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A mostrar mensagens de dezembro, 2008

A PINTORA

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Devorava sentidos proíbidos Na captura das formas e das linhas. Falava pouco ou nada com vizinhas. Dizia-se da cor dos seus vestidos.   Abraçava-se aos gestos repetidos Que sobreamontoava, quais sardinhas, Recriando ilusões e adivinhas Onde antes eram vãos os seus sentidos.   Criava como quem retrata a vida Que dantes conhecera, repetida Por muitos que ela nunca conheceu   E roía os caroços de outros frutos Supondo partilhar os seus produtos Até ao próprio dia em que morreu.     Maria João Brito de Sousa - 2007     Pormenor de "Escorço - Grande Pintora a Lápis de Cor"      

A DISFUNCIONANTE

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Ia por ali fora, cabisbaixa, Vivendo por viver, sem já ter meta, Deixando atrás de si, em linha recta, Pegadas que gravara numa faixa.   Não estava aberta, nem à caridade, Nem ao fluir do seu imaginário... Vivia, no momento, o seu contrário Caminhando por força de vontade.   Funcionava tão mal, enquanto gente! Perdera os meios de seguir em frente Na azáfama, na dor, no burburinho...   "Disfuncionantemente" prosseguiu, Embrenhou-se, por fim, nesse vazio Que tão longe a levara do seu ninho...     Imagem retirada da internet  

O CAMINHANTE (A very, very short-story)

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  Passou por este espaço e quis parar... Ficou refém do espaço, por momentos, Olhando-o com olhos muito atentos Em busca da razão que o fez ficar.   Passou por este espaço e, sem saber, Passara por si mesmo uma vez mais Sem que os olhos captassem os sinais Que este espaço lhe dera a conhecer...   Depois foi normalmente à sua vida. Não fora a sensação de uma partida, Jamais se lembraria deste espaço...   Tem dias em que passa e já nem olha, Em nenhum deles, porém, a sua escolha Dependeu da vontade ou do cansaço.     Maria João Brito de Sousa - 29.12.2008   Gravura de Manuel Ribeiro de Pavia      

O RASTO DO COMETA II

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Pretérito de mim neste imperfeito Que é condição de ainda andar por cá, Procedo á criação do não há, À minimização do meu defeito...   E, nesta dimensão de Causa-Efeito, Traçando o meu caminho ao Deus-dará, Mais-pedra, menos-pedra... eu volto já! Este caminho ìnda não está direito...   Mais-obra, menos-obra, eu vou passando Sem saber se acabei, sem saber quando... Gente feita de barro é mesmo assim,   Por cá vamos deixando o nosso rasto! Vislumbro um horizonte e não me afasto Até que alguém venha afastar-me a mim...     Imagem retirada da internet    

TRÊS SONETOS DO DIA

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  A CEIA DO POETA III   Se sou a mais pequena entre os pequenos (ainda mais pequena que o comum...), Se vivo neste absurdo desjejum Das palavras que escrevo em mil cadernos,   Ao vislumbrar-me, assim, entre os eternos, Senti-me, por segundos, ser mais um E, louca de alegria, bebi rum Por copos que inventei noutros invernos   E fiquei-vos tão grata - embora louca...- Que já nem sei expressar essa medida, Que já nem sei dizer como fiquei,   Pois desfeita em palavras, fiquei rouca... Embriago-me, invento outra bebida, E tento dar-vos mais que o que já dei!   Maria João Brito de Sousa - Dezembro, 2010     SONHAI!   Crescei, multiplicai-vos e sonhai! Roubai maçãs da árvore da vida, Chorai os que são vossos, na partida, Sede vós mesmos, mas acreditai!   Se tendes sede ou fome, protestai! Se vos faltar amor, perdão, guarida, Procurai novo peso, outra medida, Encontrai novos rumos, viajai!   Ide ao fundo do mar de cada mar, Subi, subi além de cada estrela, Descobri tudo, tudo o que puderdes!  ...

PERCURSO IV

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São milénios, são anos, são momentos, São traços como palavras ou rugas, São os inevitáveis, são as fugas Às concretizações e aos eventos.   São as desconstuções, os desinventos, Os verbos que esqueceste, mas conjugas, A força que, não tendo, ainda alugas Em troca do que calas em lamentos.   São ondas do teu mar, essas marés Que te tornam naquilo que tu és Sobrando o que é comum a toda a gente.   São as recordações dos teus sentidos, Memórias, livros lidos e relidos, E o que de ti ficar daqui pr`á frente.     Maria João Brito de Sousa - 26.12.2008   A S.   imagem retirada da internet

THE LITTLE DRUMMER BOY - Bring your wounded lambs...

   

LINEARIDADE III

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LINEARIDADE III   Existe, em cada cor, um mar de linhas. Umas são longas, outras são quebradas. Enérgicas, contudo, e bem traçadas Tão negras como voos de andorinhas.   De cada linha nasce cor dif`rente. Por vezes, em "nuance", aclaro o tom... Nem sempre o menos claro é menos bom Porque realça a luz, omnipresente.   Desenham-se momentos, atitudes, Entre os defeitos surgem as virtudes Em traços como punhos, como gritos.   São silenciosos gritos, como as cores, Como os sorrisos, como os desamores. Como tudo o que expresso. E facilito.     Maria João Brito de Sousa, 1999      

LINEARIDADE II

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Não fora a compulsiva, estranha urgência De explicar-me `inda mais do que me sei, Não fora eu não ter dono, nem ter lei Para além desta absurda transparência,   Não fora esta assumida incoerência De eu qu`rer dar muito mais do que já dei E sentir muito mais do que pensei Em subversões da própria inteligência,   Não fora eu ser assim [embora louca...] Este pr`além de mim [mas coisa pouca...] Que sempre vai pedindo mais e mais...   Não fora a linha em que me envolvo, inteira, [maleável embora rotineira...] Como me encontraria entre os demais?     Maria João Brito de Sousa, 1999  

LINEARIDADE

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Por fora da palavra eu traço a cor, Por dentro é que preencho a cor do traço. Linear, como tudo o que aqui faço, Defino-me num estranho, infindo amor.   Envolvo numa linha definida A pálida brancura e seu contraste E não há envolvência que me baste Pr`a me tornar segura, protegida...   Mais linhas, mais abrigos, maiores pontes... E torno à cor que jorra de mil fontes Porque tudo, afinal, é cor e luz!   A golpes de pincel já mergulhei No mesmo mar de cor em que engendrei Tudo o que é linear e me traduz.     Maria João Brito de Sousa, 1999  

O FANTASMA DO POEMA

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Nasci deste poema que fizeste. Tu olhas-me e não queres acreditar Mas eu sou, na verdade, esse pulsar Do momento da escrita em que te deste.   Venho lá bem do fundo do teu ser, Sou a ponte que leva a tudo o mais, Trago anseios, urgências animais, De partir e de dar-me a conhecer...   Não quero nem morada, nem fronteiras! O corpo é para ti que és pequenina. Eu "sou", sem dimensão de tempo ou espaço!   Saltei d as tuas mãos, entre canseiras... Do fundo dos teus sonhos de menina, Da estranha imensidão do teu cansaço!     Imagem retirada da internet     Acabadinho de nascer para :   http://fabricadehistorias.blogs.sapo.pt/   NOTA: Este poema não foi ficcionado, não senhor! Surgiu-me com a rapidez de um vendaval e com a inevitabilidade de um facto consumado, avisando que iria para a FÁBRICA DE HISTÓRIAS. E garanto que não posso jurar que me tenha lembrado de dar rédea solta à imaginação!

AB INITIO

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Tudo tem uma cor e tudo é cor! Palavras, letras... números também! Cada um é a cor da cor que tem E dispersa-se em ondas de calor.   Nem sempre o negro é mau, nem sempre é dor! Do negro que tracei nasceu, além, Uma pérola branca a que ninguém Pode dizer que não terá valor...   O "um" sempre foi negro, o "dois" cinzento, O "três" é amarelo, ao "quatro" tento Descrever-lhe esse azul mal definido...   O "cinco" é bem vermelho, o "seis" é rosa... São a minha paleta, o verso, a prosa... E todo este "ab initio" faz sentido...   Maria João Brito de Sousa, 2002    

UM FANTASMA NO PINHEIRO DE NATAL

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Era o corpo-presente de uma ausência! Perfeitamente nítido na sala, E vestido a rigor... traje de gala Num lençol de alva e pura transparência.   Mas lá que era fantasma... ah, isso era! Do alto do pinheiro de Natal, Olhou-me e acenou. Não me fez mal. Disse-me: - Noutro Natal! Eu fico à espera...   Sorri-lhe também eu, disse-lhe adeus, Sumiu-se por caminhos muito seus E eu ali fiquei, muito orgulhosa...   Fora um presente que era só p`ra mim Pois mais ninguém na casa o viu assim Naquela noite gélida, invernosa.     Imagem retirada da internet     Acabadinho de ficcionar para a http://fabricadehistorias.blogs.sapo.pt/

TEATRO II

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Mas foram ilusões! Só ilusões! Eu, fantasma de mim, a pressentir Que havia alguém por trás a conduzir Os débeis resultados das acções...   E tantas ilusões-desilusões! Verdade compulsiva a permitir A queda das muralhas do sentir No castelo das antecipações...   A intuição aponta e não revela Minúcias, coordenadas, pormenores, De quem vai conduzindo a nossa vida...   Impõe-se e eu não sei viver sem ela! Há, do lado de lá, tantos actores! O pano vai subir. Estou de saída.     Imagem retirada da internet    

TEATRO

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Porquanto vos não sei, eu sei, de vós, Aquilo que quiserdes... mas eu "sinto" Imagens que eu invento ou que consinto Porque tão consistentes quanto nós!   Sei-vos, portanto, tal qual vos pintei E quero-vos assim e dou-vos vida. Sereis o que imagino e, à partida, Imaginada cor dos meus pincéis.   Ainda que insegura criação, No palco virtual duma emoção, É sempre criação e é bem-vinda!   Vós sois mil resistentes personagens! Pulsões, evocações de mil imagens Num teatro ideal que nunca finda!     Imagem retirada da internet

ALFA E ÓMEGA

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Poemas que me nascem das entranhas Como frutos de um coito acidental, Que vêem cá de dentro e (coisa estranha!) São a minha razão de ser mortal,   Poemas que são Eu, que são em mim Causa suprema e sonho a despontar... Que estranha força vos gerou assim? Quem me ilumina a alma e a faz cantar?   Alfa e Ómega de todo aquele que cria, Raízes, asas de quem for poeta... Eu hei-de dedicar esta passagem   A escrever as palavras que me envia Esse estro que fecunda e que desperta A voz destes poemas que me nascem!     Imagem retirada da internet    

O CÃOZINHO QUE NASCEU COM AS PATAS BRANCAS

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Era uma vez... era uma vez uma mulher que queria escrever uma história para a Fábrica de Histórias e não sabia ficcionar... Chegara recentemente a essa conclusão e sentira-se um tanto ou quanto diminuída por isso. Era simples, a mulher, mas tinha o seu orgulhozinho e tamanha lacuna parecia-lhe estranhíssima. Tanto mais que ainda se recordava de ter ficcionado uma ou outra historieta para as filhas, em tempos que, há muito, já lá iam. Caramba! De uma ficçãozita todos somos capazes! - Invectivou-se, como se aquilo lhe puxasse pelos cordelinhos da imaginação e pusesse a emperrada maquineta da memória a funcionar. Nada. Nem uma palavrinha para além do "Era uma vez"... só sentia. Ah! Sentir, sentia! Sentia, nesse dia, uma particular gratidão por alguém que a ajudara a salvar a vida  -   ainda débil, ainda "tem-te, não-caias!" -  da gatinha que a mãe lhe trouxera para casa há sete anos atrás. Por isso e porque "sentir" sempre fora a sua especialidade, a mulher d...

AUTO-RETRATO II

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Há versos que nem sei quem os criou Porque eu sou, afinal, um instrumento Que escreve alheio a quanto desalento A vida deste mundo o condenou...   Assim sendo, escrevendo é que me sou E faço da palavra o meu sustento. Este poema é fruto e alimento Do corpo da palavra em que me dou...   Sei que digo a verdade, que não minto! Aquilo que foi dito... dito está! Este instrumento "Eu" é compulsivo...   E não sei ficcionar. Digo o que sinto! Palavra? Nunca sei quando virá Nem mesmo sei dizer porque motivo...     "Escorço - Grande Pintora a Lápis de Cor" (pormenor)   Maria João Brito de Sousa, 2007  

INDIFERENÇA

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Quanto direito humano ou que direito Nos dá, a nós, direito de passar Por esse mundo fora sem olhar Pr`a outro como nós, mas imperfeito?   E se lhe faltar pão, amor, saúde, Porque não partilhar o que nos sobra? De nada irá servir a nossa obra Se a obra não partilha e nos ilude...   Tanto humano direito desprezado... Tanta miséria e fome e quão cansado Estará o bicho-homem de se ouvir!   Quantos nem nunca ouviram ou souberam O sentido, a razão porque nasceram Onde outros nunca querem dividir...     Imagem retirada da internet  

JOGOS DE SEDUÇÃO

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Se teço mil carícias de cetim No corpo alucinado de um soneto, Se, nesta tentação, me comprometo Com esta sedução que surge assim,   Eu nunca mais consigo achar-lhe o fim! São tantos os pecados que cometo E tantos os poemas que prometo Que me espanta o ardor que existe em mim!   Mas, mesmo que assim brinque, e u sei que sou Poeta a tempo inteiro - corpo e alma! - Pois nada do que faço me contenta...   Não paro de escrever... eu venho e vou Entre uma rima breve que me acalma E outra que me torna mais sedenta...     Imagem retirada da internet  

SENHORA DA TRISTE FIGURA...

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    Ó fome sem sentido e sem descanso Deste pão dos meus dias de poeta, Motor deste outro sonho que desperta, Anseio sem repasto nem remanso.   Palavras que eu desejo e não alcanço, Que tento sem nunca atingir a meta Do sonho que, em Quixote, estava alerta E tão adormecido estava em Sancho...   Tu és quem justifica, no meu Ser, As madrugadas claras, o futuro, Dos dias que depois hão-de nascer!   Tão dif`rente da fome de comer Que se sacia e esgota em pão seguro... A minha nem de pão já quer saber!     Imagem retirada da internet   NOTA - Peço desculpa ao Free-Stile por não ter, ainda, conseguido publicar no poetaporkedeusker o Prémio Dardos - conforme prometido - mas estou com muita falta de tempo. A E.T. continua muito doente.    

O BAZAR DA CAROLINA

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  Pequena Carolina, o mundo é teu! O mundo e os direitos que trouxeste No exacto momento em que nasceste Com a força de Ser que Deus te deu.   Nem tudo corre bem neste ir-e-vir... Há momentos difíceis, bem o sei. Este soneto é tudo o que darei Em troca do que tu me vens pedir...   Mas abro-te o caminho do meu espaço E, embora virtual, dou-te um abraço... De mim, tão velha já, a ti, menina.   Quatro anos de jornada e um futuro... Quatro anos e o teu sorriso puro, P`ra que outros te conheçam, Carolina...     Visitem o Bazar da Carolina em http://www.carolinalucas.com/ e ajudem a tornar o seu sol mais brilhante!      

TALVEZ...

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Divido-me entre ser-me e dispersar-me. Encontro, em desencontros recorrentes, Pulsões ocasionais, difusas, quentes, Como se anjos `stivessem a chamar-me...   Parar? Devo parar? Não sei parar! Eu corro pelo tempo sem descanso, O corpo aqui parado, inerte e manso E a alma que não pára de voar...   E quase sem memória - ou muito pouca - Pergunto-me se estou a ficar louca: Ninguém parece igual ao que eu sei ser...   Mas `inda sei amar, fazer poemas, Escalar esta montanha de problemas... Talvez assim eu possa, enfim, viver...   Imagem retirada da internet   NOTA - Peço antecipadamente desculpa pela minha pouca disponibilidade no dia de hoje. A E.T. está gravemente doente e eu estou com o coração apertadinho.  

"MUDAR O MUNDO" na FÁBRICA DE HISTORIAS

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  Nesta história de "Mudar o Mundo", a grande diferença está na forma de abordar a questão. Quando eu era muito jovem, acreditava que podia mudar o mundo. Hoje, já com cabelos brancos, olho para trás e sorrio... e tenho a certeza de que nunca me restou alternativa. Nem a mim, nem a ninguém... Todos nós, pelo simples facto de existirmos, vamos mudando o mundo, segundo a segundo. Claro que somos livres de mudá-lo da melhor ou da pior maneira possível. É aí, e apenas aí, que, no meu entender, reside o livre-arbítrio. Por isso, hoje vos remeto para um texto que publiquei em Março, no poetaporkedeusker  e que irá, direitinho, para a FÁBRICA DE HISTÓRIAS   Deixo-vos um link para esse texto e outro para a Fábrica de Histórias e - porque não? - um convite para escreverem também.   http://poetaporkedeusker.blogs.sapo.pt/35088.html   http://fabricadehistorias.blogs.sapo.pt/   O texto será, posteriormente, publicado na Fábrica. Vão até lá e descubram como se vai mudando o mundo no dia a...

O NATAL QUE NASCEU DE OUTRA MANEIRA...

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O meu soneto de hoje estará no   http://and-so-this-is-xmas.blogs.sapo.pt/   Para todos um Natal muito, muito cheio de                             Paz e Amor!  

ANACRONICA(MENTE)

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Quantas vezes abraço o mundo, a vida, E o Universo e eu somos só um! Quantas vezes sou tantos e nenhum, Dispersa, em esparsa névoa diluída?   Quantas vezes tão só e acompanhada Me sinto, mais do que eu, árvore, flor, Cometa em voo raso, Ursa Maior, Terra, água, fogo e ar... ou mesmo nada?   E, nesta fantasia, que não sei Se é mesmo fantasia ou se é real, Me encontro, me defino e justifico.   De tudo o que fui dando, o mais que dei Foi esta elevação do que é banal À dimensão de um Eu que sacrifico.     Imagem retirada da internet      

HUMANA CONDIÇÃO IV

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Era, e sobre si girava e tudo via E nada do que fez foi feito em vão. Era, no que fazia, a tentação De dar-se muito mais que o que podia...   Ele era inteiro em tudo o que fazia: O barro de si mesmo em gestação, Moldando-se ao sabor duma abstracção Desse mundo ideal que o recebia.   Assim se fez. Cresceu, teve meninos, Tornou-se pai de todos os destinos Por carregar as culpas de um segredo...   Depois emancipou-se e fez-se humano. Pecou e provocou tamanho dano Que acabou por morrer de puro medo.       "O Guardador de Almas" - Maria João Brito de Sousa, 1999  

O VELHO ANÓNIMO

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Eu faço-te um sinal e tu nem vês... Eu choro enquanto rio e tu nem sabes Que moro este mundo onde não cabes, Onde não cabe um só dos teus porquês...   Apenas sobrevivo enquanto SER Aos maus-tratos do corpo, à fome crua, Um caco-humano sobre uma alma nua Que tu não quererias sequer ver...   Eu fiz-te esse sinal e tu passaste, Prosseguiste apressado e nem paraste Pr`a me pegar na mão e dizer: -Vive!   Sorrio ao ver-te ao longe e vivo ainda, Uns tempos mais, enquanto se não finda Este resto da vida que eu já ti ve...     Imagem retirada da internet