A MINHA DOR * Esta minha dor física é real, Tanto quanto o cenário de combate No qual este meu corpo se debate, Para meu mal maior, sem qu`rer-me mal... * Por mais cruel que seja e mais brutal, Condená-la seria um disparate: Vá, sofre a tua dor, pequena vate, Que à dor maior, sofreu-a uma imortal! * A minha dor é uma cabana velha A que o vento arrancou, telha por telha, A cobertura, o abrigo e o conforto... * É nela que o meu corpo inteiro mora E é no dossel do musgo que a decora Que se espelha e renova assim que morto. * Mª João Brito de Sousa 27.04.2022 - 21.00h *** Memorando o soneto homónimo de Florbela Espanca