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A mostrar mensagens de maio, 2024

NAS TUAS MÃOS - Reedição

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Fotografia de Abel Ferreira Simões * NAS TUAS MÃOS *   Nas tuas mãos eu, ave, me confesso E esvoaço e sucumbo e já rendida Espero delas a graça de uma ermida Onde a chama que sou não tenha preço * Eu, ave, tudo entrego e nada peço: Submeto-me à carícia pressentida Nas asas da candura em mim escondida Que tu não sonharias e eu nem meço... * E que outra ave marinha ofertaria Tão extrema e profundíssima alegria? Que outra se te daria em seda pura? * Às tuas mãos, quem mais se atreveria A desvendar-lhes sede e fantasia Para enchê-las de espanto e de ternura? *   Maria João Brito de Sousa Maio 2007 ***

MÃE

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    Fotografia de António Pedro Brito de Sousa * MÃE  * Soneto Bordado a Linho Sobre Cetim * Nestes versos que engomo a ferro quente sem uma ruga que ensombre, no fim, este lembrar-te quando, estando ausente, te não recordas, nem sequer de mim, * Neste auscultar-te como se presente te mantivesse, eternizando assim, doce, a memória, quando é tão dif`rente de ver-te viva, bordar-te em cetim... * Neste dizer talvez nada sabendo - suave inocência dos momentos tristes -, nesta ilusão que sei, mas nunca entendo, * Te afirmo que, apesar de tudo, existes: Estás nas palavras em que aqui te prendo e na certeza de que em mim persistes. * Maria João Brito de Sousa 03.05.2015-02.48h *** In Antologia Horizontes da Poesia VII  

NÃO HÁ FIM PARA O SONHO, NÃO HÁ FIM - Reedição

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Tela de Álvaro Cunhal * NÃO HÁ FIM PARA O SONHO, NÃO HÁ FIM... * Não há, neste planeta, mar nem céu, Estrada longa demais, alta montanha, Ponte suspensa sobre um medo teu Que te trave esse sonho e, coisa estranha, * Um pouco desse sonho é também meu, Um nada dessa chama em mim se entranha E aonde chegar, chegarei eu, Pois nisto ninguém perde. Só se ganha. * Não há fim para um sonho construído, Nem haverá lugar para o vencido Num sonho desta forma partilhado * Se, quando te pareça ver-lhe o fim, Vês que mal começou dentro de mim E que outros vão nascendo ao nosso lado. * Maria João Brito de Sousa 02.05.2018 – 12.54h ***  

DIALOGANDO COM CAMÕES NO SEU QUINGENTÉSIMO ANIVERSÁRIO XXX

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Imagem Pinterest "A Morte de Safo" - Miguel Carbonell Selva * * DIALOGANDO COM CAMÕES NO SEU QUINGENTÉSIMO ANIVERSÁRIO XXX *   Formosos olhos, que na idade nossa Mostrais do Ceo certissimos signais, Se quereis conhecer quanto possais, Olhai-me a mim, que sou feitura vossa. * Vereis que do viver me desapossa Aquelle riso com que a vida dais: Vereis como de Amor não quero mais, Por mais que o tempo corra, o damno possa. * E se ver-vos nesta alma, emfim, quizerdes, Como em hum claro espelho, alli vereis Tambem a vossa angelica e serena. * Mas eu cuido que, só por me não verdes, Ver-vos em mim, Senhora, não quereis: Tanto gôsto levais de minha pena! * Luís de Camões. *** Tal como pelo Céu, por vós aspiro Não tão serena quanto imaginais Porquanto inda de vós não vi signais E em minha solidão por vós suspiro * Tão queda estou, Senhor, neste retiro Onde mal chega o canto dos pardais Que não posso entender porque julgais Que dessa vossa pena gôsto tiro *   Não podendo fugir de penas ...

O CRAVO - Custódio Montes e Mª João Brito de Sousa

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  O CRAVO * Coroa de Sonetos * Custódio Montes e Mª João Brito de Sousa * O cravo vai andar sempre comigo Bem posto, bem erguido a encantar De dia com a luz a despertar Sinal de liberdade, paz e abrigo * Que o cravo nos liberte do perigo De novas trevas virem apagar Os sons que trouxe abril no seu cantar Mostrando em cada canto um amigo * Cravo vermelho é essa a sua cor Que o rubro cravo não seja esquecido Ouvindo ao alto o rufo do tambor * No cano da espingarda ao alto erguido Pleno de liberdade ao seu redor Para que o povo não seja vencido * Custódio Montes 30.4.2024 *** 2. * "Para que o povo não seja vencido" Neste claro atentado contra Abril Há que arrancar a besta do covil E que acordar quem ande distraído * Não vá este país ser engolido Depois de ter caído noutro ardil, Reacendamos a chama viril De um povo a que chamámos Povo Unido * E se são nossos esses ideiais De tecto, educação, saúde e Paz Façamos por torná-los bem reais * Que dizes, Portugal? Inda és capaz De cump...

COM A VOZ QUE TRAZEMOS NAS MÃOS

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COM A VOZ QUE TRAZEMOS NAS MÃOS *   Nestes punhos magoados que se cerram Por razões bem mais fortes do que a dor, Eu trago estas palavras que se elevam Como as de outro qualquer trabalhador *   E, se morrer sem voz porque me enterram Tentando refrear o meu ardor, Jamais terei traído os que delegam A voz na voz de quem lhes dá valor! *   Ah, nunca mais o medo a meias-vozes! Não mais a submissão aos tais algozes Que vão escavando abismos financeiros *   Entre um punhado de ´bem recheados`, E os infindos milhões de injustiçados Que esse abismo transforma em prisioneiros! *   Maria João Brito de Sousa 04.10.2011 – 02.18h ***