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A mostrar mensagens de outubro, 2008

DAS FUNÇÕES DO SONHO

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  No meu posto. Estou sempre no meu posto! Só devo abrir a porta a quem bem quero, Mas vou-a sempre abrindo e já nem espero Ouvir-te a voz, ou divisar-te um rosto...   Estou no meu posto. É este o meu lugar! Quem me adivinha a dor de ser feliz? De sonhos me alimento e da matriz Das mil e uma formas de os sonhar,   Porque o sonho é subtil como os conceitos; Ensina a (pre)sentir, a acreditar, Germina tal e qual como a semente   E ao descer sobre ti, tem mil direitos, Mas também o dever de te acordar De quanto te adormeça inutilmente.       Maria João Brito de Sousa - 13.10.2008 - 17.28h       Imagem - " A Sesta" - Almada Negreiros  

A MISSÃO

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Há um planeta inteiro p´ra salvar! As Musas deste céu que me ilumina Deram-me esta missão quase divina Numa noite de estrelas e luar...   Assumo esta missão, sem hesitar, E encontro outro Quixote em cada esquina, Mas é Sancho, afinal, quem me fascina Ao vir lembrar-me a hora do jantar...   Viro costas às Musas, já rendida (a carne é poderosa, quando chama...) E volto ao aconchego do meu quarto.   Talvez noutro amanhã... talvez a vida A traga, de bandeja, à minha cama, Quando saciado esteja o corpo... e farto.     Maria João Brito de Sousa - 30.10.2008 - 14.57h       (Imagem retirada da internet)  

MONEY, MONEY, MONEY! - MONEY MAKES THE WORLD GO... DOWN!!!

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São dívidas, são contas, prestações, Infernizando o fim de cada mês Nas horas pontuadas por: - Talvez... Ao pedir emprestados uns tostões...   É a bolsa, é o "spread", são os balcões Onde uma longa espera cede a vez Aos eternos rosários dos "porquês?" Do desatento ouvinte das razões...   O dinheiro, afinal, é a medida Que quando falta a todos torna iguais; Nunca medindo a fome a cada qual,   Se a um, em vez de pão, faltar bebida, Nem esse tem mais sorte que os demais No dia em que lhe falte o "vil metal"...     Maria João Brito de Sousa -29.10.2008 - 22.31h     Imagem retirada da internet

MARIA-SEM-CAMISA XV

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Maria-Sem-Camisa nunca trai. Pode, às vezes, zangar-se, "olhar de lado", Mas guardará consigo o que contado Lhe possa dar razão. Mas cala e sai.   Maria-Sem-Camisa está zangada? Foi porque alguém tentou manipular A forma de "se ser", de "se sonhar" Porque o resto a não toca quase nada...   - Maria-Sem-Camisa, olha-me o gato Que ao perpetrar tamanho desacato deixou a casa inteira em desalinho!   Mas Maria desata à gargalhada; - Deixá-lo! Mesmo assim, desarrumada, Há-de ter sempre a dimensão de um ninho...     Maria João Brito de Sousa - 28.10.2008 - 17.03h     "Ashes" - Edward Munsch Imagem retirada da internt                  

ALEGORIA DA VIDA

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Eu tenho um coração que dizem d`ouro, Mas que é músculo, sangue e muito ardor, Batendo a descompasso. Ao seu redor, Palavras, cores... seu único tesouro...   Eu tenho um coração descompassado, Pequeno como um punho ou um nó-cego. Humano coração a que me entrego Apesar de ser tão desacertado...   Um coração rebelde, em sintonia Com horas de tristeza e de alegria Num percurso de vida como tantos...   Um coração que, exposto em "Galeria", Se transforma em humana alegoria Da vida, com seu mal e seus encantos...     Maria João Brito de Sousa - 27.10.2008 - 13.33h     À Helena, com um grande abraço, pela criação da Galeria http://mariajoaobritodesousa.synthasite.com/  

DOS ETERNOS ATRASOS

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Exímia a vasculhar entre as memórias, Descubro mil tesouros manuscritos! E são tesouros mesmo! E são benditos! São os antigos traços de mil histórias.   E é sempre o acaso (ai, o Acaso...) Que vem trazer-me às mãos o que eu encontro. Tudo isto que vos digo, o que aqui conto, É a razão do meu eterno atraso...   As coisas deste tempo vão esperando... Eu sei que encontro mais, mas não sei quando, Desta matéria-prima muito minha.   Atraso-me ao sabor destes meus dias No acaso de antigas companhias. Atraso-me por nunca estar sozinha.       Imagem retirada da internet e multiplicada por mim com a sempre bem-vinda ajuda do Acaso.  

O HERÓICO SONETO (em verso heróico)

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Eu só faço o que sei, não sei se faço Aquilo de que os outros necessitam, Mas dou-lhes estes sonhos que me habitam E ofereço-me, inteirinha, nesse abraço.   Se o faço, é porque assumo o próprio traço Com que agradeço aos poucos que o visitam E aos que, vindo ler-me, me creditam Um pouco de valor por este espaço.   Um traço, um esboço, um esquiço, o meu perfil, O meu sorriso - tanta vez subtil... -, Que aqui se cumpre ao vosso bem-dispôr   E este pequeno mundo, (in)coerente, Transforma-se em Futuro, no Presente E tange em verso heróico a minha dor.       Maria João Brito de Sousa - Outubro de 2008 -   Imagem - Pormenor da tela "ESCORÇO - Grande Pintora a Lápis-de-Cor, Maria João Brito de Sousa, 2007    

O PRAZER, segundo uma Poeta porque Deus quer

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Quando o prazer me chama, eu pinto ou escrevo E tão feliz me sinto, e satisfeita, Que me sinto mulher-quase-perfeita No festivo tecer do meu enlevo!   Porque é puro prazer o que descrevo! Por isso é que eu me sinto como "eleita", Que eu semeio e partilho esta colheita Que ofereço a quem quiser. Ao que eu me atrevo!   Prazer! Puro prazer, pura alegria, Colher, de noite, e semear de dia Palavras como espigas, como pão!   Prazer é, para mim, o que aqui faço! É derrotar a dor do meu cansaço Enquanto me partilho em comunhão...     À Ki, porque me recordei dela enquanto escrevia este soneto.   Ao Free Style. Porque sim.   Tela de René Magritte - imagem retirada da internet

EU, O SER-HUMANO...

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Habito em mil milénios de procura! Questiono tudo e em tudo reconheço As linhas pelas quais me traço e meço Na memória de "ser" que em mim perdura.   Sei-me entre mil questões. Esta loucura Que assumo, que sei minha, que agradeço, É tudo o que já fui desde o começo De mim, que sou humano e tão sem cura...   Com lágrimas nos olhos, com sorrisos, Vivendo infernos, mesmo em paraísos, Eu sou o Ser-Humano vertical!   Quantos erros, na vida, eu cometi... Quantas coisas sublimes concebi... Humano! Para o Bem e para o Mal!     Ao Artesão Ocioso   Imagem retirada da internet

O PASSAR DAS CARAVANAS

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Surgiu-me esta leviana compulsão De tudo perdoar...até a mim! A mim, que tanto errei por ser assim Tão escrava das algemas da razão...   E foi crescendo em mim esse perdão, Como a flor vai crescendo no jardim... Foi esse tal perdão, que não tem fim, Quem engendrou a minha decisão:   Tranquei-me entre paredes de cristal, De aonde nunca saio e tudo vejo Sem nunca saber "como" ou sonhar "quando"...   Fiquei a "viajar" nesse local Onde sonho, construo e me protejo, Enquanto as caravanas vão passando...     Ao Vitor porque "nasceu" de uma frase que ele, ontem, utilizou num comentário deste blog.   Imagem retirada da internet

OPÇÃO

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  Não sei de aonde vens. Não sei quem és... Se dizes o que sentes sem mentir, Se entendes ou se apenas te quer`s rir Daquilo que aqui escrevo e que tu lês...   Aceito-te como és (ou dizes ser...). Aceito-te da cor com que te pintas E, acaso não gostes ou me mintas, Prefiro nem sequer tentar saber...   Eu vejo-te (ou invento-te em imagem?) E sei que és, afinal, uma miragem Desfocada do teu original...   Mas és um ser humano que me fala E eu afasto a voz que se me cala Se temo que me possas tu qu`rer mal...       Imagem enviada por cateespero

SER AS COISAS VII

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Partícula de Cosmos. Tudo e Nada! Sol, Lua, Mar e rosa sem jardim, Sopro daquilo que há vibrando em mim Numa dança irreal, iluminada...   Ar, Fogo e Terra em mil contradições Daquilo que julgamos ser real... E, tudo junto, "Nós", porque, afinal, Somos feitos de carne e de ilusões.   Tanta distância, tanta... e, no entanto, Se a Vida traz em si tão estranho encanto, Essa mesma distância é que nos une...   Tanta distância, tanta... e tão pertinho! Tantos passos se dão neste caminho No qual nenhum de nós caminha impune...     "Natividade" - Wifredo Lam (pintor surrealista cubano)   Imagem retirada da internet

SER AS COISAS VI

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A DANÇA...   Serei escrava da própria liberdade Neste luxo de ser o que eu puder: Poeta, pedra, lua... até mulher... Se aspiro é à essência da Verdade!   Serei criança, sempre e sem saudade, Serei poema e sonho onde el`estiver, Serei pr`além de mim, sempre que houver Alguém que saiba o que é uma amizade...   Cada átomo de mim repercurtindo Nas coisas que aqui há e vão sentindo Este meu partilhar que se não cansa!   Consigo "ser" até no que passou! Das coisas que "já foram" só ficou, Sublime esta partilha! (ou esta dança?...)     "Maternidade" - Juan Miró Imagem retirada da internet

SER AS COISAS III, IV e V

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Invento mil canções de encantos-de-alma Ao marulhar do vento, à noite escura, À água do ribeiro que murmura Segredos-de-encantar à tarde calma.   Invento... ou são os olhos, os ouvidos, Que se encantam de ver, de tanto ouvir? Inventar, afinal, é só sentir, É poder libertar esses sentidos.   Inventar é sentir, em cada coisa O por-dentro e por-fora que ela tem, É partilhar texturas, sensações,   É prestar atenção a quanto se oiça, É sermos essa coisa, nós também E dar-lhe voz em versos e canções...   IV   Eu não quero ter nada! Eu quero é SER Como as coisas que sendo, tudo têm, As coisas que si mesmas se sustêm Alheias ao desejo de qu`rer ter   E SENDO são mais ricas, mais felizes E têm o poder de tudo dar, Connosco partilhando sol, luar, A sua própria essência em mil matizes...   Eu sou irmã das coisas mais pequenas. Partilho-me nas horas mais serenas, Partilho-me, também, na tempestade...   Eu sou  em cada coisa o que ela é. Não sei se, sendo assim, serei até A própria encarnação da li...

DOIS SONETOS DO DIA II

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DA PARTILHA DO SONHO   Prometo-te o suor, mas nunca o pão! Pensa que quando queiras vir comigo, Of`reço-te ilusão, dou-te um abrigo E tudo o que te exijo é o perdão...   Procura, lá no fundo, uma ambição E, quando a descobrires o que te digo, É que o sonho constrói, meu bom amigo, E a ambição arrasa uma nação...   Repara: Nada dou, nada prometo, Nada trago comigo, de concreto... Só trago as mãos vazias mas, no peito,   Bate-me um coração multiplicado Em coisas que só são do teu agrado Se tentas, como eu,  ser mais perfeito...   Maria João Brito de Sousa - 16.10.2008       DAQUILO QUE PENSAIS...   Serei um ser tocado pela lua; Uma qualquer Maria-Sem-Camisa, Transportada, ao de leve, pela brisa, Escrevendo os seus sonetos de alma nua.   Serei o que quiserdes, mas serei! (talvez exista apenas, não me int`ressa...) Estarei sempre a passar, mas fico presa Nos versos e nas rimas que deixei...   Serei sempre este rasto-de-cometa, Esta papoila ou esta borboleta Pousando onde calhar, numa procu...

APENAS UM POEMA DE MULHER...

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Apenas um poema de mulher, Uma coisa banal e feita à pressa, Um toque virginal, uma promessa, Nascido porque Deus assim o quer.   Apenas um poema. A mulher faz, E tudo o que ela faz parece pouco Porque o poema, às vezes, é tão louco Que nasce quando muito bem lhe apraz...   Poemas são crianças! Nascem, crescem, Querem autonomia e desconhecem Vontades, hierarquias e fronteiras   Partilham esse espanto obrigatório De quem sonda e conquista um território Desde as eras remotas e primeiras. *   Maria João Brito de Sousa - 15.10.2008     À Maria José Rijo pelo seu post "Rendas e Florinhas"   Imagem retirada da internet

..FECHO A PORTA, ABRO A JANELA...

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A porta já fechou. Uma janela Há-de abrir-se depois, de par em par, Para quem não passou poder passar À nova dimensão que se revela...   Mas quando a porta fecha, o corpo embate E fica então dorido e mal tratado, Que depois, à janela, debruçado, Repara que a fuga era um disparate...   Sempre que a porta se abre, eu mesma a fecho. Debruço-me à janela, apoio o queixo Nas mãos e vou sorrindo para o céu.   A porta que se fecha é um convite A viajar por dentro. E há quem hesite Em conhecer, a fundo, o que é tão seu!     Ao João Chamiço     Imagem retirada da internet  

DOIS SONETOS DO DIA

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  DA RELATIVIDADE DO TEMPO   Um cansaço de vida, um quase-morte, Depois um renascer contra a vontade. O corpo à minha espera (identidade?) Um Palácio de Luz e eu sem Norte...   É tudo tão dif`rente! Essa ilusão Do tempo que se vive deste lado, Dilui-se entre o futuro e o passado E traduz-se num`outra dimensão.   Um segundo, um milénio... quanto tempo Se passou, afinal, enquanto estive Diante dessa luz cheia de paz?   Um milénio, por lá, é um momento Daquilo que por cá se sente e vive. Um segundo? Um milénio? Tanto faz!   Maria João Brito de Sousa - 13.10.2008   À Eva   À Velucia   ESQUECER, À LUZ DAS VELAS   Declaro o fim-do-mundo à luz das velas! Nesta longa sequência de poemas Remeto pr`a Mamon esses problemas Da cobiça, dos ouros, das mazelas!   À luz das velas sou imperatriz Das interpretações que a vida tem; À luz das velas SOU! Não há ninguém  Que me curve a vontade ou a cerviz!   Caminho paralela á própria essência Das coisas desde a sua procedência Como quem, sendo louco, `inda...

O CULTIVO DAS ROSAS

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  O CULTIVO DAS ROSAS     Sou filha-de-ninguém no dia a dia Mas trago o sangue bom dos meus avós E mesmo nada tendo, tenho voz (desculpem-me a vaidade, a ousadia...)   Sou filha-de-ninguém, mas sou poeta! Canto o  passar das horas neste mundo E, enquanto cantar, não vou ao fundo, É esta a minha glória mais secreta...   Eu, filha-de-ninguém, protejo a vida, Encontro-me onde a sorte foi perdida, Saboreio, ao segundo, a caminhada,   Dou tudo o que em mim há, sou generosa, Acredito no "ser", cultivo a rosa Que vos alegra e não vos pede nada   II   Cultivo a minha rosa à luz da lua. O sol nem sempre vem, nem sempre aquece... Cultivo a rosa e a rosa não se esquece, Responde: - És de ninguém? Que sorte a tua!   Nós, filhos-de-ninguém, criamos laços E agradamos (ou não...) a toda a gente, Mas trazemos connosco esta semente Que transforma um olhar em mil abraços   Temos picos, é certo, e quantas vezes Usamos, sem pensar, essas defesas Pra preservar a nossa própria vida...   Dá-nos o m...

DE MIM PARA COMIGO I e II

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  De mim para comigo eu quis falar E, às tantas, o luar falou mais alto E desenhou-me a sombra nesse asfalto Onde eu estava comigo a conversar   De mim para comigo... e o luar Veio deixar-me a alma em sobressalto! A sombra lá em baixo e eu tão alto, A lembrar-me da queda, se falhar...   De mim para comigo eu disse então: - Se cair voltarei, estarei no chão... Mais vale acreditar, seguir em frente!   Olhei de novo o chão, já pequenino. Voar! Voar foi sempre o meu destino! E segui, muito além do que é prudente...   II   De mim para comigo. O sonho é tudo! (se aceito, é quem me targa a alma aberta...) E vamos a viver que a morte é certa! O sonho aceita o fim. Eu não me iludo.   De mim para comigo. Estranho estudo Que levo a cabo neste eterno alerta, Pois tudo o que há em mim, em mim desperta E tudo o que desperta é conteúdo...   Das coisas que, ao passar, foram ficando, (não paro de sonhar! Eu só abrando e fico a meditar no que aqui faço...)   Há passos de luar nos meus sentidos E beijos ...

A RAIZ DAS ALGAS I e II

A RAIZ DAS ALGAS * I * Tempos houve em que o mar batia às portas De cada um de nós, como quem pede, E cada um de nós lançava a rede Antes que o sol nascesse, a horas mortas *   Tempos houve em que o mar nos oferecia Caminhos sem ter fim, novas fronteiras... O mesmo mar das ondas altaneiras, Do sal, das rochas com cheiro a maresia...  * Tempos houve em que o mestre nos falava Do mito: a caravela que cruzava As águas desses mares ditos só nossos  * Depois crescemos... Nunca o mar mudou, Foi o adulto em nós que duvidou E em vez de caravela achou destroços. *  Mª João Brito de Sousa  II   Caravelas de luz! O mundo é breve Ao preço ocasional da fama e glória! Assim nos diz o Tempo e reza a História De quanta fama e glória a Nação teve... *  O berço dos Poetas, das conquistas, Desse, então, estranho mundo à descoberta De quem parte e só volta à hora incerta Dos que vivem de sonhos saudosistas...  * Assim se entrega o luso ao Mar, que aceita E lhe promete amplexos de sereias Em vez do medo ao...

A MANTA DE RETALHOS

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  Trago-vos esta manta que retalho Na secreta intenção de vos tocar, Mas a vossa indif`rença milenar Não se deixa tocar por tal trabalho. Porque, apesar de tudo, sei que valho Um pouco de atenção, um mero olhar, Insisto e continuo a retalhar A toda a hora; nem um dia falho! Talvez vos possa um dia cativar, Talvez o erro seja todo meu, Talvez a minha manta seja feia E seja este o momento de parar... Mas não posso parar, e toda eu Vou fazendo, da manta, a minha teia.       Maria João Brito de Sousa - Outubro, 2008 In - "Pelouro dos Perfeitos Grafismos" inédito           Imagem retirada da internet  

... SE SIM, SE NÃO, SE ANTES PELO CONTRÁRIO...

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Pôs o Acaso um Génio à minha porta Que disse: - Abracadabra! e se esgotou, Um lápis-de-condão (que se quebrou...) E um sonho a fumegar numa retorta,   Uma varinha-mágica tão torta Que caiu e não mais se levantou, Um baralho de cartas de Tarot Que eu nunca quis lançar... e quem se importa?   Tanta ilusão havia (eu bem me lembro!) Nesse sonho irreal com que pretendo Abrir as portas ao imaginário,   Tanta coisa incomum, tal fantasia, Que nem sei se foi sonho ou foi magia, Se sim, se não, se antes pelo contrário...   Imagem retirada da internet

O DESLUMBRAMENTO II

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Há um deslumbramento descontente Que me define toda e se traduz No desenho de mim, em contra-luz, Na dimensão laranja de um poente.   E tudo o que aqui faço é muito urgente Porque o deslumbramento me seduz: Carrego, alegremente, a minha cruz Aos ombros de um poema que a não sente...   Às vezes este sol que me ilumina Pressente outros anseios mais carnais E cria-me um conforto, um aconchego...   Novo deslumbramento me domina E, de tão deslumbrada, eu fico mais Perdida no poema a que me entrego...   Imagem retirada da internet - tela de Salvador Dali

O DESLUMBRAMENTO

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Neste deslumbramento de andorinha Que a génese da vida gera em mim, Vislumbro o recomeço de outro fim Num vai-vem sazonal que é coisa minha   E neste infindo ciclo se adivinha Uma urgência maior que vai assim Renovando destinos de Arlequim Que não sabe viver sem Colombina.   E tudo o que germina se avizinha Desse deslumbramento que me impele, Dessa força sublime e imparável   Porque um desejo-alado me encaminha Urgindo um universo que revele O seu deslumbramento inenarrável.   Ao FreeStile porque vai ser avô.   Imagem - Pormenor da tela "O Filho do Homem"                 Maria João Brito de Sousa, 2006

PORTUGAL 2010

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Dois séculos de "Res"! Um quase nada Em termos de outra imensa eternidade... `Inda agora se enfrenta a tempestade, `Inda há pouco foi terra conquistada...   Dez séculos de História, ó Pátria amada, E apenas dois de "Pública" igualdade... E se Pátrias `inda és, se for verdade Que perduras enquanto "Res" sagrada,   Estarás, Pátria-menina, a percorrer Agora o teu caminho de mulher, Madura, coerente, amante e mãe.   Pequenino jardim beijando o mar, Ainda com mil sonhos por sonhar, Porto de abrigo a quem vier por bem...   Imagem- Alegoria da Républica Portuguesa