ÀS TRÊS PANCADAS - Ícaro revisitado no século XXI
ÀS TRÊS PANCADAS * Desafiou o espaço. Abriu as asas E sentiu-se voar, voar, voar... Olhou em derredor por sobre as casas Buscando um galho, um ramo onde pousar * Queimava o sol, no alto, como brasas, E o vento, que soprava a bom soprar, Desvirtuou-lhe alturas, que viu rasas Apesar do seu rumo se afastar * Cada vez mais e mais das tais ramadas Sobre as quais (re)pousar, de asas fechadas, E o quente sopro, que o alienava * Haver-lhe distorcido as coordenadas Ao ponto de enviá-lo, às três pancadas, Pra lonjuras das quais ninguém voltava * Maria João Brito de Sousa – 16.05.2018 – 13.03h