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A mostrar mensagens de agosto, 2009

UM APELO DA SERRA DA ARRÁBIDA

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http://prosa-poetica.blogs.sapo.pt/47471.html   Foram abandonadas nove vidas Na aridez de uma serra milenar Que é bela mas que não lhes pode dar O consolo da água e da comida...   A Arrábida chorou, sentiu-se ferida Por esses pobres cães que estão sem lar E pede a quem os possa ir ajudar, A quem os cuide, a quem lhes dê guarida:   - Nove seres indefesos, vitimados Por quem um dia amaram com fervor, Ao abandono, sem terem abrigo...   Venham buscá-los, dar-lhes os cuidados Que eles merecem, dar-lhes esse amor Que só lhes pode dar um grande amigo...    NOTA - Este soneto corresponde a uma situação infelizmente bem real. Por favor visitem http://prosa-poetica.blogs.sapo.pt/  

PESSOAS (Singular e Plural)

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    A primeira pessoa nem sempre é O narrador da história que é narrada; É, por vezes, difr`rente e não há nada Comum entre esses dois, senão a fé.   A segunda pessoa pode até Não ter a ver contigo e, afastada, Limita-se a ser ela, a que é contada, A afastar-se de si pelo seu pé.   A terceira pessoa abrange o mundo! Pode ser qualquer um, não ser ninguém, Ser um mero exercício de ficção…   Exercendo a ficção até confundo Uma qualquer pessoa que lá vem Com as outras que tais que já lá vão…     Imagem retirada da internet   Por favor visitem http://prosa-poetica.blogs.sapo.pt/ Um pequeno artigo sobre um caso de abandono foi publicado no http://premiosemedalhas.blogs.sapo.pt/ Obrigada!  

A LUZ QUE VEM DEPOIS

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A LUZ QUE VEM DEPOIS   Sou, a cada manhã, o novo dia; Do meu manto de luz amo e senhor, Trago, em mim, mil promessas de calor, Vislumbrados prenúncios de alegria.   Já decomposto em brilho e harmonia, Vou-vos iluminando. O meu amor É manifestamente redentor Da vossa universal melancolia.   Eu sou, do novo dia, o Sol nascente Que forma e dá cor aos vossos passos, Que dá sentido a tudo o que vós sois.   Venho lá do meu mundo incandescente Para vos dar a benção dos abraços Que antecipam a luz que vem depois *   Maria João Brito de Sousa - Agosto, 2009   Nota - Só agora cheguei do hospital. Se não conseguir responder-vos pessoalmente, considerem estas palavras um agradecimento pelos vossos votos de melhoras. As transaminases baixaram, mas terei de voltar na 4ª Feira. Um bom fim-de-semana para todos vós!

AS MÃOS DO VELHO POETA

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          Nessas mãos intocadas, intocáveis, Retalhadas por longos sulcos fundos, Desenham-se as promessas de mil mundos Sobre a ausência de afectos mais duráveis.   Há medos, nessas mãos, há insondáveis Abismos que prometem ser profundos, Segredos dos mais duros, mas fecundos Projectos, ambições, sonhos prováveis...   São essas mesmas mãos, assim magoadas, Tão cobertas de rugas e memórias, De tudo tão vazias, `stando cheias,   Que se erguerão, embora decepadas, Para se revelarem nas mil glórias Das mais surpreendentes epopeias…         Maria João Brito de Sousa, 2.08.2009 - 14.08h   (reformulado - Setembro, 2016)   Imagem retirada da internet

O REALIZADOR

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Olha o comboio-das-desilusões! Vai agora a passar à nossa porta… Pode descarrilar… a linha é torta E as carruagens vão aos abanões…   É desastre eminente! As aflições Daquela pobre gente meia-morta! Não gosto dessa imagem! Corta! Corta! É melhor esvaziar já os vagões!   Vai filmando o comboio-de-ideais Que passou mesmo agora e não parou. Olha! Não estás a ver? Ali ao fundo…   Mas, se ainda o não vês… não filmes mais! O primeiro `inda não descarrilou Nas retorcidas linhas deste mundo…     Imagem retirada da internet

A ZANGADINHA

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        A ZANGADINHA   (Sonetozito de meia tigela)   Eu hoje estou zangada c`os poemas! Pudera! Estou com tal dor de cabeça Que não sei onde acaba, nem começa, A causa bem real dos meus problemas!   Por hoje nada faço, ou faço apenas Uma coisa qualquer moldada à pressa, E ainda que nenhum de vós mo peça, Dir-vos-ei que não estou pra ir em cenas,   Porque hoje estou zangada! Tão zangada Que já não me apetece fazer nada, Que fiquei sem qualquer inspiração,   Que grito e barafusto e, já cansada, Pergunto-me;  estou mesmo amargurada, Ou estou apenas sem disposição?     Maria João Brito de Sousa - 24.08.2009     NOTA – Apeteceu-me brincar com as palavras. Dói-me, com efeito, a cabeça, mas ainda não perdi a disposição nem a inspiração. “O poeta é um fingidor…”      

O AMOR FILOSOFADO...

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Ó louco, absurdo, obsceno, insano amor Que nem sequer amor chegou a ser, Mas que se fez cumprir no renascer Dum tão precocemente imenso ardor.   Ah! Quantas ilusões e quanta cor, E quanto acreditar, quanto não ver Que já está condenado, irá morrer Nos últimos alvores da nossa dor.   [Schopenauer escreveu – e muito bem – Sobre este estranho amor inevitável Tão típico de nós e tão comum   Que ao condenar-nos tanto nos convém. Paradoxos da vida! … O improvável É passar pela vida sem nenhum…]     Imagem retirada da internet     COMETAS   "Quando os aerólitos formam um grupo, vivendo em sociedade, constituem a parte principal de um cometa. O núcleo, ou seja, a parte central mais brilhante da cabeça do astro, é formado por milhões de aerólitos viajando agrupados."   In "Viagens Maravilhosas às Terras do Céu" de César dos Santos.   Lisboa, 1950

ECLIPSE

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  ECLIPSE * Se amanhã, por acaso, o sol nascer E a lua, despeitada, o encobrir? Será que Sol e Lua irão exprimir Essa sua atracção, esse seu qu`rer? *   E se a lua, afinal, tentar esconder A luz que só o sol sabe emitir? E se o sol se zangar quando sentir Ameaçado o seu real poder? *   Eles amam-se ou detestam-se, afinal? Talvez nenhum o saiba ou nunca diga Que estranha interacção os prende ao céu *   Fantasiar é algo natural; Eu penso que nem um, nem outro liga, Pois questionar-se assim nunca ofendeu. *     Maria João Brito de Sousa - Agosto, 2009     Imagem retirada da internet

ORGULHOSAMENTE SÓ

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      Qual dono ou meio dono?! Eu quero lá Viver a minha vida acompanhada Fingindo que sou eu, não sendo nada Nem podendo criar aos Deus-dará!   Eu quero lá saber do que não há! Antes morrer sozinha, esfomeada, Mas fazendo o que faço. Eu? Enganada? Não, não estou enganada! É ele quem está.   Tudo tem o seu preço nesta vida. Eu vou pagando os juros do talento Com este rasto do que Deus me deu.   E podem crer que fico agradecida, Que, mesmo na miséria, eu não lamento O preço que paguei por ser só eu.   Imagem retirada da internet

MEMÓRIA DESCRITIVA II

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  Aquele aspecto estranho e desconforme, Aquele face magra e enrugada, Aquele rictus de quem está cansada Da vida que parece sempre enorme…   Aquelas mãos de dedos calejados, Retorcidos do muito que fizeram, Os olhos afundados que lhe deram Os dias e as noites descuidados.   Aquele estar ali e nunca estar Aonde o corpo fica a descansar, Porque a mente descansa noutro espaço,   Aquela imprecisão de só sonhar, Aquela estranha forma de falar Compondo a própria voz do seu cansaço.   Imagem retirada da internet

DÁDIVA LUNAR

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  Não te pedi, ó lua, a lucidez De um breve e claro raio de luar. Antes quisera, ó lua, questionar A minha sempre certa insensatez.   Não te pedi um sonho que, talvez Me pudesse acolher ou consolar. Antes quisera, ó lua, perguntar Sobre as coisas da vida e seus porquês...   O raio de luar que me enviaste Tem as suas razões. Eu tenho as minhas E este gozo que assumo ao descobrir.   Deste-me a luz e não me perguntaste Sobre os enigmas, sobre as adivinhas Deste estranho mistério de existir...     Imagem retirada da internet

SLEEPING BEAUTY

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  Apeteceu-me agora um malmequer, Um raio de luar, um céu estrelado, Um castelo de luz, imaculado, E um vestido de rendas…de aluguer.   Apeteceu-me agora ser mulher, Suspirar pelo príncipe encantado Que vem buscar-me num cavalo alado… Apeteceu-me ser outra qualquer!   Para mim, que me sei como me sou, Antes um sapo numa poça de água, Antes uma casinha de madeira!   Umas calças de ganga e já cá estou! Não há sonhos reais e nem a mágoa Fará de mim princesa e prisioneira!   Imagem retirada da internet     

AMORES E DESAMORES

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  A tua face hermética e segura, O teu vulto elegante e decidido… Desculpa ter brincado e ter-me rido, Ter-te feito passar por tal figura!   Um dia, no passado, - que loucura! Quando te via ao longe e, distraído, Passavas e ficavas entretido A olhar-me sem ponta de ternura…   Ai, esse tempo de menina e moça! Era olhar-te e pasmar, sonhar contigo Num somatório absurdo de promessas,   Mas hoje é só de mim que faço troça E tu, se acaso foste meu amigo, Podes troçar também, antes que esqueças.       Maria João Brito de Sousa - 13.08.2009     Imagem retirada da internet

SEGREDOS E TRANSPARÊNCIAS

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      Esconde-se, desvelada em mil segredos… Depois, se a lua-cheia a vem beijar, Revela-se no céu, põe-se a brilhar, Livre dos infundados, loucos medos.   Tento agarrá-la, então, entre os meus dedos E ela foge de mim, sempre a brincar Por entre os brancos raios de luar, Por cima do mar bravo e dos rochedos…   Ninguém jamais a viu, ninguém a teve, Ninguém sabe dizer de que cor é, Qual é a sua forma, o que contém…   Passa por mim e eu quero que me leve Até ao limiar da minha fé E ainda, depois disso, um pouco além!     Imagem retirada da internet

VIAGEM DE UM NÁUFRAGO ENLUTADO

  Luar de Lua-nova em que descansa Um homem que perdeu sonhos de mundo. Debruçou-se e caiu. Lá foi ao fundo Sem ter vara de pesca, rede ou lança.   Foi girando em espiral. Que estranha dança Dançou ao mergulhar no mar profundo! Não sabia estar sujo e estava imundo, Coberto de desonra e de abastança.   Depois sentiu-se bem, ficou lavado De impurezas reais e do pecado De ter sido banal, inútil, bruto.   Eternidades mil terão passado E esse homem voltou muito mudado, Despido do seu estranho, obsceno luto. *   Maria João Brito de Sousa - Agosto, 2009  

DESPEDIDA

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    Homem que dedicaste a vida inteira Ao sorriso, ao sabor da gargalhada, Recebe esta homenagem declamada Que aqui te deixo, à hora derradeira.   Foi rica, a tua humana sementeira! Se contigo não levas mesmo nada Serás mais rico. Foi-te consagrada A honra mais sublime e verdadeira…      Jamais te esquecerão! Jamais serás Uma coisa passada e já sem uso Que alguém possa dizer que não faz falta.   Que Deus te tenha agora em sua paz! P`ra ti estas palavras que conduzo Entre os mais que te viram na Ribalta…       Imagem retirada da internet

SONHOS II

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  Sonhou com diamantes, ametistas E ouro do mais fino e do mais puro... Mil coisas que não quero nem procuro Como é próprio da vida dos artistas.   Ele, porém, purista entre os puristas, De trato pouco afável, rosto duro, Quis mostrar-se indif`rente... até seguro De estar acima de outros elitistas.   Que sonhos tão banais esse homem tinha... Por fim lá fez vingar os sonhos de ouro E acabou por morrer deveras rico!   Quanto a mim... tenho sonhos de avezinha! Nunca almejei, sequer, um tal tesouro E vou enriquecendo enquanto fico...     Fotografia de Nuno Rico, retirada da internet

CAIXINHA

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  Sou caixa de Pandora feita à pressa Na mesa de madeira sem raiz, Apenas enfeitada com verniz Construída entre dúvida e promessa…   Caixinha toda feita peça a peça Dessa madeira velha que eu não quis Mas que volta a tornar-me tão feliz Assim que a brincadeira recomeça…   Caixinha da surpresa… presa… presa Ao recomeço, ao tempo pendular, A esse eternizar de uma criança   Que nunca poderá sair ilesa Do que a caixinha um dia revelar E de um jogo que cansa… cansa… cansa…     Imagem retirada da internet

MEMÓRIA DESCRITIVA

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    Era azul, como o mar… ou mais ainda! Suave e tão lento quanto a lentidão, Desenhava-se, ao fundo, um vulto vão E paisagem de fundo era tão linda…       A outra veio vê-lo. Era bem-vinda. Destacava-se, enfim, da multidão Como se fosse a própria solidão. Aquela que, ao chegar, nunca se finda…       Era melhor assim! Tanto melhor Se desfrutava, assim, da própria cor, Se sabia ser lá que pertencia…       E, sobretudo, não sentia dor Nem jamais encontrara tanto amor Como encontrou na luz que então se via.       Imagem retirada da internet

"PEPE", O PEQUENO LUGRE

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    Decretas-te imortal entre os mortais, Dominas todo o mundo e, de repente, Exaltas o pior de toda a gente, Destróis toda a harmonia e pedes mais?!   Se te crês bem melhor que os animais Que sobrevivem inocentemente, Então, ou és vaidoso, ou és demente E despresas, da Vida, os seus sinais...   Somos todos irmãos... até a erva Que cresce nos passeios que pisamos É também nossa irmã, parte de nós.   Nem tu és amo, nem eu serei serva, Somos, tão só, aquilo que sonhamos E os nossos sonhos são a nossa voz.   Maria João Brito de Sousa - Agosto, 2009   PALAVRAS DE "PEPE" - Boa tarde para todos vós! Eu sou aquela avezinha que vocês podem ver na fotografia que ilustra o soneto. Tenho muito poucos dias de vida e, quis o destino que eu caísse do ninho que os meus pais construíram para mim. Não sou Lugre que se dê por vencido quando o momento parece mais adverso e piei o mais alto que pude até que passou uma Humana e me recolheu. Neste momento estou em casa dela e já consegui comer uma...

IMAGINÁRIOS

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    Saberás do vento que sopra na areia? Sabes do calor nessas rochas salgadas Que, apesar de tudo, vão sendo habitadas? Já viste as mudanças quando há lua cheia?   Já viste tritões? Conheceste a sereia   Que chama por ti, dessas grutas sagradas, Nos dias incertos, às horas marcadas, Que o tempo decreta e o acaso norteia?   Já te imaginaste dif`rente e, contudo,   Igual a ti mesmo nos sonhos que inventas, Se a tanto chegaste por tua vontade   Ou és indif´rente, dizes: - Eu não mudo!,   Não sabes voar, nada vês ou nem tentas Saber até onde chega a liberdade?       NOTA – Soneto Alexandrino