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CONVERSANDO COM SÁ DE MIRANDA - III

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Imagem gerada/processada pelo ChatGTP *** QUE FAREI QUANDO TUDO ARDE? * * Desarrezoado amor, dentro em meu peito, tem guerra com a razão. Amor, que jaz i já de muitos dias, manda e faz tudo o que quer, a torto e a direito. * Não espera razões, tudo é despeito, tudo soberba e força; faz, desfaz, sem respeito nenhum; e quando em paz cuidais que sois, então tudo é desfeito. * Doutra parte, a Razão tempos espia, espia ocasiões de tarde em tarde, que ajunta o tempo; enfim vem o seu dia: * Então não tem lugar certo onde aguarde Amor; trata traições, que não confia nem dos seus. Que farei quando tudo arde? * Sá de Miranda in 'Antologia Poética' *** QUE MAIS PRETENDES TU, SE TUDO ARDE? * Sempre que em chamas arde este meu peito, É certo que um poema irá nascer Qual cavalo de fogo a percorrer Um novo espaço que eu tão só aceito * Da razão não me aparto e estou sujeito À tentação de nela me perder Se acaso o fogo não parar de arder E eu me consumir nesse ígneo leito * Mas Amor e Razão vi...

MÃOS III

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Imagem Pinterest * MÃOS III * Ó mãos hábeis, vadias, mãos sem dono, velhas mãos condenadas cuja pena será a sina ingrata e não pequena de despertardes mal vos chegue o sono... * Mãos que encontrais um verso ao abandono numa outra mão que pára e vos acena com mel e vinho e hastes de verbena nas mansas tardes de um qualquer Outono * Ó mãos rudes, gretadas de tão frias, imprudentes, inquietas, fugidias, que sempre que sois voz a não calais * Parai e reparai que estais vazias! Quem vos roubou o sonho e as alegrias e assim vos despojou de tudo o mais? *   Mª João Brito de Sousa 10.03.2024 - 21.00h ***    

GLOSANDO ANTÓNIO DE SOUSA III

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NUVEM Lá longe, aonde a vida me começa - sorria por engano um sol de Inverno - Não sei que deus me fez sua promessa E fui outro menino, ávido e terno. Mas a infância passou, nua e depressa - subira o Sol como um clarão de inferno - E fiquei-me neste ar de quem ingressa; Grotesco, trivial, falso e moderno. - Número sete, um passo em frente! - Pronto! (A voz que me chamava, certa e calma, Não viu que eu avançava cego e tonto...) Achou-me assim, o tal que me perdeu! - Ó nuvem! - tarde triste da minh`alma, Quem por seus sonhos sofre como eu? António de Sousa In "Livro de Bordo" (2ª edição) Editorial Inquérito PÓDIO "Lá longe, aonde a vida me começa", O Tempo é bem mais lento do que eu sou; Corro, passo-lhe à frente a toda a pressa, Sou quem ao próprio Tempo ultrapassou! "Mas a infância passou, nua e depressa" E a vida, quando os passos me travou, Provou-me que, vivendo, se tropeça Onde jamais o Tempo tropeçou... "- Número sete, um passo em frente! - Pront...