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A mostrar mensagens de janeiro, 2025

A PREMÊNCIA DO VERBO - Reedição

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Imagem gerada pelo ChatGTP *   A PREMÊNCIA DO VERBO * Quem me dera cantar mais alto e mais, Quem me dera que a voz não esmorecesse, Quem dera houvesse luz que não morresse Quando o ocaso embarca e deixa o cais *   Ah, quem dera cantar como os pardais Quando no horizonte o Sol nascesse, Como se, feito verbo, amanhecesse E pudesse irromper, dentre os demais *   Cantar esta tristeza, esta alegria Do verbo (im)pessoal, da melodia Inexplicavelmente antecedida *   Por tanta, tanta sede de harmonia Que quase me parece ser magia Cantar os versos meus... e ser ouvida! * Maria João Brito de Sousa 11.02.2008 - 02.27h ***

SONETO -7

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Imagem gerada pelo ChatGTP na seqência da leitura/processamento do soneto abaixo * SONETO -7 * De quanto de ti quis, nada encontrei Por mais que me inventasse e distorcesse: Foi de cardos o leito em que te amei Muito embora de amor o preenchesse * Ergui-te nas bandeiras que empunhei, Chamei-te meu, gravei-te numa prece, Esculpi-te em pedra e em pó me transformei, Fui nuvem sobre um dia que amanhece... * Foste o mosto do vinho que pisei, O fio da manta que o meu corpo aquece E, em tempos, foste tudo o que sonhei: *   Do trigo, foste a espiga que se of`rece Pra ser o pão que em mim levedarei Num mundo que não mais me reconhece. * Mª João Brito de Sousa 06.01.2025- 20.00h ***  

SONETO -6

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Imagem gerada/processada  pelo ChatGTP * SONETO - 6 *   Pedem-me uma carta, uma carta de amor Que eu saiba de cor sem dela estar já farta... De três se me aparta a memória em torpor: Só me trazem dor e temem que as reparta * Sigo para a quarta. Não lhe encontro ardor E a quinta é pior: vem de seda e de marta Mas como a lagarta, rói, não tem valor Seja pra quem for... Pró raio que a parta! * Muito se descarta quando se procura Uma tessitura que de tão vulgar Se pode ir buscar em qualquer altura * Mas que, porventura, pode não se achar Em nenhum lugar... E o que me assegura Que a antiga amargura me não vá magoar? *   Mª João Brito de Sousa 05.01.2025 - 23.00h ***      

CONVERSANDO COM SÁ DE MIRANDA - III

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Imagem gerada/processada pelo ChatGTP *** QUE FAREI QUANDO TUDO ARDE? * * Desarrezoado amor, dentro em meu peito, tem guerra com a razão. Amor, que jaz i já de muitos dias, manda e faz tudo o que quer, a torto e a direito. * Não espera razões, tudo é despeito, tudo soberba e força; faz, desfaz, sem respeito nenhum; e quando em paz cuidais que sois, então tudo é desfeito. * Doutra parte, a Razão tempos espia, espia ocasiões de tarde em tarde, que ajunta o tempo; enfim vem o seu dia: * Então não tem lugar certo onde aguarde Amor; trata traições, que não confia nem dos seus. Que farei quando tudo arde? * Sá de Miranda in 'Antologia Poética' *** QUE MAIS PRETENDES TU, SE TUDO ARDE? * Sempre que em chamas arde este meu peito, É certo que um poema irá nascer Qual cavalo de fogo a percorrer Um novo espaço que eu tão só aceito * Da razão não me aparto e estou sujeito À tentação de nela me perder Se acaso o fogo não parar de arder E eu me consumir nesse ígneo leito * Mas Amor e Razão vi...

CONVERSANDO COM SÁ DE MIRANDA, II

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Imagem gerada pelo ChatGTP *** Uma conversa com Francisco Sá de Miranda? É por  aqui, se faz favor

DIVAGAÇÕES DE UM VELHO CÃO NUMA TARDE DE OUTONO

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Imagem Pinterest *   DIVAGAÇÕES DE UM VELHO CÃO NUMA TARDE DE OUTONO * Agora que digo se todo eu sou sono? Ah, não me abandono na leira de trigo esperando o castigo do mestre ou do dono que a tanto me abono se mal está comigo... * Por aqui me abrigo me enrolo e ressono que é este o meu trono, se um trono consigo, ainda que antigo, ainda que um mono, qual velho patrono, um cantinho amigo... * Nas tardes de Outono sem Sol mas com vento quanto me contento se às folhas douradas que encontro espalhadas no chão, ao relento, * Miro muito atento e as vejo levadas por anjos ou fadas com arte e talento: Todas movimento, bailam tresloucadas. * Mª João Brito de Sousa 02.01.2025 - 12.30h ***   Soneto em verso hendecassilábico com rima entrançada  

GUERRA II

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Imagem gerada pelo ChatGTP *** GUERRA II *   Há tantos meses divididos entre O afecto, a revolta e a mistura Da dor co`a lucidez remanescente Vamos entre ventura e desventura * Com o que a sanidade nos consente E assim, entre a temp`rança e a loucura, Vive o seu dia a dia muita gente Que está quase no ponto de ruptura * Porquanto dividida vai vivendo E em dois segundos passa do sorriso À tristeza e ao medo. Assim vai sendo * Porque nos é imposta uma razia Que a todos traz horror e prejuízo E que nos rói por dentro noite e dia. * Mª João Brito de Sousa Oeiras, 01.01.2025 - 13.30h ***