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A mostrar mensagens de abril, 2021

CRIVO(S) & SENTIDO(S)

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CRIVO(S) & SENTIDO(S) * Não me apontem sentidos quando vejo Que sigo um rumo próprio e produtivo E que vou mais além, se tenho ensejo De enchê-lo das razões de que me privo * Quando, num verso, encontro o tal solfejo E, num soneto o lanço, agreste e vivo! De assim tão vivo o ver, logo o protejo Quer passe, quer não passe, pelo crivo * De quem possa julgar que o não cotejo - embora em gesto quase intuitivo... - Enquanto o vou escrevendo, se o desejo * Como sempre o desejo; sensitivo, Ritmado - claramente! - e, como o Tejo, Ousado, impetuoso e compulsivo. * Maria João Brito de Sousa - 08.09.2016 - 13.48h * Imagem retirada  daqui

IREI AONDE A MINHA MENTE FOR

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IREI AONDE A MINHA MENTE FOR * Eu que nunca saí do meu país, Só por dentro de mim me faço ao mundo; Se acaso no que afirmo vos confundo, Perdão, mas não lamento o que não quis, *   Nem anseio fazer o que não fiz... Cá dentro, a Terra inteira, o mar profundo E esta embriaguez de que me inundo Quando o corpo me escapa, por um triz, *   Ao mais escarpado pico da montanha, Ou ao abismo mais assustador Que no meu horizonte se desenha... * É só imaginar que sou condor, Pardalito, que seja, ou mesmo aranha; Eu vou aonde a minha mente for! *   Maria João Brito de Sousa - 28.04.2021 - 15.43h *  

BANCA(S)&MERCADOS

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BANCA(S) & MERCADOS *   Leveda o verso. Há raios e coriscos Nas veias e nos nervos do poeta Sobre o qual chovem os cifrões dos fiscos Com juro exponencial de acção directa. * No bar da esquina vendem-se os petiscos Que cozinhou Benilde, a amada neta Do saudoso Manel dos Olhos Piscos Que, dizia-se, fora um grande atleta. * Na banca, apregoando o peixe fresco, A ti Martina com seu ar burlesco Escama garoupas, pargos e pescadas * E julgo ouvir ao longe os seus pregões Sobrepondo-se ao medo, às convulsões E ao Super de gestão “offshorizada”. * Maria João Brito de Sousa – 06.08.2018 – 19.49h ***  

ALTÍSSIMA TRAIÇÃO

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ALTÍSSIMA TRAIÇÃO * Teus versos, réus de altíssima traição No tribunal das causas mais sagradas, Condenaram-me o corpo a tal paixão Que as mãos se vão perdendo, atormentadas, * E não encontram já satisfação, Nem rendidas me tombam de cansadas, Pois vão de sensação em sensação, Loucas por sensações não exp`rimentadas * E conduzem-me, toda frustração, À tentação de as ver desnorteadas Até à mais completa rendição, * Pois quanto mais perdidas, mais achadas Nessa mais que (im)perfeita condição De, por ti, terem sido atraiçoadas. * Maria João Brito de Sousa - Março, 2016 *   In A CEIA DO POETA (inédito) *   Françoise Gillot, Pablo Picasso

EM CARNE VIVA

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EM CARNE-VIVA * São como sal na f rida em carne-viva, Estas estrofes que alheada escavo, Curvada sobre a rima, o verso à d`riva Sobre um destroço que antes fora um cravo * Mas, à rotina que me tem cativa De criação de tão amargo travo, Veio juntar-se, abrupta e punitiva, A sanção relativa ao desagravo * Da voz canónica e repetitiva Cujo "vibrato" foi ficando escravo Do dogma e sua ilustre comitiva * Que lá do topo do seu desconchavo, Em plena (dis)função judicativa Decreta que o que leu "não vale um chavo". *   Maria João Brito de Sousa - Março 2016 In A Ceia do Poeta (inédito)  

25 DE ABRIL - Relembro

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    RELEMBRO * Relembro um rio que em gesto resoluto Cresce em caudal e soma em quantidade A mesma urgência com que agora eu luto E me dá força enquanto houver vontade; *   Porque um poder perverso e dissoluto Se nos impõe, esmagando a dignidade, Sejamos fio de outro qualquer soluto Que, em nos enchendo, engendre outra vontade!  * Relembro o sangue em veias indomadas E esta emergência em nós, sempre crescente, Que nos transforma as mãos mais desarmadas  * Em espada erguida sobre o prepotente Que ensombra as águas vivas, libertadas, Duma outra força antiga e sempre urgente!  *   Maria João Brito de Sousa – 15.04.2014 – 10.39h *   Ao povo português que, desobedecendo a uma ordem directa, invadiu as ruas em 25 de Abril de 1974 e transformou um golpe militar numa verdadeira revolução.  

"A CORRUPÇÃO TEM SEUS MEIOS"

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Leia  aqui, por favor.

NANO-TRAGICOMÉDIA

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NANO-TRAGICOMÉDIA * Musa e Eu * Desta humana tragédia que vivemos (que Divina, afinal,  foi a comédia...) Não sei se bem, se mal, retiraremos; Que (des)humana mão encurta a rédea * Dos libertários sonhos que tivémos Agora extrapolados pelos "media", Se vamos, afinal por onde iremos Enquanto mergulhados nesta acédia? * E, neste exacto ponto, a Musa pára, Retira tudo o que foi sendo dito, Afasta-se de pronto e faz-se cara; * - "Nisto que dizes, não sei se acredito, Mas se a verdade é tua, então declara Que foste quem a quis deixar por escrito!" *   Maria João Brito de Sousa - 23.04.2021 - 10.30h  

SINESTESIA(S) II - Coroa de Sonetos - Maria João Brito de Sousa e Custódio Montes

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  SINESTESIA(S) II * Coroa de Sonetos * Maria João Brito de Sousa e Custódio Montes 1. * Vem desvendar-me a cor destes sentidos, Deslinda-me o compasso em descompasso, Pressente os dedos hábeis e compridos Das mais simples palavras que aqui traço... * Em ti, mesmo que apenas pressentidos, Terão a dimensão do mesmo abraço Com que, letra por letra concebidos, Magicamente, ou não, se abrem num laço... * Ah, soubesse eu que podes decifrar-me E que, por cada letra que te estendo, Te aponto mil razões pra adivinhar-me, * Ou que pudesses ver, no que desvendo, A cor dos sons que entendem visitar-me Na paleta do verbo em que me acendo... * Maria João Brito de Sousa - Março, 2016 In A Ceia do Poeta - (inédito) *** 2. * “Na paleta do verbo em que me acendo...” Escrevo a tinta azul como convém Misturo o vermelho e também As cores que me chegam e vou vendo * Depois à claridade vou cedendo Em tons que vejo e apanho nesse além Provindo do horizonte e que me vem Das imagens que chegam e vou lendo * Pa...

SINESTESIA(S) II

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SINESTESIA(S) II Vem desvendar-me a cor destes sentidos, Deslinda-me o compasso em descompasso, Pressente os dedos hábeis e compridos Das mais simples palavras que aqui traço... * Em ti, mesmo que apenas pressentidos, Terão a dimensão do mesmo abraço Com que, letra por letra concebidos, Magicamente, ou não, se abrem num laço... * Ah, soubesse eu que podes decifrar-me E que, por cada letra que te estendo, Te aponto mil razões pra adivinhar-me, * Ou que pudesses ver, no que desvendo, A cor dos sons que entendem visitar-me Na paleta do verbo em que me acendo... * Maria João Brito de Sousa - Março, 2016 In A Ceia do Poeta - (inédito)

SINESTESIA(S)

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SINESTESIA(S) *   Mudas de espanto e sem fazer sentido Nascem palavras, brotam sentações Que se entrechocam num ponto perdido, Gerando lagos, montanhas, vulcões, * Trocando as voltas ao que foi pedido, Emudecendo a voz de outras questões Com que se tenham já comprometido, Sempre senhoras das suas razões... * Como ecos fundos, vibram sons distantes Que, cá por dentro, fazem ressoar Roucos murmúrios de ideias sonantes, * Músicas loucas, vibráteis, pulsantes Em que o poema se ousa decifrar Na pauta (in)glória de uns versos cantantes * Maria João Brito de Sousa - 2016 * In A Ceia do Poeta (inédito) e In RECLUSÃO, Junho, 2022 a quatro mãos com Laurinda Rodrigues

ESTA VELHA MENINA - Coroa de Sonetos - Maria João Brito de Sousa e Jay Wallace Mota

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ESTA VELHA MENINA * (Desgaste) * Coroa de Sonetos * Maria João Brito de Sousa e Jay Wallace Mota * 1. * Esta menina, velha quanto baste, Exibe uma grisalha cabeleira E muito embora brinque, inda faceira, Já dos anos acusa um bom desgaste. * Sorriu quando menina lhe chamaste, Mas já percorre a rampa derradeira Que a reconduz à última fronteira E se aproxima, por mais que ela a afaste. * Menina que o não é mas já o foi E que já deve um tempo à sepultura, Sabe bem quanto custa e quanto dói * Contrariar um mal que não tem cura E a chaga que desgasta e que corrói O fio/pavio da chama que a segura. *   Maria João Brito de Sousa - 12.04.2021 - 16.24h * Ao Gil *** 2. * O fio/pavio da chama que a segura Já desafia a própria medicina! E a morte, que já torce pela cura, Parou pra ouvir os versos da menina! * E vê-se que a trevosa criatura Se curva mais e mais a cada rima, Mas logo então corrige tal postura, Num gesto de respeito a uma obra prima! * E de repente tomba de joelhos, Abre seus olhos f...