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MUSA - Reedição

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Gravura de Pablo Picasso * MUSA   * Emerge a Musa e esparge a água salgada Que lhe moldava as ondas dos cabelos Na areia onde, não estando, estou sentada Desenrolando os fios dos meus novelos. *   Já se retira, a musa, mas do nada Em que pude pensar que pude vê-los, Emerge um verso, um só, que, extasiada, Vislumbro ao som de acordes muito belos. * Que Musa é esta musa imaginada, Que traz consigo acordes tão singelos E mos oferta assim, de mão-beijada? * Decifrá-los, não sei, só sei escrevê-los... Ah, não transcreva a nota em pauta errada A mão que lhe estendi pra recebê-los! *     Maria João Brito de Sousa – 10.07.2018    In "...Até a Neve Chorará Num Dia Quente..." EUEDITO, 2018 ***          

DECLARAÇÃO DE EMANCIPAÇÃO DE UMA MUSA EM "BURNOUT"

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Tela de Vladimir Kush * DECLARAÇÃO DE EMANCIPAÇÃO DE UMA MUSA EM "BURNOUT" *   Sou hoje uma musa tonta e esclerosada Sempre que algemada à tua recusa! Quem de mim abusa não consegue nada E eu, de tão explorada, tornei-me confusa * Em tempos profusa na nossa empreitada, Hoje, esvaziada, torno-me reclusa Da tua voz lusa que, desgovernada, Se queda abismada quando a não conduza * Ergue a tua infusa e enche-a se quiseres De quanto (es)colheres. Quando conseguires Por não desistires, colher... se puderes, * Fá-lo, se o souberes. Fá-lo sem me ouvires, Sem nada pedires e sem me deteres: Fá-lo por quereres. Quer quanto sentires! *   Mª João Brito de Sousa 06.04.2022 - 10.21h ***  

SEGUNDA CARTA ABERTA A UMA MUSA INEXISTENTE

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  SEGUNDA CARTA ABERTA A UMA MUSA INEXISTENTE * O que é feito de ti? Por que partiste? Nunca a ti te falhei; mesmo doente Dei-te toda a atenção que me pediste E se uma vez ou outra te fiz frente * Foi porque demasiado me exigiste E, às tantas, te tornaste prepotente... Repara que o poema em mim persiste, Embora a tua voz lhe esteja ausente, * O verso seja fraco e lasso e triste E apenas pra mostrar que não desiste Teime em dizer-se, assim, penosamente, * Como quem perde a força, mas resiste, E admite que, afinal, a musa existe, Mesmo quando lhe chama inexistente. * Maria João Brito de Sousa – 26.08.2018 – 11.31h    

MUSA

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  MUSA   * Emerge a Musa e esparge a água salgada Que lhe moldava as ondas dos cabelos Na areia onde, não estando, estou sentada Desenrolando os fios dos meus novelos. *   Já se retira, a musa, mas do nada Em que pude pensar que pude vê-los, Emerge um verso, um só, que, extasiada, Vislumbro ao som de acordes muito belos. * Que Musa é esta musa imaginada, Que traz consigo acordes tão singelos E mos oferta assim, de mão-beijada? * Decifrá-los, não sei, só sei escrevê-los... Ah, não transcreva a nota em pauta errada A mão que lhe estendi pra recebê-los!       Maria João Brito de Sousa – 10.07.2018 – 14.34h   Gravura de Pablo Picasso