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A mostrar mensagens de maio, 2025

GUERRA E PAZ - Reedição

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Fotografia de Carlos Ricardo * GUERRA E PAZ * Há guerra e paz na voz com que protestas E umas notas frutadas que não sei Se te vêm de um mês de espanto e festas, Se de outro, contra o qual me revoltei * Mas há-as, porque as vejo abrindo frestas Na dor, quando a teu lado a partilhei Num grito feito de ervas e giestas Que ousei colher, quando jamais plantei * Que mais há nessa voz que é minha e tua, Que som nasce do som que vem da rua, Se não a impotência e a tristeza * De não poder-te dar melhor, nem mais Do que estes vôos rasos sem os quais Talvez nem pão houvesse à nossa mesa? * Maria João Brito de Sousa 19.05.2018-17.04h ***

DOIS IMPROVISOS AO CORRER DAS TECLAS

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Imagem Pinterest * DOIS IMPROVISOS AO CORRER DAS TECLAS * Comigo desavinda também estou E muito impropério então cometo, Mas p'ra mim são e só a mim os dou Pois quero fazer bem e não acerto. * * Ora, bem sabemos nós que a perfeição Não são "favas contadas" ou gostosas... Quisera em paciência um bom quinhão E não as vãs ciências enganosas. * * Nem sei o que me deu em vir aqui E neste arrazoado ser fisgada Eu que de inspiração não tenho nada. * * Porém, agora é certo que escrevi... E deixo a quem me ler a sensação De uma qualquer versada narração. * * Helena Teresa Ruas Reis 23.05.2025 **** Pra quem, de inspiração, diz nada ter E logo após poeta desta forma, Saiu-se muito bem, vou-lhe dizer, E juro que vai muito além da norma! * * Perfeita é sempre a Musa que a trouxer Essa que só com muiiiito se conforma, Que só vem ter conosco quando quer Mas que nos agiganta e nos transforma * * Fico muito feliz por vê-la aqui A transformar o verbo em poesia E, como sempre, a dar o seu m...

COMIGO DESAVINDA

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Imagem Pinterest * COMIGO DESAVINDA... * Hoje, comigo mesma desavinda, Tentei chorar e já não fui capaz... Rir-me da minha pequenez infinda, É bem mais fácil e bem mais me apraz * Viver comigo mesma na berlinda, Tornar-me de mim mesma capataz,  É opção que jamais será bem vinda Por não deixar-me estar comigo em paz... * Sou, no entanto, crítica severa De tudo quanto faço, escrevo ou digo, Quer esteja só, quer esteja acompanhada * E, se erro, cresce em mim furor de fera Capaz de apunhalar o próprio umbigo Que culpa de inspirar-lhe a estrofe errada. *   Mª João Brito de Sousa 22.05.2025 - 22.00h ***    

RIBALTA

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RIBALTA * Às vezes é tão tarde, querido amigo, Que uma nesga de céu nos bate à porta, Que a gente nem a ouve... Ou já está morta, Ou nem tem porta por não ter abrigo... * Não quer entrar e conversar comigo? Venha daí se o que eu disser lhe importa, Quero mostrar-lhe os frutos duma horta Que cozinhei num fogo muito antigo... * É que a conversa, amigo, faz-nos falta, Tanta quanta nos faz o pão prá boca Ou a canção que anima e junta a malta * Esta é a minha casa, a minha toca, O meu pequeno palco e a ribalta Da minha velha Musa ousada e louca. ª Mª João Brito de Sousa 21.05.2025 - 21.30h *** Sonetos de Todos os Tempos

"E" de EVOLUÇÃO

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“E” de EVOLUÇÃO * Estranho este escuso embrionário estado Entre eras (qu)e entrevejo entrelaçadas: Esculpo-me em estanho e estranho-me estanhado. Endosso. Ensaio efeitos. Embrulhadas... * Encómios evoquei. É-me (n)egado Expor-me entre eros e ébrios. Ensonadas, Esperam-me exéquias de éter. Estipulado. Extremismo. Exaltações exacerbadas... * Escondo o ego esculpido (qu)e enrodilho, Excluo “esses” e “erres” e estribilho Expurgando eternos erros (d)e escansão * Especializo-me em estrelas, ecos, entes... Executo estratégias eloquentes, Emancipo-me em “E” (d)e evolução. * Maria João Brito de Sousa  21.05.2025 *** Soneto modificado, trabalhado sobre o original de minha autoria ,"E" de EPHEMERA que aqui vos deixo porque o ChatGPT ainda tem algumas dificuldades ao nível da palavra impressa.

SONETO - 8

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SONETO - 8 *   Pra que amanhã do luto nasça a luta, Rego os cravos vermelhos que secaram Renego os deuses que me desprezaram E transformo a fraqueza em força bruta * Inda que irresolvida, resoluta, Cuspo nessoutros que os cravos pisaram E sobrevivo a quantas dor´s me varam Assim que as mãos retornam à labuta *   Revejo-me nos cravos que resistem: Inda que em solo hostil estejam plantados Jamais se vergarão aos que os conquistem * Rompem mordaças, quebram cadeados, Derrubam muros, mesmo os que inexistem, E desabrocham quando espezinhados. *   Mª João Brito de Sousa 20.05.2025 - 00.05h * Sonetos da Contagem Decrescente

POR TEIMOSIA OU PAIXÃO - Reedição

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Tela de minha autoria fotografada e digitalizada por Vítor Martinez *** Por  aqui, se faz favor

A MINHA DOR - Reedição

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Imagem processada pelo ChatGPT * A MINHA DOR * A minha dor é física e real Tanto quanto o cenário de combate No qual este meu corpo se debate, Para meu mal maior, sem qu`rer-me mal * Por mais cruel que seja e mais brutal, Condená-la seria um disparate: Vá, canta a tua dor, modesta vate, Que à dor maior cantou-a uma imortal * A dor que eu canto é qual cabana velha A que o vento arrancou, telha por telha, A cobertura, as portas, o conforto... * É nela que o meu corpo agora mora E é no dossel de musgo que a decora Que o meu rosto se espelha assim que morto. * Mª João Brito de Sousa 27.04.2022 - 21.00h *** Memorando o soneto homónimo de Florbela Espanca ***

O FALCÃO DE KUSTURIKA - Mª João Brito de Sousa e Laurinda Rodrigues

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Imagem precessada pelo ChatGPT *   O FALCÃO DE KUSTURIKA * Coroa de Sonetos * Mª João Brito de Sousa e Laurinda Rodrigues * 1. * À Via Láctea fui com Kusturica Voando sobre o dorso de um falcão Cuja fidelidade o dignifica E a mim me rouba o lastro da razão * Mas se a genialidade o justifica, Quem justifica a minha absurda opção De roubar o falcão de Kusturica Após ver Kusturika em contra-mão? * Adormeci, por fim, a meia Via, Láctea, suponho, a crer no que se lia No canto esquerdo do pequeno ecrã * Não sei se Kusturika enfim chegou Onde entendeu chegar ou se acabou Por chocar contra a Estrela da Manhã... * Mª João Brito de Sousa 11.03.2022 - 10.00h *** 2. * "Por chocar contra a Estrela da Manhã" ando eu a confundir o dia e a noite num filme gypsi onde não é vã a mão dum outro artista que se afoite. * Talvez tenha vestígios de xamã a voz de Kusturika, quando açoite a nossa vibração que, com afã, abriu uma cratera onde pernoite. * Porque isto de falcão livre no espaço fez eclodi...

SIGAMOS MAIO AFORA - Mª João Brito de Sousa e Joaquim Sustelo

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SIGAMOS MAIO AFORA * Coroa de Sonetos * Mª João Brito de Sousa e Joaquim Sustelo * 1. * Sigamos Maio afora confiantes Sabendo, embora, quanto nos espera, Sejamos mais do que o que fomos antes Em cada Maio e em cada Primavera, * Que Maio sempre fez de nós gigantes Diante da malícia de uma fera Que nos tem por dispersos, vãos, errantes Cavaleiros do sonho e da quimera. * Sigamos Maio afora; Junho e Julho Esperam por nós, de nós terão orgulho, Tal como cada mês que está por vir * Nos há-de abrir os braços, finalmente, Quando o futuro se tornar presente De quanta gente em Maio o construir! * Maria João Brito de Sousa - 02.05.2020 - 08.39h *** 2. * "De quanta gente em Maio o construir!" Esse futuro por agora tenso Que o mês de Maio irá fazer surgir Envolto em sonhos bons tal como penso * Junho há-de com mais força também vir A força de vencer, que me convenço Depois deste "maduro Maio" florir Irá florir o mundo ao qual pertenço * Confio em ar mais puro... a atmosfera Irá...