso-me indagar se, sendo, agrado, Ou se erro por não ter traçado um plano *   Mas caia, ou não, a nódoa em alvo pano, Nunca direi que estou sem ter cá estado, Nem que daqui me vou sem ter sonhado. *   Maria João Brito de Sousa 19.01.2015 -23.45h ***    

IMPROVISOS

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DEZASSETE DE JANEIRO

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Fotografia de Carlos Ricardo * DEZASSETE DE JANEIRO * Irei desintegrar-me em dez segundos Após a conclusão do que decreto Aqui, preto-no-branco, a branco e preto, Em caracteres ousados e rotundos * Há vermes a soltar viscos imundos Sobre o que já foi sonho e foi projecto E agora pode ser o mais abjecto Dos actos sujos, vis, nauseabundos... * Nada de novo aqui, neste poema: Bem melhor abordou o mesmo tema Henriques Britto, o bom soneticida * Que no seu "Dezanove de Janeiro" Fuzilou um soneto passageiro Meteu-se na "bagnole" e fez-se à vida. *   Maria João Brito de Sousa Portugal * Inspirado no soneto "Dezanove de Janeiro" do poeta brasileiro Paulo Henriques Britto * Bagnole - automóvel, veículo de 4 rodas ou carripana em francês

NAS TUAS MÃOS

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   Fotografia de Carlos Ricardo  * NAS TUAS MÃOS *   Nas tuas mãos eu, ave, te confesso Que esvoaço, sucumbo e, já rendida, Procuro nessas mãos uma guarida Em que a chama que sou não tenha preço * Eu, ave, só te entrego o que não peço: Submeto-me à carícia prometida Nas asas da loucura em mim escondida Que tu não sonharás e eu nem meço * E que outra ave marinha ofertaria Tanta e tão profundíssima alegria, Que outra alma se daria em seda pura? * As tuas mãos… quem mais se atreveria A desvendar-lhes sede e fantasia Para enchê-las de amor e de ternura? *   Maria João Brito de Sousa Maio 2007 ***    

CRUZANDO O RUBICÃO

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Imagem Pinterest * CRUZANDO O RUBICÃO * Já terão todos migrado Deste bairro hoje fantasma? Serei eu um ectoplasma Que expirou sem ter notado? Está vazia, a casa ao lado... No Sapal paira o miasma De uma solidão que pasma O mais bem acompanhado... Que é do sapinho encantado Que tanto me entusiasma? * Percorro as ruas vazias... Nem o vento me acompanha Nesta caminhada estranha E as horas tornam-se frias, Pesadas como manias Que alguém, tendo, não detenha Por ser tarefa tamanha Que só as melancolias A igualam, nalguns dias Em que alguma em nós se embrenha... * Nem vivalma! E percorri O Sapal todo inteirinho Sem vislumbrar um sapinho Dos tantos que havia aqui... Nem notei mas, sim, morri E este é um outro caminho, O tal que se faz sozinho Quando nos vamos daqui... Não fui eu que decidi E, para trás, deixo um ninho * Mas não tenho alternativa... Não posso dizer que não Estando em decomposição O corpo no qual fui viva E, hoje, sou alminha à d`riva... E agora? Que direcção Me aponta este cora...

TEMPO

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Imagem Pinterest * TEMPO * Tu dizes Eu como quem bebe um copo de astros e esculpes os corpos nas arestas do dia a dia com a leveza das mãos que não tens *   Tu dizes Vida como se ela estivesse ainda por nascer e continuas a moldá-la e a cobri-la dos indispensáveis acessórios: as teias, os fungos, as algas, os dourados bolores... *   Tu passas como se de todo não passasses e não tens memória que,  a essa, somos nós nós bichos e sombras e plantas e serenas pedras de todos os caminhos que ta vamos doando para que nela te possamos (re)conhecer * Maria João Brito de Sousa 15.01.2019 – 12.43h ***   Hoje, no meu blog de sonetos, um poema que não é um soneto...

UMA MORADA NO SAPAL - Reivindicação

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UMA MORADA NO SAPAL * Reivindicação * Sei que não pagámos renda, Que ninguém nos cobrou nada Pra morar nesta morada Que nunca esteve pra venda, Que é muito mais que uma tenda E que, não sendo alugada, Nem por IMI colectada, Nos surgiu como oferenda: Receber tão bela prenda Deixa uma escriba encantada! * Uma casa num sapal Arejadinha e espaçosa, É uma coisa espantosa, Não tem nada de banal: Ter-se um jardim ou quintal No qual plantar uma rosa, Um cravo ou uma mimosa E ainda erguer um varal, É a alegria total, É uma coisa fabulosa! * Formámos um bairro ordeiro, Muito alegre e populoso Que par`cia auspicioso Até vir o frio Janeiro Porque Janus, traiçoeiro, O tiranete manhoso, Anunciando o fim do gozo Acabou c`o bairro inteiro Sem consultar-nos primeiro Nem cuidar do nosso pouso * Aqui nos manifestamos Plo direito à habitação Nesse espaço de eleição Em que raízes e ramos Há muito tempo criámos! O Sapo é o nosso chão E é del` que brota a paixão Com que hora a hora nos damos. * Cá crescemos,...

QUEM CANTA A VIDA NÃO SABENDO AMÁ-LA?

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Imagem Pinterest *   QUEM CANTA A VIDA NÃO SABENDO AMÁ-LA? * Quem canta a vida, não sabendo amá-la Ou quem modula um verso que não ama, Se em espanto se lhe acende como chama E se, à chama, não há como apagá-la? * Se mal começa o verso a chispa estala E sobre tudo e nada se derrama, Como não entender que se proclama Amor, onde a palavra se não cala? * Ah, se o reduzo à literalidade, Como hei-de conceder-lhe a liberdade De ainda o ser depois de escrito e lido? * Se o fixo entre erotismo e sedução, Como livrar-me, então, da sensação De havê-lo amado, usado e destruído? *   Maria João Brito de Sousa 13.01.2019 – 13.00h ***

O GRANDE BANQUETE DO SONETO

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                                                                                        Na pastelaria Paris, no dia do meu septuagésimo terceiro  aniversário * O GRANDE BANQUETE DO SONETO * - Convite - * Bem-vindas ao soneto, ó ruas velhas, Ó portas antiquíssimas, ó escadas, Ó casas pela vida abandonadas, Ó telhados sem gatos e sem telhas * É entrar, ó banheiras que sois selhas, Ó janelas sem vidros nem portadas, Ó cortinas de juta empoeiradas, Ó espelho fosco que ainda me espelhas! * É entrar verso a verso e com cuidado Na estrofe que vos cedo por momentos, Que eu tenho a mesa posta e colocado * Sobre a condicional dos meus intentos, Prontinho, à vossa espera, o meu teclado E, ao abrigo do sonho, os meus talentos. * Maria João Brito de Sousa 12.01.2017 -19.22h *** ...