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A mostrar mensagens de novembro, 2009

SÁBADO, DOMINGO E SEGUNDA FEIRA

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ORIGENS   Dêem-me verde e sol e água e ar! Dêem-me as formas mais desconcertantes, Os ínfimos vazios, locais distantes, E tudo enfrentarei sem me negar!   Dêem-me a liberdade aleatória Ou a prisão mais negra e improvável E eu sempre seguirei, embora instável, Contando a minha inacabada história!   Não vos negueis à força que em mim trago! Mesmo que me sondeis, de modo vago, Eternamente estranha vos serei…   Procurai, no entanto, eternamente Porque eu estarei em vós, sempre presente, Na força e na fraqueza que vos dei!     Maria João Brito de Sousa - 2009     VIDA     Sou pólen e suor de brancas flores E frágil, mas possuo imensa força; Haverá quem me quebre e não quem torça O caule que me eleva aos meus amores.   Trago em mim e comigo essa vontade Que não encontra nunca a explicação E entrego a minha vida, de caução A quem souber amar-me de verdade.   Quem sou, se nem quem escreve sabe quem? Consolai-vos, senhores, não sou ninguém... (ou sou, mas não vos conto o meu segredo!)   Serei, ...

QUERES SABER UMA COISA?

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- Vou contar-te uma coisa! Esta partilha Daquilo que em nós vamos descobrindo, É o que, em nós, existe de mais lindo! Mais do que aprenderemos na Cartilha!   - Um segredo que é nosso? Eu quero ouvi-lo! Quero ir além de mim, saber bem mais, Entendê-lo, guardá-lo entre os demais Para multiplicá-lo e dividi-lo!   - É esta coisa nova e tão dif`rente Das coisas que nos passam pelos dedos, Do que vamos tocando e toca em nós…   - Também tu descobriste, finalmente, O som que se modula em mil segredos Que é a livre expressão da nossa voz!     Poetado para http://fabricadehistorias.blogs.sapo.pt/   :)

DÚVIDA METÓDICA

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  DÚVIDA METÓDICA *  E se, depois, houvesse um não-sei-quê Por dentro de outra vaga imaculada? E se, em lugar de tudo, houvesse um nada Reflectindo o olhar de quem o vê?  *   E se, em cada ilusão, outra ilusão Fosse somando, até ao infinito, Aquilo que tomámos por já escrito E a que nunca sabemos dizer: - Não! *   E se as certezas só forem certezas Se nós acreditarmos ser assim? E se, afinal, não for… como será? *   Se, sorrindo, se fala de tristezas E, chorando, se colhe o alecrim… Aonde é que o poema acabará? *     Maria João Brito de Sousa - 26.11.2009 - 14.04h   Nota - Soneto ligeiramente reformulado a 11.10.2015     Imagem retirada da internet

UM CASTELO DE NADAS...

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    Um castelo de nadas, feito á pressa, Um bocejo a calar o que se diz, A comichão na ponta do nariz, Eis a noite de sono que começa…   Uma breve oração, uma promessa De tentar ir além, ser mais feliz, Um não-ligar ao que em nós contradiz O que se foi juntando, peça a peça…   Um sonho, um nada em forma de castelo A pairar sobre mim que estou a vê-lo Como se construído além-vontade…   Ali, aonde um nada se faz tudo, Aonde morro e, lúcida, me iludo Em aproximações de eternidade…     Imagem retirada da internet

UM PUNHADO DE SONHOS

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  Repara; eu sonho sonhos! Tu nem sonhas Quantos mil sonhos há para sonhar! Tenho asas, meu amor, sou de luar, Aspiro a primaveras mais risonhas!   Se acaso me perder nas madrugadas, Se este céu me fugir, se me esquecer Das mil coisas que, então, quero fazer Ao longo das manhãs imaculadas,   Terei talvez errado o meu caminho Mas nunca aceitarei ter estado errada No que tão loucamente procurei...   Percorri céu e mar buscando um ninho, Semeei mil palavras sem ter nada Senão estas mãos cheias do que dei!   Imagem retirada da internet

SÁBADO, DOMINGO E SEGUNDA FEIRA II

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    O CONCEITO DO DIVINO     Se, em mim, és tão diferente do descrito, Se assim te vejo, sinto e reconheço, Se o meu amor por ti nunca tem preço E se és, Tu mesmo, aquilo em que acredito,   Se nada nem ninguém mo tiver dito - se,   mesmo sendo imposto, o desconheço – Por que razão fingir que aceito e peço Um conceito geral do que é bendito?   Se me nasceste assim, naturalmente, De forma tão completa, humana, urgente, Como se eu fora em ti e tu em mim,   Então, p`ra sempre, assim te aceitarei E, enquanto for assim, em ti estarei Depois do que aqui escrevo, até ao fim!   A ESTRADA     Umas vezes corremos pela estrada, Outras vezes suamos como velhos Com correntes atadas aos artelhos Numa exaustão total, antecipada…   Nada nos prende a ela. Mesmo nada! E, no entanto, mesmo de joelhos, Avançamos correndo e outros conselhos Não nos podem travar a caminhada…   A estrada em toda a parte se descobre, Se inventa, se recria ou acontece… É uma condição de estarmos vivos....

CONTO DE FADAS I e II

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    Neste Conto de Fadas, divertido, Fugindo dos enredos costumeiros, Os tesouros são ramos de pinheiros E o Príncipe Encantado é um... bandido!   Não há vestidos longos, vaporosos, Nem sapatinhos "sexi", de cristal... Só a Fada Madrinha é mais normal E gosta de ficar entre os bondosos.   Aconteceu há muitos, muitos anos, Mas foi como se fosse agora mesmo Que a Princesa tivesse desmaiado   E os ramos de pinheiro, quais abanos, Sacudiram-na tanto e tão a esmo Que afastaram o Príncipe Encantado...     II   Surge a Fada Madrinha, convencida De que a pobre Princesa era infeliz E dá-lhe um piparote no nariz Deixando a pobrezinha adormecida...   Logo os pinheiros vêm, de mansinho, Explicar à Fada bem intencionada Que, muito embora boa, estava errada, E a Princesa só queria era carinho...   Então cumpre-se o tal sereno encanto E a Princesa-Poeta acorda então No verde pinheiral, entre cadernos!   Na mão, o lápis que ela queria tanto... Ficamos todos em contemplação, Sentindo que, afi...

FORMAS DE EXPRESSÃO

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      Há mil células vivas que procuram, A cada instante, formas de expressão, Que alcançam obras-primas da excepção Onde as demais se vergam e se curam.   Mil células abrindo o seu caminho Além dos passos que já foram dados, Além dos planos que estavam traçados, Na absurda construção de um novo ninho.   E mil milhões de células, teimosas, Cuja vontade `inda ninguém conhece, Desprezando a prudência e o bom senso,   Persistem na tarefa, ambiciosas, Muito além da razão, além da prece, Muito além do que sinto e do que penso…     Imagem retirada da internet

TALVEZ SIM OU TALVEZ NÃO...

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  E se fosse depois – e só depois! Que o hálito do tempo me marcasse, Que viesse oscular a minha face Em carícias iguais às de nós dois?   Se ele viesse depois, como os heróis, E mansa, mansamente me beijasse? E se eu, feita princesa, despertasse Para a luz de outras luas, de outros sóis?   Se fosse só depois, talvez a sorte Nos desse outra saída, outro caminho, Talvez fosse diferente… ou talvez não…   Não há razão para eu pedir à morte A mudança de rumo e tu, sozinho, Talvez sejas feliz, meu estranho-irmão…   Imagem de tela de René Magritte retirada da internet

A DÚVIDA

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  Se eu cresci a saber que duvidar É a mais produtiva ferramenta - embora dê trabalho e seja lenta… - Porque me falas tu de acreditar   Como se fosse a forma de criar Que tudo vai gerar, tudo sustenta? A dúvida é um bem que me acalenta, Que me ensinou a arte de voar…   Sem dúvida que a dúvida é, por vezes, O ponto de partida de uma fuga, Mas gera, para nós, sabedoria…   Duvidei tanto, ao longo destes meses, Que vi acrescentada, em cada ruga, A lavra do que eu não compreendia…     "The suicide of the pink whale and the dove I borrowed from Magritte" - Maria João Brito de Sousa

PORQUE UMAS VEZES SIM E OUTRAS... NÃO!

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    Porque umas vezes “sim” e outras “não”, E, às vezes, nem nós mesmos percebemos Porque razão aquilo que fazemos Parece mesmo ser contradição…   Porque, umas vezes, loucos de paixão… [E bem depressa nós compreendemos Ser mais um erro que então cometemos E voltamos a nós e à razão…]   Porque, outras vezes, frios e racionais, Passamos, num instante, ao desatino E não sabemos mais o que fazer,   Nós, meros e comuns anjos mortais, Acreditando, enfim, no tal destino E deixando outro acaso acontecer…         Imagem - "Mulher em Molho de Luar"   Maria joão Brito de Sousa  

O TEIMOSO

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        O poema é teimoso! Tão teimoso Que mais parece pura insurreição! Gira em torno de nós, domina a mão Que elege pr´ó tornar belo e famoso.   Surge num improviso e, cauteloso, Impõe-nos a vontade e a condição De o tornarmos um hino, uma canção Que nos conquiste e possa dar-nos gozo.   É uma criatura imprevisível; Ora nos faz sorrir, ora chorar, Usando mil palavras semelhantes…   Torna-se mais e mais irresistível, Faz impossíveis pr`a nos conquistar E afasta-nos de acções mais importantes…         CONVITE - Na próxima sexta feira dia 13 de Novembro, às 14h 30m , vou estar no edíficio da Cruz Vermelha Portuguesa da Parede a dar o meu melhor por uma palestra sobre "soneto formalmente clássico". Porquê "formalmente" e não apenas "clássico"? Bom, isso eu vou fazer o possível por tentar explicar durante a palestra... Todos os leitores do Poetaporkedeusker estão convidados!   CRUZ VERMELHA PORTUGUESA Delegação Costa do Estoril Rua Vasco da Gama...

A GRUTA DAS TREZENTAS CINQUENTA E SEIS PALAVRAS E UMA MEMÓRIA

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    Era uma vez uma gruta pequenina, escavada nas rochas da praia, quase coberta pelo mar na maré-cheia. Diz a lenda que, há muitos anos atrás, essa gruta foi uma mulher igualzinha a mim, igualzinha a nós todas… consta que tinha longos cabelos negros, daí as longas algas que, há uns anos, inevitavelmente assinalavam a entrada da pequena reentrância rochosa. Talvez vocês nunca tenham reparado nela, mas eu conheci-a pessoalmente há quase cinquenta anos, quando eu e o meu pai brincávamos aos espeleólogos em plena costa do Sol… “Diz a lenda…”, digo eu, que era diferente das outras grutas. Não porque fosse maior, mais profunda ou muito diferente de todas as outras… mas era uma gruta tão especial que nunca a consegui esquecer. “Diz a lenda…”, digo eu, que era uma gruta fêmea. Mulher, sem dúvida, e indubitavelmente solitária por opção. De forma aparente, claro está, pois recordo-me muito bem de, tanto eu como o meu pai, sabermos, com s...

A PRIMEIRA DENTADA

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        Tinha fome de tudo e de algo mais… Uma fome infinita e tão premente Que se tornava mais e mais urgente Como a onda invadindo os areais.   Fome de conquistar, entre os demais, O tal lugar notório, esse emergente Que no fundo pertence a toda a gente Mas sempre é dedicado aos imortais…   Tinha uma fome imensa, indesmentível, Que jamais poderia ser negada, Que coisa alguma lhe satisfaria…   A primeira dentada foi terrível E mesmo sendo, apenas, esboçada Trouxe-lhe algum conforto e garantia…     O Mito de Zeus e Prometeu - imagens retiradas da internet.        CONVITE - Na próxima sexta feira dia 13 de Novembro, às 14h 30m, vou estar no edíficio da Cruz Vermelha Portuguesa da Parede a dar o meu melhor por uma palestra sobre "soneto formalmente clássico". Porquê "formalmente" e não apenas "clássico"? Bom, isso eu vou fazer o possível por tentar explicar durante a palestra... Todos os leitores do Poetaporkedeusker estão convida...

UM PAPEL NA CONSTRUÇÃO

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  Um pouco mais de sede e eu, deserto… Um pouco mais de fome e morreria Da morte que, em voltando, elevaria Minh`alma, esse tão longe… esse tão perto…   Um pouco mais de além, em voo incerto, Um pouco, um tudo-nada, eu saberia Do mais, do pouco mais que bastaria P`ra colocar-me o resto a descoberto…   Então seria um anjo! Alcançaria, Na eterna partitura, esse concerto Da Vida; -Melodia e Criação!   Escolhi, porém, ficar. [Pois quem faria, Se liberta de um corpo em desconcerto, Por cá, o meu papel na Construção?]       Imagem retirada da internet

FABULANDO...

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Três jovens rãs caminhavam despreocupadamente numa bela tarde de Verão. Duas delas tagarelavam e a terceira, muito calada, ia apreciando a paisagem enquanto recordava os últimos parágrafos que lera no seu livro de Ciências Físico Químicas. Era uma rã bastante interessada no mundo que a rodeava e, por mais que as outras a solicitassem para uma conversação sobre as últimas tendências da moda, os olhos acabavam por se lhe desviar para a cor do céu àquela hora, o verde dos caminhos, a majestade das árvores e o voo dos insectos que por ali zumbiam aos milhares. Outras vezes era o pensamento que lhe vagueava, de novo, para as lições de Biologia e Físico Químicas... as tais que tão particularmente lhe interessavam. As amigas, pontualmente, zombavam dela: - Olha lá, mana! Ainda acabas por tropeçar na pata de uma formiga!, dizia a da esquerda. - Olha-me para esta tonta, sempre a pensar na morte da bezerra! Quando não lê ou estuda, fica assim, feita zombie, de olhos perdidos no nada... , acresce...

OUSAR

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    E agora, que eu não sei, quem saberá A próxima resposta, a derradeira? Quem vem depois de mim, que fui primeira, Saber, como eu tentei, o que há por cá?   Quantos de vós sabeis do que não há? Quantos de vós vireis, de outra maneira, Questionar, como eu fiz, a vida inteira Em busca dessa luz que Deus nos dá?   Já basta de respostas redutivas! Urgente é procurar noutros locais, Usar cada talento a toda a hora!   É urgente entender, nas coisas vivas, O que, além da aparência, nos diz mais Do que ousamos sonhar aqui e agora!     Imagem enviada pelo meu amigo Fisga, do http://planeta-sol.blogs.sapo.pt/