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A mostrar mensagens de julho, 2009

OS FICCIONISTAS

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  E eram estas mãos que mo pediam! As mesmas mãos que um dia tanto deram, As mesmissímas mãos que me perderam E agora, envelhecidas, me doíam...   As mesmas mãos que à terra me prendiam E que agarrada à vida me tiveram, As mesmas mãos que me sobreviveram E que agora, de mim, se despediam.   Mas são ainda mãos! Humanas mãos, Benditas pela entrega tão total Dessoutros mesmos dons que Deus lhes deu.   São elas que vos tocam, meus irmãos... as mesmas que, não querendo fazer mal, Vos falam do que nunca aconteceu.     Imagem retirada da internet

ICEBERG

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    - Sobressinto esta dor de ser quem sou E sei-me derramada nas planuras, Em castelos imensos  , nas alturas… Água que intenso frio já congelou!   Um iceberg cujo topo perfurou Um céu que se perdeu noutras lonjuras, Um bloco inerte e cheio de fissuras Que o sol não derreteu nem cativou…   Sobre-sinto este frio que transformou Em gelo este meu corpo e, das funduras Que esta montanha imensa contemplou,   Eu sobre-sinto em gelo o que passou… Sou, como tantas outras criaturas, Produto do que Deus pr`a mim sonhou.     Imagem retirada da internet

UM CASTELO DE NADAS

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Um castelo de nadas, feito á pressa, Um bocejo a calar o que se diz, A comichão na ponta do nariz, Eis a noite de sono que começa…   Uma breve oração, uma promessa De tentar ir além, ser mais feliz, Um não-ligar ao que em nós contradiz O que se foi juntando, peça a peça…   Um sonho, um nada em forma de castelo A pairar sobre mim que estou a vê-lo Como se construído além-vontade…   Ali, aonde um nada se faz tudo, Aonde morro e, lúcida, me iludo Em aproximações de eternidade…       Foto de Marco Atraca, retirada da internet

DICOTOMIA II

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  Assim transformo a prosa em poesia E transmuto a palavra em verso e rima Devolvendo aos meus sonhos de menina A sedução do sonho e da alquimia. Depois retorno ao mundo. Que ironia, Saber-me assim tão velha e pequenina E descobrir em tudo o que me anima Uma incessante e nova melodia! Transposta esta alquimia e desvendado O mistério das horas improváveis Do dealbar de todas as manhãs, Ouve-me, irmão que me olhas encantado; Sou senhora das rimas incansáveis, Mas serva das promessas menos vãs... Maria João Brito de Sousa - 28.07.2009    

GÉNESE

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    Nem eu sei, nem tu sabes, nem sequer O sabe quem ousou pensar sabê-lo… Nunca existiu resposta pr`ó apelo Que em nós traça o caminho que quiser.   É cada vez mais forte e, se puder, Sem que alguém o entenda ou possa vê-lo, Embora nada exista a defendê-lo, Ele há-de sempre em nós prevalecer.   Esse apelo da vida pela Vida, O sonho inexplicado-inexplicável Que a nossa humana essência definiu,   Símbolo da maçã que foi mordida, Perfeita insurreição da alma instável Que um dia, por Acaso, em nós surgiu…    

OS DOIS REINADOS

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Sob um sol que me aquece e me ilumina, Redobro a fértil flora dos sentidos E é de   pétalas que teço os meus vestidos Que mudam consoante esteja o clima…   Depois, morrendo a luz que vem de cima, Vergam-se os verdes caules, já rendidos, Desistentes, talvez comprometidos Pela luz de um luar que se aproxima   E devolvendo ao dia o seu calor, Contemplo a Lua sob o céu estrelado, Mergulho no luar e vou deitar-me,   Pois Sol e Lua…nem sei qual melhor... Se ambos me  trazem presa ao seu reinado, E ambos reluzem só pr`a cativar-me...     Maria João Brito de Sousa - 24.07.2009     Imagem retirada da internet   NOTA - Soneto ligeiramente reformulado a 16.08.2015    

IDEOGRAMA

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    Eu queria… eu queria tanto ser, da Lua, Pequeno coração a palpitar, Alimentado a raios de luar Na representação de uma alma nua…   Eu fui, eu fui, do Sol, o raio ardente A brilhar sobre o planeta inteiro, Sereno, flamejante e verdadeiro No derramar da Luz pujante e quente.   Também já fui montanha e gelo e fogo, Raiz de lírio branco e de embondeiro, Guelra de peixe e ovo pecador…   Serei um dia ideograma ou “logo” De tudo o que já fui… “Eu” derradeiro, De essência transmutada em puro amor.     NOTA -  A foto é especialmente dedicada ao meu amigo Fisga, do Planeta-Sol. Já tem umas semaninhas, mas eu estou com um problema de iagem para o qual não consegui - ainda! - arranjar solução...    

PARADIGMA

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      Via-se, sem se ver, sem se cuidar, Paradigma de um espírito qualquer, Acreditava ter em seu poder A réstia da razão por apurar.   Traçou caminhos, ousou mergulhar, Nunca, jamais, cuidou de se esconder E fez tudo o que quis… sem o fazer Pois tudo o que podia era sonhar…   Mas foi dono e senhor e transcendeu Na Terra a condição do sonho seu Resolvendo, afinal, o seu enigma.   [Não sei bem se foi cá, se foi no céu Que o Poeta, em si mesmo, aconteceu E se tornou, por fim, um paradigma.]     "Tête de Cheval" - Pablo Picasso   Imagem retirada da internet

NOS OLHOS DELES

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    Já vi, nos olhos deles, a solidão - na lágrima um poema a marinar… - . Já vi, nos olhos deles, aquele pesar De quem, no fundo, quer pedir perdão.   Apontei o olhar na direcção De outros olhos dif`rentes no pensar, Vi lágrimas em vez daquele olhar Que os olhos que são deles tinham, então.   Já vi, nos olhos deles, o brilho imenso De quem ousa sonhar, ir mais além, De quem já exp`rimentou, um dia, a morte.   Nos olhos deles vi tudo o que não penso, Vi tudo o que pensei e vi também Que os meus partilham sempre a mesma sorte.    

PÃ E A GRAVIDADE DA MAÇÃ VERDE

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    Revejo-te nos olhos de ninguém. Das saudades, se existem, nem memória… Terás, decerto, criado outra história E eu, sozinha em mim, vivo-a também.   Sobrevivi à morte e fui além. Passados uns anitos de vã glória Por cômputo final, tenho a vitória E a certeza de, agora, ser alguém.   Eu meço a vida noutros decibéis! Sou a cópia de Pã com sua flauta Numa floresta-mãe por inventar.   Desvendo os meus mistérios em papéis, Dispenso os improvisos de outra pauta, E vivo do que só eu sei criar…    

UM PARAÍSO A CADA ESQUINA

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  Encontro um paraíso em cada esquina Das horas que flutuam indolentes, Esqueço as que já passaram, que, doentes, Me acompanharam desde pequenina.   É nesta condição quase divina Que eu encaro as manhãs e os poentes, Que me julgo mais crente do que os crentes, Que, mesmo estando velha, eu sou menina...   Abro as asas à beira da cratera, Sorrio e, apesar de condenada, Derramo o corpo inteiro e voo enfim...   Não sei bem se voei... mas quem me dera... Nesta esquina das horas, não sei nada, Nem sequer sei o que há-de ser de mim...      Tela de Maria Helena Vieira da Silva Imagem retirada da internet

FORMAS E CONTRASTES

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        Tal como a fera hirsuta, na voragem Da candura das horas por nascer, Assim surge o poema, a transcender O ingénuo simbolismo da paisagem.   Erguendo-se, inicia uma viagem No caminho que está por percorrer Exactamente aonde fez crescer O vulto então criado à sua imagem.   Nem sempre é mansa a forma que ali nasce… De repente, improvável, cresce e faz-se Muito maior do que o que a concebeu;   Outras, mesmo pequena, ela é, contudo, Agressiva de forma e conteúdo E luminosa… ou escura como breu!     Imagem retirada da internet

DESCOBERTAS

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Montando o meu corcel de ondas celestes - se a Pátria se render, a culpa é minha! – Traço na Troposfera uma só linha Nestas andanças lúdicas, equestres…   Depois do Norte-Sul, vêm os Lestes E, talvez, a Poente, uma adivinha: De quanta imensa onda se avizinha, Qual é a que me leva, um dia destes?   Descubro e reinvento horizontais Atenta ao doce canto dos jograis Que vêm festejar o estranho evento.   Alguém, que me avistou, faz-me sinais Mas eu navego ainda e quero mais! Hei-de voltar se, um dia, tiver tempo…   Imagem retirada da internet

A TÔMBOLA INFINITA

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A TÔMBOLA INFINITA *     Ribombam os trovões, ruge Vulcano E os mortais, na terra, vão gemendo, Sucumbindo, de novo, ao deus horrendo Que assim lhes infligia angústia e dano *   Sobre o vulcão, activo há mais de um ano, Surge uma imensa nuvem, num crescendo E entre os que morrem e os que vão nascendo Ergue-se, de repente, o ser humano *   O mesmo que dá vida, a vida tira, Um que sufoca, outro que respira… Floresce a planta, eclode, incerto, o ovo *   Selvagem mundo agreste e compulsivo! Mundo que adoro e que me traz cativo Na tômbola infinita do renovo! *   Mª João Brito de Sousa   Julho 2009 ***      

OS ABRAÇOS DOS COMETAS

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Já não como, já não bebo, Já não há nada a fazer E, tanto quanto eu percebo, É assim que tem de ser.   Fomos mães, somos poetas E sentimos sempre mais Os abraços que os cometas Sabem dar aos animais!   Percorri mil madrugadas Vestida de cinza e prata, De viver fiquei cansada, Mas, mesmo assim, estou-te grata… Fosse noite ou fosse dia Eu contei c`o teu carinho E, mesmo nesta agonia, Sinto que estou no meu ninho…   Fomos mães, somos poetas E sentimos sempre mais Os abraços que os cometas Sabem dar aos animais!   Também eu fui oportuna, Dei todo o amor que tinha E tu tiveste a fortuna De te não sentires sozinha. Nesta vida que vivemos, Ambas nos demos inteiras, Of`recendo o que pudemos De mil dif`rentes maneiras… Sei que também estás doente, Tenho-te ouvido gemer. Tu, de mim, não és dif´ rente Estamos ambas a morrer…   Fomos mães, somos poetas E sentimos sempre mais Os abraços que os cometas Sabem dar aos animais!   Quem me dera que ficasses, Que escrevesses sob...

CONTRA-FLUÊNCIAS

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Diz-se e, desdizendo, nega, é agressivo, Faz o que não deve e encontra razões Onde não houver nem um só motivo Para os desacatos, para as confusões…   Está, decerto, morto mas pensa estar vivo Está sempre iludido, mas sem ilusões, Julga-se enganado, sente-se cativo, Sempre adivinhando novas transgressões…   Sofre. Sofre tanto que nem imagina Que o caminho é feito tão naturalmente, Quanto o vento sopra, quanto o sol se deita,   Quanto o riso cresce em cada menina, Quanto a aurora nasce, quanto o Verão é quente, Quão certo é o tempo da nova colheita…       SONETO ALEXANDRINO 

PERSPECTIVAS

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Descobre e planta e rega o teu legado Como se, sendo o bem mais precioso, Te tornasse mais útil, vigoroso, Independente `inda que conquistado.   Descobre o que em ti há que te foi dado Sem te tornares austero e rigoroso. Revela esse estro louco, ambicioso, Que te traz, lá no fundo, angustiado   E quando o descobrires, quando souberes O papel que te cabe nesta história, A essência que enfim te justifique   Que te faça maior – se perceberes Que nem sempre ganhar será vitória –, Serás feliz. [E haverá quem critique…]          

THE TEASER

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A espuma do pomar das ondas bravas, Do vaivém das marés, bordando a linho No rebordo do mar que é o seu ninho, Areias tão submissas quanto escravas,   Redobra o seu trabalho de escultora, Desenha e redesenha uma fronteira, Ameaça e esquivando-se, matreira, Recua e assim se nega, a sedutora;   Explode em branco puro e regozija Quando dispersa, etérea e imparável, Deslumbra e surpreende o deslumbrado…   Louca é a espuma e não há quem lhe exija Que se torne prudente ou razoável… Ninguém que ouse dizer-lhe: - Isso é pecado!     Imagem retirada da internet    

ESSÊNCIA II

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        Nunca encontrei ninguém que plagiasse As rimas que os meus dedos vão tecendo… Citá-los? Tudo bem! Eu compreendo, É bem melhor do que se os publicasse!   Tudo extasio e tenho a liberdade De amar a vida e de expressá-la assim! De aumentar, dia a dia, o que há em mim, Enquanto partilhar esta verdade.   Por mais forte que fosse a tentação, Por muito que of`recessem, não vendi Este eixo do sentir, a minha essência.   Estou em paz c`o meu próprio coração Pois disse o que sentia e não menti... Pr`além desta assumida incongruência.    

HERANÇA II

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    Deixo-vos, filhos meus, depois da morte, Os raios de luar sobre as cascatas E, nas horas mais duras, mais ingratas, O sopro rugidor do Vento Norte.   Deixo-vos, filhos meus, palavras, traços E o barro tenro que haveis de moldar, Um infinito inteiro a conjugar Numa premonição de mil abraços.   Deixo, de mim, um rasto de cometa, Um papel escrito, o húmus da caneta A despontar em verde e negro e branco   E deixo estas roupagens de poeta Lavadas num lagar de tinta preta Contestando o sorriso aberto e franco...     Imagem retirada da internet    

O COMETA

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  Conservado o esplendor original Do momento real já capturado Fica o cometa ali, cristalizado, Fotografado e bidimensional.   Permanece no tempo e, afinal, Pode ser cada vez mais partilhado Por cada um de nós que é contemplado Com essa visão mágica, ideal...   Sorrio. É um sorriso agradecido. O sorriso de quem vai recordando As horas dos afectos que passaram.   Sorri, talvez, por ter reconhecido O rasto que o cometa vai deixando Nos humanos olhares que o contemplaram. l     Imagem oferecida por http://artesaoocioso.blogs.sapo.pt/       Mais Poesia no http://liberdadespoeticas.blogs.sapo.pt/2547.html "Palavras Sentidas" de Idalina Pata    

HOJE A LUA...

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  Hoje a Lua está mágica e crescente… Parece o astro-rei que, embranquecido, Se tivesse entregado, já vencido Por esse halo de prata transparente.   Hoje, a lua reluz omnipresente! Seduz o astro-rei que, já rendido, Parece ter-se, enfim, comprometido Num enlace irreal, incongruente.   Hoje a lua – se é lua o que ali vejo – Vestiu-se de brancura e de desejo, Conquistou meia Terra e, já cansada,   Despediu-se de mim, roubou-me um beijo, Foi-se deitar assim que teve ensejo E deixou-me a sonhar estando acordada…         Imagem retirada da internet     Uma sugestão literária no http://premiosemedalhas.blogs.sapo.pt/ Passem por lá - é só fazer click no link! - e encomendem!