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A mostrar mensagens de dezembro, 2010

A PONTA DO VÉU

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    Disto, que te não escondo, nada nego; Nem o intenso olhar com que te fito, Nem, vago, o esgar da dor que quase evito Mas te revela o meu desassossego.   Do resto, que não disse, nem delego Na boca de outro alguém, pois não admito Que um outro assuma aquilo que foi escrito Noutro modo verbal que nunca emprego,   Do restante - dizia – e dessas letras Que, em tempos, me ficaram por escrever Nos papéis que recordo (ou vejo e sinto?),   Surge a ponta do véu que esconde as metas Que nunca revelou, mas, sem saber, Te irá, depois, mostrar que te não minto.       Maria João Brito de Sousa – 29.12.2010 – 19.01h    

RABISCANDO UMAS ASAS DE PAPEL

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    Cada verso me nasce, sem pedir, Com asas de papel, corpo de chama, Quando, nele, em voz alta se proclama Tudo quanto me doa… se o sentir…     Cada verso que "roubo" é, sem mentir, Isento de razão, alheio à fama, Surgindo como a chuva se derrama Sobre eternas planuras a florir.     Cada qual se reforça quando afirma Seu derradeiro apelo à solidão; Rabisco mal  esboçado, mas urgente     De quem dispensa um outro que o redima… Por cada verso, a ponte em suspensão Entre aquilo que sou e toda a gente…             Maria João Brito de Sousa - 29.12.2012 - 14.51h

O DIA "SIM"

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  Há dias em que tudo me transcende; A rota de um cometa, a Terra, o Céu… [as coisas que aqui vejo, Deus mas deu, mas só porque, quem sou, logo as entende…]     Nesses dias, serei quem compreende Que o mundo, revelado, é todo meu, Que basta levantar a ponta ao véu E a chama que há em mim logo se acende…     Mas se é certo que um dia não são dias, Que os mais me trazem duras agonias, São coisas que se esquecem pois virão     Os que trarão sorrisos, alegrias, Os do deslumbramento e fantasias; Há sempre um “dia sim” nas “vidas não”...         Maria João Brito de Sousa - 28.12.2010 -12.09h

DA INEXPLICABILIDADE DO POEMA

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      PUPPEN THEATER - 1923 – Aguarela sobre fudo de giz sobre dois papéis, debruado a aguarela e pena sobre cartão Paul Klee         Como se me nascessem quando quero, Como se eu carregasse num botão E se materializasse a inspiração, A tal que só me vem quando a não espero...   Como se fosse simples! Não tolero Ser submetida a tanta sujeição! Mas, se sou eu quem me comanda a mão, Quem o comanda a ele? E desespero...   Mostra vontade própria, esse poema Que faz o que quer porque nasceu Do que não sei explicar, desse mistério   Que veio não sei de onde e, sem um tema, Desceu sem me dizer por que cresceu Tal qual como um ser vivo, sendo etéreo.     Maria João Brito de Sousa – 23.12.2010 – 17.10h         NOTA DE EDIÇÃO - Por esta estrada*, caminha-se para o subtítulo do Poetaporkedeusker, para a minha paralela paixão pela biologia, para o entendimento – ou não… - da abstracção e para todas as inexplicabilidades. Esta foi construída por mim e traz marcadores que são meus, que têm a ver com...

PARA ALÉM DA DOR - Humana Condição II

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  Não escreverei até que as mãos me doam Pois muito além da dor, ainda escrevo E, às vezes, digo tudo o que não devo Que nem deuses, nem o homens me perdoam,     Mas, se pressinto as rimas que ressoam E se acaso as alcanço, onde me atrevo, Prendo-as nas duas mãos que logo elevo Em estandartes, como aves quando voam.     São asas transcendentes, vigorosas, Vermelhas como as pétalas viçosas Que preferem morrer a ser vencidas       Em estrofes que persistem, que, teimosas, Brandem espinhos agudos, como as rosas Que sempre os usarão quando colhidas.             Maria João Brito de Sousa – 22.12.2010 – 00.13h                       http://www.dominiopublico.gov.br/   - Um site que recomendo e que corre o risco de terminar por ter muito poucos visitantes

A BEM DA VERDADE

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  Noutro ponto qualquer desta viagem, Num dia a que não sei dizer o nome, Encontrarei, talvez, força e coragem Pr´a negar esta absurda, humana fome.     Terei, enfim, traçado a minha imagem E não haverá mundo que me dome Pois serei, de quem fui, simples miragem A diluir-se na luz em que se some.     Será num tempo ainda por chegar, No desaguar de um rio que ruma ao mar Na barca destas tábuas que talhei…     Será onde eu couber, mas há-de ser! E é tudo o que, pra já, posso dizer Porque, a bem da verdade, eu nada sei!         Maria João Brito de Sousa – 20.12.2010 – 19.59h

SÁBADO, DOMINGO E SEGUNDA FEIRA XXIV

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    MISTÉRIOS DE TODAS AS POÉTICAS     Há gotas de suor nos meus sonetos, Jorrando de outros poros, porque os meus Não podem entender tantos dialectos E portam-se, por vezes, como ateus     Que pasmam só de olhar os riscos pretos Feitos – quem sabe… - pela mão de Deus, Destes grafismos estáticos, erectos, Que descrevem o Mar, a Terra, os Céus…     Inunda-me, o poema, o corpo inteiro, Escorrendo como a tinta de um tinteiro Que outro alguém, derrubando, não quisesse     Aceitar nas palavras que eu emprego E, à pressa, derramasse um grito negro Sobre o que eu escreveria… se pudesse.         Maria João Brito de Sousa – 18.12.2010 – 18.36h       CONDICIONALISMOS, COMODISMOS E RECEIOS, S.A.     Eu cantaria a rosa que há em mim, Mas posso muito bem vir-me a esquecer, Ou mesmo perguntar-me, até ao fim: - Se um espinho me picar, irá doer?     Eu cantaria as ervas de um jardim Até o mundo olhar e entender Mistérios numa haste de alecrim... Mas se ele for cego e nunca o puder ver?     Há preconce...

DA SINUOSIDADE DOS RIOS E DA QUALIDADE DOS DISCURSOS

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  Há rios mais caudalosos, outros menos, Há-os com margens planas, ou escarpadas, Com percursos maiores, ou mais pequenos, Com e sem quedas de água alvoroçadas... Há discursos que são como venenos Cheios de frases “feitas”, tão estafadas, Que não contribuirão pr`ó que aprendemos Pois só repetem coisas já escutadas… Há rios que têm leitos tão constantes Que, ao passar, deixam tudo como dantes, Que nunca nos farão nem bem, nem mal… Assim se hão-de pautar vossos discursos; Os rios mais sinuosos nos seus cursos Podem nem nos trazer grande caudal…     Maria João Brito de Sousa – 16.12.2010 – 20.12h

O NASCIMENTO DA PALMEIRA - Uma perspectiva metafísica

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      Na tarde imaginária e soalheira De um pedaço de terra por escrever, Isolada, crescera uma palmeira Junto a um curso de água por nascer.     Ninguém soube dizer se era a primeira Pois não teve ninguém pr`á receber E ninguém nos dirá se a derradeira Pois sei que mais ninguém a pode ver.     Na tarde calma despontou, contudo, Fazendo ouvir um estranho apelo mudo Que não seria audível pr`a ninguém.     Nasceu,  mas foi por pura antinomia Ou  mera sugestão de uma ironia Que a neguei mas que quis nascer, também.         Maria João Brito de Sousa – 14.12.2010 – 19.12h  

PARA O OUTRO LADO ...

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  De um céu escuro, fechado e opressivo, Surge aquele astro em vias de reforma Que não pára, que brilha e contra a norma Nos dizem estar sobejamente vivo!   Pr`a leigos, aquele astro é tão excessivo, Quão impensável tudo o que transforma O ecrã plúmbeo de uma tarde morna Num filme censurável, intrusivo...   Que astro seria aquele que então brilhava, Que, passando a correr, se partilhava Sem que ninguém soubesse de onde vinha?   Que mistérios trará? E nem sequer Nos mostra claramente o que nos quer, Nos dá conta da luz que o encaminha…       Maria João Brito de Sousa – 09.12.2010 – 18.56h     NOTA DE EDIÇÃO DE POST – Eu, como qualquer revolução que se preze, também paro em todos os sinais vermelhos…

PING-PONG

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    Quem, querendo dar-me vida, a perde assim Decerto desconhece o que sobrou Desta anímica força que há em mim, Ou desconhece mesmo quem eu sou… Desconhece este jogo até ao fim E o treino de o jogar que me ficou Depois de ter vencido, ao dizer; - Sim! A partida a que a morte me forçou… Mas, sendo assim tão frágil, todos pensam Que o que eu vos relatar será mentira, Exagero, talvez… mera invenção! Neste Ping-pong, à espera que me vençam, Troféu que já ganhei, ninguém me tira! [bolinha que cair… fica no chão!]     Maria João Brito de Sousa     Imagem retirada da internet

AFINAL... - sonetilho

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    El` que, ali, tanto se dava Lá ficou sem perceber Do que essa gente falava; De trabalho e de dever?     Afinal, quem é que estava A “desafinar” sem qu`rer? Ele, ao ser feliz, mostrava Que “dar” significa “ter”…     Melhor seria calar-se, Fazer de concha e fechar-se Sobre essa sua riqueza!     Afinal, isto de dar-se Pode, por vezes, mostrar-se… Quem sabe?… indelicadeza?         Maria João Brito de Sousa

UM OUTRO ASTRO DE CABELEIRA

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  De um céu escuro, fechado e opressivo, Surge aquele astro em vias de reforma Que não pára, que brilha e contra a norma Nos mostra estar sobejamente vivo!   Pr`a leigos, aquele astro é tão excessivo, Quão impensável tudo o que transforma O ecrã plúmbeo de uma tarde morna Num filme censurável, intrusivo.   Que astro seria aquele que então brilhava, Que, passando a correr, se partilhava Sem que ninguém soubesse de onde vinha?   Que mistério encerrava? E nem sequer Nos mostra claramente o que nos quer, Nos dá conta da luz que o encaminha…       Maria João Brito de Sousa – 09.12.2010 – 18.56h     Imagem retirada da internet - Cometa sobre o deserto de Atacama, Chile      

SETENTA E SETE VEZES...

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  Setenta e sete vezes el` tentou, Setenta e sete, sempre a escorregar! Só depois disso tudo reparou Que nunca voltaria a dominar…     Setenta e sete vezes el` tombou, Setenta e sete vezes, a bramar, Tentou erguer-se em vão. Se se queixou, Foi por já não poder, sequer, tentar…     Pobre Mostrengo, fraco e desistente, Que, dantes, derrotara tanta gente Agora agonizando há tantos meses     Sem alguém que, doído, o socorresse, Sem mais erguer-se porque, se o fizesse, Morria mais setenta e sete vezes…           Maria João Brito de Sousa – 08.12.2010 – 20.46h     Imagem retirada da internet    

UM POST SÓ PARA OS QUE ENTENDEREM MUITO, MUITO BEM O QUE EU QUERO DIZER COM ISTO. SEI QUE OS HÁ...

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  QUE TENHAM UM FELIZ NATAL E QUE O MENINO JESUS VOS POSSA ENCHER O SAPATINHO DE... DISCERNIMENTO!       Não pensem que vos desejo pouco. Não queiram ser como a senhora do conto de Baudelaire que ficou muito triste e se sentiu prejudicada quando a Fada Madrinha ofereceu à sua filha o dom de “agradar”… O discernimento é importante. Tão importante que, sem ele, o próprio amor – falo do amor oblativo, do que promove e se concretiza na gratificação de DAR – não faria grande sentido e vós correríeis o risco de “Dar” aquilo que menos útil, ou mais prejudicial, pudesse ser a alguém, completamente alheios ao velho ditado; “de boas intenções está o inferno cheio”. Não que eu acredite muito nessa coisa do inferno, com caldeirões e tudo… nesse aspecto sou muito Kantiana e acredito que o que conta são mesmo as boas intenções… mas só para a consciência de quem as pratica, claro, porque o pobre “alvo” da tal “boa intenção”, esse, estará completa e irreversivelmente “lixado”. Por isso e porque estand...

SER DE ABRIL

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  Abril estava tão longe… era Janeiro Ou outro mês qualquer dessa invernia Que nos cobria o céu a tempo inteiro, Que afastava de nós toda a alegria…     Estava tão longe Abril, mas o primeiro Sorriso que, brilhando, em nós crescia, Enfrentava esse inverno derradeiro Cumprindo o renovar que prometia…     Nunca seria fácil ser de Abril Que Abril sempre exigiu trabalho, voz E a vontade que alguns não sabem ter     Desfez-se – tanta vez… - em águas mil, Mas volta a ser Abril em todos nós Se a alma nos conjuga o verbo querer!               Maria João Brito de Sousa    

QUARTA E QUINTA FEIRA

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    AONDE O MEU BALOIÇO OUSOU PEDIR-ME...     Na manhã desse dia eu quis voar, Mas estava presa à terra e vacilei… Só no dia seguinte é que voei Sem que o mundo me ousasse aprisionar Não sei se era de noite e se o luar Me abençoou, ou não, quando lancei Corpo e alma no espaço e conquistei O direito a poder, ou não, pousar Foi depois que nasceram os poemas, Que as asas, a crescer, ganharam penas E me senti mais perto de cumprir-me Era eu menina e as asas que cresceram Eram frágeis demais, nunca puderam Levar-me onde o baloiço ousou pedir-me…     Maria João Brito de Sousa – 30.11.2010 – 19.26h       NO OLHAR DE CADA SEM-ABRIGO     A pobreza tem voz, tem dignidade, Sabe de cor a cor dos nossos medos, É arauto gritando os mil segredos Que nunca revelamos de verdade Se chora, chora mesmo! É a saudade, São as horas amargas dos degredos, São as noites passadas nos lajedos Dos edifícios velhos da cidade… A pobreza diz mais, sem dizer nada, Pois conhece os degraus de cada escada, Desdenha...