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A mostrar mensagens de março, 2018

BOA PÁSCOA - 2018

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  BOA PÁSCOA (2018) Faz vento, morde o frio e ruge o mar, Mas é já tempo da renovação Que Ostera nunca deixa de engendrar Nos campos que incendeia de paixão, Na vida, que começa a despontar, No gesto que se rende à compulsão De ver, de abrir os olhos, de acordar Pra receber a nova geração. Que esse futuro seja bem mais justo, Que a chama seja mera alegoria E nos não traga morte, horror e susto, Que não sucumba a Vida na agonia De tão caro pagar seu próprio custo E que, de vez, se esmague a tirania! Maria João Brito de Sousa – 30.03.2018 – 08.56h      

O MEU GASTO TAPETE DE BEIRIZ

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    Aposto a minha vida, a minha morte E até a lira desta minha musa Na vontade do Homem que recusa Obedecer calado à própria sorte. No que ergue a bujarrona e ruma a Norte, Faz frente à tempestade, arrisca, abusa, E, quando injustiçado, investe, acusa, Aposto. Aposto sempre. Aposto forte. Mas no pavão, no falso e capcioso, No que protesta só pra ter o gozo De se ouvir tanto mais quão menos diz, Nesse tolo fanático e vaidoso Não aposto uma linha das que coso No meu gasto tapete de Beiriz! Maria João Brito de Sousa – 29.03.2018 – 14.46h  

UM POUCO MAIS DE MIM

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  UM POUCO MAIS DE MIM   Um pouco mais de mim, que nada sou, E um pouco mais de tudo o que não tenho; Num quase, quase nada me desenho E noutro quase nada aqui me dou,   Eu, sombra de outra sombra que passou, Eu, qual reminiscência de algo estranho E anseio sem potência, nem tamanho Para alcançar aquilo que sonhou.   A sombra não desiste, mas pondera; - Se nada disto existe, quem me dera Que à sombra se sonhasse o sol dos dias...   Pelo raiar do dia a sombra espera, Sonhando enquanto aguarda... é Primavera E nem todas as sombras são sombrias!     Maria João Brito de Sousa – 28.03.2018 – 10.18h       NOTA – A um título “usurpado” à poeta/poetisa Maria do Rosário F. Serrado Freitas.       

QUINDETO

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  MINHA BARCA   Minha âncora num mar de aceso espanto, Meu sangue e minha carne retalhada, Minha amurada em tábuas de pau-santo, Minha palavra acesa, se negada Na rota do meu traço e do meu canto,   Tantos dirão que não te quero nada, Quando te quero tanto, tanto, tanto, Que me levanto, mesmo abalroada, E te dispenso sem ceder ao pranto,   Se o mar te chama mais do que eu te chamo, Ou se a maré reclama o que eu reclamo E me prende num cais por inventar,   Num cais de sonhos que nunca acordaram Porque no teu convés nunca embarcaram,   Quando, sem ti, nem sei se sei sonhar.         Maria João Brito de Sousa - 27.03.2018 – 10.11h   **********   NOTA - O Quindeto é um poema composto por quinze versos distribuídos por cinco esfrofes; uma quintilha, uma quadra, um terceto, um dístico e um monóstico.   O esquema rimático é o seguinte; ABABA BABA CCD EE D   Esta fórmula poética que foi criada em 1966 pelo poeta brasileiro Benedito Machado Homem, pode desenvolver-se em versos que vão das oito à...

DEADLINE

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      Saudades? Essas, tenho-as das corridas E das longas conversas com meu pai... Do mais, toda a saudade se me esvai, Do mais, foram lambidos sangue e f`ridas   E embora vez por outra concedidas, Pequenas como ramas de bonsai, Nunca me atormentaram – perdoai... - Saudades de outros tempos, de outras vidas...   Tudo tem o seu tempo, no seu espaço, E, aqui, sobram-me as horas de cansaço, Que é grande o esforço pra tanto equilíbrio;   Neste fio de navalha o tempo é escasso E a cada passo piso um espigão de aço Da lâmina acerada do ludíbrio.       Maria João Brito de Sousa -26.03.2018 – 11.00h      

OS NÓS DOS FIOS

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      Desata-me esses nós ou fico presa a rictos tão banais quanto vazios, eu, cuja verdadeira natureza é a da Terra quando pare os rios,   Ou em vulcões vomita lava acesa gerando ardências nos locais mais frios... Aqui me encolho à escala da grandeza na pequenez de humanos desvarios,   Mas se do que te afirmo saio ilesa, ou me descrês capaz de tais desvios, lembro-te tudo quanto sirvo à mesa   Nos frutos mais precoces ou tardios dos versos de quem nunca te despreza e há muito desenreda os nós dos fios...       Maria João Brito de Sousa 20.03.2018 – 17.09h

NOUTRO LAPSO DE TEMPO

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  NOUTRO LAPSO DE TEMPO   Acordo como as aves libertadas do suavíssimo amplexo de Morfeu, mas só dois cotos de asas depenadas me restam pra tentar sondar o céu,   Ou ir poisar nas telhas assentadas por outros que são aves como eu... Já só palavras trago... e desgastadas e fartas de saber que o risco é meu.   Sou livre e, em simultâneo, a prisioneira que, sujeita a viver desta maneira, desmente tudo aquilo que não tem   E enquanto alguns não sabem que fazer, sei quanto faço pra sobreviver, sei quanto peno por não ser ninguém.   Maria João Brito de Sousa   20.03.2018 – 11.12h   Escrito na sequência da leitura do soneto “Num Lapso de Tampo”, de Albertino Galvão . .  

GLOSANDO UM MOTE DE JOAQUIM SUSTELO

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  MOTE “Ah, quanto tempo levará ainda Para mudar as coisas na verdade! Até que a viela venha a ser tão linda Como outro qualquer ponto da cidade!” Joaquim Sustelo (editado em COMO UM RIO…)       “Ah, quanto tempo levará ainda”, Quanta incerteza aos pobres desilude Numa dureza que nunca mais finda, Pra que isto mude, irmão, pra que isto mude?   “Para mudar as coisas na verdade(?)”, Leva-se a vida em esforço a tempo inteiro Que a estrada que nos leva à igualdade Está bem guardada pelo deus-dinheiro.   “Até que a viela venha ser tão linda” Como a Rua do Sonho em Construção, Dar-se-ão passos que não terão vinda, Lutas de geração em geração...   “Como outro qualquer ponto da cidade(!)”, Fervilha essa viela de paixões Mas, cá por dentro, sei que a liberdade Verá cair o tal deus dos cifrões!     Maria João Brito de Sousa – 16.03.2018 – 11.44h     NOTA - Não é soneto, mas todo o poema é construído em verso decassilábico (heróico)  

COM ALMA

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    Não sei explicar-te quão feliz me faz ver-te florindo em verso, ó produtora do instante em que a “poiesis” se demora para firmar raiz num chão capaz, Mas trazes-me alegria e dás-me a paz que te transmuta em linha condutora deste (re)verso que ao meu gesto aflora ainda que, hoje, frágil e fugaz... Nasce, cresce e subsiste esta empatia mútua e fecunda, toda melodia e força e gesto e fruto da amizade Que tão espontaneamente cresceria entre nós duas, rumo à Poesia que a ambas nos comanda e nos invade. Maria João Brito de Sousa – 15.03.2018 – 14.44h À MEA, na sequência da leitura do seu livro “Desafios Com Alma”, Euedito - 2018