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HUMANO

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  Humano, desse barro primitivo Com o qual fui moldado de nascença, Quantas vezes pergunto se estou vivo, Se é realmente minha esta presença   Humano ser, passível de fraquezas, Enfrentando os limites de quem sou, Penso, por vezes, vir das profundezas De um mundo qu`inda agora começou   Inquieto ser de gelo à beira-fogo, Correndo como os rios que atravessei, Subindo aos altos cumes do meu ser…   Se neste mar me afundo, se me afogo, Foi nele que, em sobressalto, me encontrei Quando era ainda tempo de escolher…         Maria João Brito de Sousa   IMAGEM RETIRADA DA INTERNET

ANO NOVO!

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Eu tenho um Ano Novo à minha espera. Um Ano do País do Faz-de-Conta, Um Ano dos antigos, que remonta Ao Tempo Unificado da Quimera.   Eu tenho um Ano Novo muito antigo! Um Ano ao qual o Tempo se rendeu, Um Ano todo vosso - embora meu... - Que é cais e porto e me serve de abrigo.   Não fora o Faz-de-Conta e talvez fosse O Ano que outro tempo um dia trouxe Para abrigar as almas dos meninos...   Faz de conta que o Ano é de verdade... Faz de conta que a própria humanidade Comanda - faz-de-conta... - os seus destinos...     Imagem retirada da internet  

HUMANA CONDIÇÃO IV

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Era, e sobre si girava e tudo via E nada do que fez foi feito em vão. Era, no que fazia, a tentação De dar-se muito mais que o que podia...   Ele era inteiro em tudo o que fazia: O barro de si mesmo em gestação, Moldando-se ao sabor duma abstracção Desse mundo ideal que o recebia.   Assim se fez. Cresceu, teve meninos, Tornou-se pai de todos os destinos Por carregar as culpas de um segredo...   Depois emancipou-se e fez-se humano. Pecou e provocou tamanho dano Que acabou por morrer de puro medo.       "O Guardador de Almas" - Maria João Brito de Sousa, 1999  

HUMANA CONDIÇÃO

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    Eu e Matilde 1958   * HUMANA CONDIÇÃO * Humana lucidez, quem te procura Nas calmas profundezas da razão? Que antiga noite maga, sábia e escura Renova a tua estranha condição? * Ao depores uma flor em Shanidar, Que sonhos modulavam tua dor? A Lucy, quem a soube consolar? Que medos a assolavam ao sol-pôr? *   Em Stonehenge, quem te deu alento? Machu Picchu, que sonho te inspirou? Que chama arde nas grutas de Altamira? *   Se tão sublime sopro de talento Em Quéops e Gizé te abençoou, A Arte é a razão da tua vida! * ©Maria João Brito de Sousa    18.05.2008 - 12.04h