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A mostrar mensagens de julho, 2008

TRÊS SONETOS DO DIA

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UM OUTRO MAR, TAMBÉM PORTUGUÊS... II   Aqui, no "blogomar", já fui feliz! Acreditei. Fui eu. Ousei sonhar E naufraguei por não saber nadar Onde quase ninguém é o que diz...   Quanto me dei ao mar! Quanto lhe quis! Quanto de mim pensei poder-lhe dar! Este inconstante mar quer-me afogar Por algo que nem sei dizer se fiz...   Meu cansaço é imenso, indescritivel. Atónita, sondando o invisivel Até aonde a alma alcança em mim,   Não vejo, em vislumbro uma resposta, Evito a tempestade e dou à costa À espera de que o mar me aceite assim...     JULGAR...                       Ao Mestre António Aleixo     De quanto erro se faz por este mundo, Talvez seja o pior julgar errado E saia o julgador mais mal-tratado, Se tiver consciência, lá no fundo...   Eu nem penso em julgar, porque confundo Aquilo que sei ser c`o que é julgado... Por isso nunca julgo! Isso é pecado, Pura perda de tempo, algo infecundo...   Prefiro acreditar! Acreditando Sobrevivo à mentira e, não sei quando, Hei-de chegar...

POEMA II

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Um poema é um nobre missionário Gerado pelo sonho em movimento... Ecoa pelo espaço e pelo tempo Sem pedir alimento nem salário   E sempre é casto, sendo libertino... Seduz, fascina, ensina uma uma lição E parece incansável na missão De ser parte integrante do destino   Se ri, se chora, abraça sem escolher E nesse seu abraço faz saber Que um sonho nunca morre; é infinito   Poema, ao dar-vos tudo o que tiver, É quem vos dá, no fundo, a conhecer O que, dentro de vós, há de bendito...   Ao Mário Quintana (li alguns dos seus poemas na minha mais remota juventude e recordo-me de que o meu avô falava muito nele. Suponho que fossem amigos ou, pelo menos, correspondentes e reencontrei-o no blog http://escritosdeeva.blogs.sapo.pt/ ) Ao Freddie Mercury.   Imagem - "L`Important c`est la Rose" - Acrílico e pastel de óleo                Maria João Brito de Sousa - 1999

A CASA DO POETA

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    A casa do poeta é oficina, É estaleiro de versos e de ideias, Volúvel como o vento nas areias, Imensa, embora seja pequenina...   Tem algo que nos prende e nos fascina, Como se fosse urdida por sereias Que nela tecem, líquidas, as teias Da sua condição semi-divina...   A casa do Poeta, como a vida, Está cheia de surpresas, novidades, Nunca teve a ambição de ser maior   E, mesmo que não esteja prevenida, Encontra um lugarzinho pr`às saudades Que o tempo vai urdindo em seu redor...   Maria João Brito de Sousa - 27.07.2008 - 01.56h   Imagem - "O Pequeno Mundo dos Criadores de Afectos", 120x70cm                Acrílico sobre tela                Maria João Brito de Sousa, 2006                (Obra adquirida)

LACUNA SOCIAL

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  LACUNA SOCIAL * Por mais que seja um trunfo a inocência, Sei bem que ela é lacuna social (talvez o meu pecado capital...) E fruto desta minha incoerência,  * Pois já não tenho tempo nem paciência Para me dedicar a obra tal Que passe a desonesta ou desleal A minha inata e mais profunda essência!  * Eu sei que o mal é meu. Faço cedência A quantas ilações tirar queirais E faço ouvido mouco ao que for dito, *  Pois nunca me importou ter aparência E bendigo as virtudes naturais Do que, profundamente, em mim está escrito. *   Maria joão Brito de Sousa - 26.07.2008 - 02.42h   Imagem - "Menina em Monocromia Rosa" (um dos quadros da                "Trilogia da Oferenda", dedicada a Manuel Ribeiro                             de Pavia) - obra adquirida      

ESPAÇO-TEMPO

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Nas horas irreais que aqui te prendem A este espaço-tempo em que acreditas Imaginas-te "ser" pois coabitas Com mundos paralelos que te entendem.   Imaginas-te ser o que te vendem Os velhos companheiros das desditas, És como marioneta presa a fitas Sem sequer perceber que elas te mentem...   Outros tempos e espaços, simultâneos, Partilham essas horas que conheces Sem que saibas sentir que estão ali...   E todos nos quedamos, consentâneos; Viver as horas tensas que tu esqueces, É viver por metade o que eu vivi...    Maria João Brito de Sousa - 24.07.2008- 11.19h   Foto - "CIBERÉTICA" - pastel de óleo, 40x30cm            Maria João Brito de Sousa, 1999  

O PRÓXIMO POETA

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    Conjuro-vos cigarras por nascer! Crescei, multiplicai-vos e cantai! Sede o que sois como chuva que cai Sobre terra que a saiba a receber.   Sede, apesar de não vos entender O mundo, o mundo inteiro que não vai Aceitar quanto sois porque vos sai Da alma insatisfeita o que não quer.   Mas sede, mesmo quando injustiçados, Pois será vossa voz pão do futuro Que, ao erguer-se de vós, canta inquieta   Nos versos que hão-de ser justificados Por aquilo que sois e que eu conjuro Na exortação do próximo poeta!     Maria João Brito de Sousa - 16.07.2008 - 17.10h   In Poeta Porque Deus Quer - Autores Editora - Janeiro de 2009   IMAGEM - Gravura de Manuel Ribeiro de Pavia (Ilustração do LIVRO DE BORDO - António de Sousa - 2ª Edição - Publicações Europa-América- 1957)   Nota - Soneto muito ligeiramente reformulado a 09.11.2015  

A MULHER INTERROMPIDA II

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  O que mais nos magoa é não ter fé, Ser cego a essa imensa lucidez E surdo às mil razões, aos mil porquês, De assumir-se e de ser-se o que se é,     É calar estados d`alma, é sonhar baixo, Saber não se exceder por estar zangado, Não se falar demais, ter-se o cuidado Que eu tenho, neste mundo em que m`encaixo...     Durou porque durou! Fez-se memória A paixão desigual (porque ilusória...) A quem eu dediquei parte da vida...     Perdeu encanto, nunca teve glória E tudo o que sobrou foi esta história Daquela que se assume interrompida...     Maria João Brito de Sousa - 10.07.2008     ESSÊNCIA - Acrílico sobre placa cartonada - 93x73cm                      Maria João Brito de Sousa - 1999

DISTORÇÃO FIGURATIVA

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  Nestas reviravoltas da palavra, Onde eu encontro a luz é onde ecoa A voz que se não cala e que ressoa Quando o espinho da vida em mim se crava.   Adormece esta chama a arder em mim Numa urgência de SER que me deslumbra E emerge um novo vulto da penumbra... O corpo de um poema nasce enfim!   Eco de mim, suponho, eu dou-me inteira, Memória duma vida ... eu, verdadeira, Presumo-me inocente e sou culpada...   No tronco da palavra eu sou palmeira, Num fruto, em cada flor, amendoeira, Mas para muita a gente eu nem sou nada...     Maria João Brito de Sousa - 09.07.2016 - 23.00h     O AUTISTA-Pastel de Óleo, 60x60cm                      Maria João Brito de Sousa - 2006        

AVALANCHA

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Rola a bola de neve numa encosta E tudo vai levando no caminho... Começou a rolar tão de mansinho Que só a vemos quando o mal se mostra...   De tanto que cresceu, tudo levou, Pois nada sobrevive ao seu rolar E eu, sob a avalancha, a sufocar, Pensei poder pará-la... já parou?   Se há coisas coisas que podemos evitar Com um abraço que devemos dar E que pode bem mais do que a tristeza,   Abrace-se a tristeza! Esse abraçar Foi sempre a melhor forma de se amar E a neve, então, derrete, de certeza...     Maria João Brito de Sousa - 06.07.2008 - 14.40h     A Lágrima - Maria João Brito de Sousa Pastel de Óleo - 38x28cm  

OBRIGADA!

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Não sei como gerir tanta emoção Nem sei como vos hei-de agradecer Tudo isto aconteceu e eu sem saber Como expressar a minha gratidão   Se cada um de vós é meu irmão Na nova dimensão, no renascer, É também vosso tudo o que eu fizer, Cada traço a nascer da minha mão...   Pr`a todos vós que não vejo, mas sinto, (serei sempre leal pois nunca minto) O meu muito obrigada e os meus versos!   A todos vós prometo esta partilha De mulher inventada numa ilha Algures entre inventados universos...        

A PEDIDO DE VÁRIAS FAMÍLIAS...

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       Pronto. Já passou muito tempo e muitas pessoas me têm perguntado como vai o mealheiro para a compra do célebre Portátil 2008. Algumas dessas pessoas nem sequer são bloggers, mas têm acesso à net e gostam de ler o poetaporkedeusker. Aqui vai a última actualização: 310 euros. Um dos elementos do COPROP (Comissão Pró Portátil) encontra-se, neste momento, de férias, mas mal ele regresse sugerirei que se comece a pensar na devolução dos donativos aos Mecenas que contribuíram para a causa do Soneto na Blogosfera. A todos os que já contribuíram, a todos os que pensam ainda contribuir e a todos os que não contribuíram porque os tempos estão mesmo muito díficeis, eu deixo o meu abraço de agradecimento. Um abraço de cometa também para todos os elementos do COPROP que têm sido incansáveis e para a equipe do Sapo que pôs em destaque o Café com Natas quando esse blog lançou um apelo em prol desta causa. Durante mais alguns dias a conta manter-se-á disponível. Espero não ser fuzilada pelos ...

VIVER APAIXONADAMENTE

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  Paixão. Viver a vida sem paixão É quase não viver, é só passar Por este nosso mundo sem deixar Um rasto nesta estranha imensidão,   É deixar por metade a construção Do edifício "vida", abandonar A razão de viver e nem sonhar Que o mundo esteja - e está! - na nossa mão.   Viver sem ser apaixonadamente, Passar e não olhar, ser indif`rente, É ser mais pobre ainda, é não ter nada,   Ou, sendo "nada", ter forma de gente, Quando se ignora o apelo sempre urgente Da vida que nos chama, apaixonada...     Maria João Brito de Sousa - 01.07.2008 - 11.55h     Pormenor de "O Cristo Amarelo", Paul Gauguin, 1848-1903   . Soneto dedicado, a pedido, a quem me comenta com o nick "Paixão"