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TROVAS À TROIKA

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Olho este povo cansado De ver a vida a passar, De viver das aparências Na mais dura das carências A que o vão fazer chegar Para o terem bem calado…   Meu povo tão criativo De poetas e cantores, Gente com caule e raiz Que nunca será feliz Nas mãos dessoutros senhores Que o querem manter cativo   Vejo a gente nas canseiras Das noites sobressaltadas Pelos dias sempre incertos E nos olhos, muito abertos, Mil perguntas formuladas De mil e uma maneiras…     Ah, povo, se fores dormir E eles tentarem sufocar O cravo que tens no peito Ao roubarem-te o direito De viver, de trabalhar E, até mesmo, de sentir…   Oiço a gente que murmura, Que duvida e quer respostas, Que não consegue entender Porque é que há-de acontecer Que as regras sejam impostas Como eram na ditadura   Povo de garra, com garras, Que rosna sob um chicote Que a muitos soube calar Mas que recusa aceitar As loucuras de um Quixote Que nunca vestiu samarra! Não cales, povo que sofres, A tua revolta imposta Por amos que não quiseste! M...

"MUDASTI?" ou O ESTRANHO FENÓMENO DO "INCHAÇO" TELE-INDUZIDO

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  Fui ver-me em televisão E não me reconheci; “- Mas que grande confusão! Quem será aquela, ali?” Só a voz me elucidou, Pois reconheci-me nela, Porque o resto “levedou” Como massa na tigela… Quem poderia jurar Que aquele “ mostrengo” era eu? Mas terei de confirmar Que o discurso, esse, era meu! Àqueles que já me conhecem Nem sei como esclarecer Pois todos eles me merecem O que agora vou dizer; Não sei o que se passou, Nem sequer sei a razão Porque a minha cara inchou Como se fosse um balão… Até rugas me nasceram Onde agora a pele é lisa! Que mistérios me trouxeram, Do tempo, tanta divisa? Parecia um bicho disforme E nem queria acreditar Que aquela mulher enorme Fosse “eu”, ali, a falar! Dizem que cinco quilinhos Podem ser acrescentados, Mas bem vi que os danadinhos São cinquenta… e bem pesados!   Maria João Brito de Sousa – [em estado de choque depois de me ter visto na televisão… 02.08.2010]      

OS ABRAÇOS DOS COMETAS

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Já não como, já não bebo, Já não há nada a fazer E, tanto quanto eu percebo, É assim que tem de ser.   Fomos mães, somos poetas E sentimos sempre mais Os abraços que os cometas Sabem dar aos animais!   Percorri mil madrugadas Vestida de cinza e prata, De viver fiquei cansada, Mas, mesmo assim, estou-te grata… Fosse noite ou fosse dia Eu contei c`o teu carinho E, mesmo nesta agonia, Sinto que estou no meu ninho…   Fomos mães, somos poetas E sentimos sempre mais Os abraços que os cometas Sabem dar aos animais!   Também eu fui oportuna, Dei todo o amor que tinha E tu tiveste a fortuna De te não sentires sozinha. Nesta vida que vivemos, Ambas nos demos inteiras, Of`recendo o que pudemos De mil dif`rentes maneiras… Sei que também estás doente, Tenho-te ouvido gemer. Tu, de mim, não és dif´ rente Estamos ambas a morrer…   Fomos mães, somos poetas E sentimos sempre mais Os abraços que os cometas Sabem dar aos animais!   Quem me dera que ficasses, Que escrevesses sob...

O RIO E A VIDA

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O RIO *   Mede-se a vida no fio De uma linha equidistante Entre a nascente de um rio E a sua foz, a jusante… *   Às vezes o rio, teimoso, Quer subir uma montanha Que não pode e, furioso, Lança-se em fúria tamanha * Contra pedras e arribas, Que acaba por ir passando: Encontra as alternativas Que antes não estava encontrando... * Flui depressa ou flui sereno, Mas prossegue a caminhada E constrói sobre o terreno Um simulacro de estrada... * Já mais calmo, encontra a foz, O ponto no qual, espraiado, Vai mergulhar… como nós Quando o fim tiver chegado *   Mas lá em cima, a montante, Continua inda a caminho… Tudo é mudança constante, Nenhum rio morre sozinho! *   Mª João Brito de Sousa Março - 2009 ***