PEDRAS DE NASCENTE
PEDRAS DE NASCENTE * I * Apeteceu-me um astro displicente Numa explosão de chispas cintilantes: Onde os versos não sejam meus amantes, Nem sequer sei dizer s`inda sou gente... * Surgiu-me, então, um verso irreverente Que me tomou nos braços como dantes. Ganhou sentido o sonho: astros errantes, Já não me apeteceis, segui em frente! * Astros por versos troco. Bem distantes Andam os sons que ainda relutantes Se vão aproximando e, de repente, * Rumorejam audíveis e cantantes: Já jorram as vogais e consoantes, Já brota um rio das pedras de nascente! * II * Amo-vos, pedras ímpias, pedras loucas Na vossa sempiterna quietude! É vossa (im)perfeição, vossa virtude E onde exibis arestas, vejo bocas, * Expectantes ninhos e profundas tocas, Tudo compondo a vossa completude, Sem que haja mão humana que vos mude Em estatuetas gráceis e barrocas... * Amo-vos pedras, quais rotundos ventres, Mães de águas buliçosas, transparentes, Cheias de graça, prenhas de pureza! * Amo os vossos perfis, rochas enor...